A telemedicina é uma especialidade da medicina que oferece a prestação de serviços de saúde a distância através da internet. Devido ao suporte remoto, ela pode entregar muitos cuidados da saúde que são considerados recursos limitados para grande parte da população.

Neste artigo, você vai ler sobre:

O assunto é importante para atualização do conhecimento de médicos, gestores e profissionais da Medicina. Isso porque, tão recente na literatura médica, a Telemedicina abrange serviços de saúde, educação, administrativos e informações médicas que podem ser transmitidos por longas distâncias.

Portanto, esperamos que você tenha uma boa leitura e que este artigo possa proporcionar boas considerações.

 

1. As Atividades Mais Comuns de Telemedicina


O termo Telemedicina foi utilizado pela primeira vez em 1950, descrito no artigo “Telegnose” que discorre sobre a transmissão de imagens de radiologia por telefone. Neste conteúdo, vamos abordar as atividades mais pesquisadas: Teleassistência, Teleducação, Telerradiologia e Telecirurgia.

 

Teleassistência, o atendimento médico a distância.

idoso utilizando teleassistência

A teleassistência pode ser descrita simplesmente como assistência médica a distância. Isso porque esse segmento da telessaúde permite que uma pessoa seja monitorada em sua própria residência por profissionais médicos.

Ou seja, em casos de emergência, o socorro pode ser prestado em poucos minutos. Para isso, o paciente, ao sentir mal-estar, pressiona um botão que liga automaticamente para o serviço de telemedicina. Em alguns casos, ele é também observado através de monitoramento 24/7.

Certamente, benefício da telemedicina, especialmente nesses casos, é sustentada. Visto que a tecnologia pode amparar idosos, gestantes, deficientes físicos e pós-operados. Pacientes, esses, que requerem extrema atenção.

 

Teleducação, o ensino a distância.

medica em teleducação

A telemedicina também abre portas para o desenvolvimento intelectual e profissional do médico. Isto é, teleconferências, videoaulas e plataformas de e-learning podem ser utilizadas para a educação médica continuada. Atividades essas que são utilizadas e reconhecidas também em diversas outras áreas.

Além disso, dentre os métodos explorados atualmente pela teleducação e pela telessaúde, encontramos o conhecido aprendizado baseado em problemas (ABP). Nesse, os alunos são motivados a desenvolverem habilidades na solução de problemas em casos clínicos através da educação a distância.

Isto é, a tecnologia possibilita que alunos possam presenciar os casos clínicos dos mais comuns aos mais complexos. Portanto, é uma preparação que tange um grande diferencial para o currículo profissional e para o conhecimento do aluno participativo.

 

Telerradiologia e telelaudo, emissão de laudos a distância.

Telerradiologia o que é

A telerradiologia é um serviço de radiologia a distância. É um dos segmentos da telemedicina que vem ganhando espaço no dia a dia de hospitais e clínicas. Oferece suporte aos serviços de radiologia otimizando todo o processo de realização dos exames, desde sua marcação com uma história clínica adequada do paciente, orientação de protocolos, até a entrega de um laudo de qualidade.

Esse segmento da telessaúde é uma vantagem para centros de diagnóstico por imagem de clínicas e hospitais, pois:

– agiliza o tempo para entrega de resultados aos pacientes;

– capacita a entrega de resultados de acordo com a real urgência dos casos;

– viabiliza a entrega de resultados para exames urgentes;

– dispõe de médicos radiologistas especializados e subespecializados para regiões distantes de zonas metropolitanas;

– auxilia o serviço de radiologia para a cobertura de férias e em caso de ausências não planejadas da equipe local de médicos radiologistas;

– minimiza os problemas de qualidade dos laudos (erros de interpretação das imagens) com a consultoria a distância (peer-review);

– é uma alternativa ao custo elevado de manter médicos radiologistas atuando em plantões nos períodos noturnos e finais de semana;

– é uma saída para que a variação do volume de exames, em alguns períodos, não seja coberta pelo custo fixo;

– dispõe a assessoria médica para técnicos de radiologia, inclusive em períodos de plantão noturno e finais de semana;

– disponibiliza os resultados de exames e imagens médicas para acesso aos médicos que os solicitam.

 

Telecirurgia, a especialidade cirúrgica a distância.

maquina para telecirurgia

Telecirurgia é a atividade na qual o cirurgião atua remotamente. Isto é, a visualização e manipulação são realizadas em local remoto através de dispositivos de telecomunicação de ponta.

O objetivo dessa atividade é prestar atendimento cirúrgico aos pacientes com limites de acessibilidade, que estão em ambientes perigosos ou que constituem risco à equipe cirúrgica. Portanto, para situações que não podem ser executadas dentro dos padrões normais de saúde.

A telecirurgia é praticada de duas maneiras. Através da teleconsulta, onde a assistência é prestada a um cirurgião por um especialista remoto durante o procedimento cirúrgico. E, através da chamada cirurgia robótica, onde cirurgiões qualificados manuseiam, a distância, braços robóticos, microcâmeras, ultrassom, laser e instrumentos, entre outros.

