Pesquisas recentes tem mostrado que o mundo não está produzindo frutas e legumes suficientes para alimentar a todos.  Então, pense bem antes trocar sua dieta habitual por uma vegetariana ou vegana.

Pesquisadores canadenses compararam a produção agrícola global com o tipo de dieta apoiada por nutricionistas e ambientalistas, e encontraram uma discrepância entre o que está sendo produzido e o que a população mundial realmente necessita.

“Nós simplesmente não podemos adotar uma dieta saudável sob o atual sistema agrícola global”, afirma um dos autores do estudo, Evan Fraser.

“Nossos resultados demostram que atualmente se produz excesso de grãos, gorduras e açúcares“, acrescenta Fraser, diretor do Arrell Food Institute da Universidade de Guelph, em Ontário. Entretanto, há falta de frutas e vegetais, segundo ele.

A pecuária é responsável por cerca de 14,5% das emissões globais de gases do efeito estufa, de acordo com a United Nations Food and Agriculture Organization (FAO), e cientistas afirmam que comer menos carne poderia ajudar, uma vez que o efeito estufa pode potencialmente causar aumento das temperaturas globais, chuvas extremas e redução das colheitas agrícolas.

O estudo canadense, publicado esta semana na revista científica PLOS ONE, calculou a produção agrícola mundial com o recomendado pelo “Healthy Eating Plate” da Universidade de Harvard, que aconselha que frutas e verduras correspondam a metade de qualquer dieta, que 25% sejam grãos, e que o restante seja composto de proteínas, gorduras e laticínios.

O estudo dividiu estes grupos de alimentos em porções, e verificou que o mundo atualmente produz 12 porções de grãos por pessoa, em vez das 8 porções recomendadas; 5 porções de frutas e vegetais em vez de 15; e 4 porções de açúcar em vez de nenhum.

Dessa forma, caso as práticas agrícolas e dieta atuais não mudem, seria necessário mais 12 milhões de hectares de terra cultivável e 1,3 bilhão de hectares de pastagens até 2050 para alimentar uma população projetada de 9,8 bilhões.

Lawrence Hadad, diretor executivo da Global Alliance for Improved Nutrition (GAIN), diz que frutas e vegetais estão ficando mais caros devido à fraca demanda, baixa produtividade e altas perdas em armazenamento e transporte. “Para que isso mude, o consumo de frutas e verduras deveria ter maior prioridade nos planos de nutrição e saúde dos governos”, disse ele à Reuters Foundation.

Diversos países têm promovido políticas de alimentação saudável, para estimular a substituição de alimentos processados e ​​açucarados por frutas e vegetais, com o objetivo de aumentar a longevidade e melhorar a saúde geral.

Frutas e vegetais são centrais para combater todas as formas de má nutrição, todavia quase todas as pesquisas na área da agricultura são focadas em cereais, complementa Hadad, co-ganhador do World Food Prize (apelidado de “Nobel da Agricultura”) deste ano, prêmio fundado em 1986 pelo ganhador do prêmio Nobel Norman Bourlag.

Fonte: Reuters

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