 

Teleconsulta, a consulta médica a distância.

garoto durante teleconsulta

A Teleconsulta nada mais é do que a consulta médica realizada a distância através da telecomunicação e imagem.

Isto é, através da internet, com aplicativos e plataformas online, é possível que o médico realize o atendimento remoto do paciente. Ou seja, não há necessidade que ambos estejam no mesmo local para prosseguir com a consulta médica.

A modalidade pode ser realizada tanto entre o médico e paciente como também entre profissionais de saúde para esclarecimento de dúvidas.

Além disso, a Teleconsulta, por ser um tipo de comunicação entre emissor e receptor, pode apresentar mais algumas especificidades. Ou seja, ela pode ser comunicação síncrona ou assíncrona.

No primeiro caso, ela indica a transmissão imediata, onde emissor e receptor estão conectados em tempo real através de um software de comunicação online (como visto na telecirurgia).

No segundo, o atendimento não é simultâneo e pode ser realizado como uma espécie de perguntas e respostas através de e-mails ou softwares específicos e integrados. Portanto, não há necessidade do imediatismo ou da presença em tempo real dos envolvidos (como na telerradiologia).

 

2. Os Benefícios da Telemedicina

enfermeiro utilizando telemedicina

 


Um dos maiores benefícios da Telemedicina é prevenir, alertar, monitorar e controlar a disseminação de doenças transmissíveis e não transmissíveis. Ou seja, podendo, ser um grande artifício em uma situação de epidemia, promovendo melhores resultados à vigilância epidemiológica, como é o caso da pandemia do “coronavírus” (COVID-19) em 2020.

A Telemedicina pode contribuir para a integração do sistema de saúde e a universalidade dos serviços com qualidade, eficiência e equidade, em benefício prioritário das populações dispersas. Contudo, inúmeros fatores podem decidir a qualidade de um serviço de saúde. Por isso sempre recomendamos atenção no momento de escolha de parceiros para Telerradiologia, por exemplo.

E por falar em Telerradiologia, a Telemedicina apresenta benefícios para os pacientes. Pois, em geral, tende a facilitar diagnósticos mais assertivos e tratamentos mais baratos através da detecção com precisão da doença.

A Gestão Hospitalar pode obter redução de custos e comunicação ágil entre seus diferentes serviços. E, por fim, para os médicos, dos principais benefícios, são novas oportunidades para: consultas com especialistas; deslocamento; e melhoria na qualidade de imagens e informação.

 

3. A Regulamentação da Telemedicina

regulamentação da telemedicina


O Prof. Dr. Genival Veloso de França, em seu artigo “Telemedicina: breves considerações ético-legais”, publicado na Revista Bioética pelo CFM, em seu volume 8, número 1, 2.000 [2], cita que, segundo as Normas Éticas de Utilização da Telemedicina da Associação Médica Mundial, recomenda-se que:

– promovam programas permanentes de formação e avaliação das técnicas de medicina a distância, no tocante à qualidade da relação médico-paciente, sua eficácia e custos;

– elaborem e implementem, junto com as organizações especializadas, normas de exercício capazes de serem usadas como instrumento na formação de médicos e de outros profissionais de saúde capazes de utilizar a telemedicina; que se fomente a criação de protocolos padronizados;

– incluam os problemas médicos e legais nos programas de teleassistência, como a qualificação dos médicos destes recursos, a forma de responsabilidade ética e legal dos profissionais envolvidos e a obrigação da elaboração dos prontuários médicos; e

– estabeleçam normas para o funcionamento adequado das teleconsultas, onde sejam incluídas as questões ligadas à comercialização e exploração destes sistemas.

 

Declaração de Tel Aviv

No mesmo artigo, o Prof. Dr. Genival Veloso de França apresenta a Declaração de Tel Aviv, adotada pela 51ª Assembléia Geral da Associação Médica Mundial, realizada em outubro de 1999, em Israel, sob o título “Responsabilidades e Normas Éticas na Utilização da Telemedicina”, que contempla algumas das necessidades sentidas pelos Conselhos Federal e Regionais de Medicina no tocante à regulamentação do assunto.

Você pode ler a declaração, na íntegra, acessando o artigo do Prof. Dr. Genival Veloso de França. A Declaração discute sobre os seguintes temas: a relação médico-paciente, a responsabilidade dos médicos, responsabilidade do paciente, segurança e qualidade da atenção em telemedicina, história clínica do paciente, o consentimento do paciente, sigilo e privacidade.

 

A Regulamentação da Telemedicina no Brasil

O Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou, em agosto de 2002, a resolução que fixa responsabilidades e normas éticas na utilização da telemedicina no Brasil.

cfm conselho federal de medicina logotipoPortanto, toda empresa voltada a atividades na área de telemedicina, sejam elas de assistência ou educação continuada a distância, deve cumprir os termos da Resolução CFM nº 1.643/2002.

Em síntese, a Resolução obriga o registro da empresa que explore o serviço no Cadastro de Pessoa Jurídica do CRM da jurisdição, com a respectiva responsabilidade técnica de um médico regularmente inscrito. Em se tratando de prestador pessoa física, o mesmo deve ser médico devidamente habilitado junto ao Conselho. A este cabe estabelecer vigilância constante e avaliação das técnicas de telemedicina no que se refere à qualidade da atenção, relação médico-paciente e preservação do sigilo profissional.

Em seu Artigo 1, a Resolução define a telemedicina como “o exercício da medicina mediante a utilização de metodologias interativas de comunicação audiovisual e de dados, com o objetivo de assistência, educação e pesquisa em saúde”. Face a interpretação de que se trata de ato médico, os serviços prestados através da telemedicina devem oferecer infra-estrutura tecnológica apropriada e obedecer às normas técnicas do CFM, no que se refere à guarda, manuseio, transmissão de dados, confidencialidade, privacidade e garantia do sigilo profissional.

 

CFM reconhece uso da Telemedicina para combate à COVID-19

Muito recentemente, o CFM encaminhou um ofício ao Ministério da Saúde. Neste, o CFM informa sua decisão de reconhecer a possibilidade e a eticidade de uso da telemedicina no País, além do que está estabelecido na Resolução de 2002, que continua em vigor. A decisão vale em caráter excepcional e enquanto durar o combate à epidemia de COVID-19.

Com esse anúncio, o CFM contribui para o aperfeiçoamento e a máxima eficiência dos serviços médicos prestados no País. De acordo com o documento encaminhado, a telemedicina poderá ser exercida nos seguintes moldes:

– Teleorientação (ou Teleconsulta), que permite que médicos realizem a distância a orientação e o encaminhamento de pacientes em isolamento;

– Telemonitoramento, que possibilita que, sob supervisão ou orientação médicas, sejam monitorados a distância parâmetros de saúde e/ou doença; e

– Teleinterconsulta, que permite a troca de informações e opiniões exclusivamente entre médicos, para auxílio diagnóstico ou terapêutico.

 

4. A Perspectiva da Telemedicina no Brasil


cnpq Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e TecnológicoChao Lung Wen cita, em seu artigo “Telemedicina e Telessaúde – Um panorama no Brasil” publicado na Revista Informática Pública, em 2010 [3], que o primeiro marco foi o lançamento da Telemedicina como demanda induzida no Edital de 2005 do Programa “Institutos do Milênio”. Isso foi importante e indicativo de que o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) entendia que a Telemedicina era uma área estratégica de pesquisa e que necessitava ser incentivada nas instituições universitárias.

Depois disso, outros marcos surgiram por solicitação do próprio Ministério da Saúde (DEGES/SGTES) e projetos surgiram na Rede Universitária de Telemedicina (RUTE) da RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa).

Neste momento, o Brasil já começava a enxergar outra perspectiva através dos recursos da Telemedicina para promover a melhoria da qualificação dos profissionais de saúde em atenção básica, com o objetivo de oferecer melhor qualidade de serviço para a população, por meio da Teleducação Interativa, da Segunda Opinião Especializada Formativa, da modernização dos recursos educacionais e de uma Biblioteca Virtual em Saúde.

Em 2009, a PUCRS, iniciou programas de teleducação e criou oportunidades para um grande número de estudantes que puderam presenciar, através de um projeto piloto experimental, procedimentos cirúrgicos em tempo real [4].

 

Qual a situação atual da Telemedicina no Brasil?

Ainda existem poucos dados para análise nacional. O Brasil possui pouca produção científica relacionada com Telemedicina, entretanto, não significa que não existam esforços direcionados no intuito de expansão nacional do setor [5]. Além disso, a inclusão de telecirurgias e cirurgias robóticas podem ser observadas com grande avanço nos maiores Hospitais nacionais. Isso porque, já em 2012, o robô DaVinci realizou mais de 1.900 cirurgias nas especialidades de cirurgia geral, urologia e ginecologia no Hospital 9 de Julho. Em 2011, o Centro Einstein de Excelência em Cirurgia Robótica foi inaugurado e, hoje, já conta com mais de 7.000 cirurgias.

 

Telerradiologia no Brasil

Para a Telerradiologia, o progresso também anda ao mesmo ritmo. A STAR Telerradiologia vem atendendo centenas de Centros de Diagnósticos por Imagem de Hospitais e Clínicas desde o seu início, em 2016. Foram mais 500 mil laudos médicos de radiologia e medicina nuclear emitidos para Centros de Diagnósticos de todo o Brasil.

Com tudo isso, pode-se afirmar que a Telemedicina está proporcionando muitos benefícios para a sociedade.

 

Discussão


Acima de tudo, a Telemedicina já é uma realidade, sendo aplicada todos os dias com maior benefício para a população. Na democratização do conhecimento médico, contribui por meio de bibliotecas virtuais, teleconferências e demais ferramentas da telecomunicação. Beneficiando, assim, um grande número de estudantes e profissionais. E o mesmo acontece na aplicação da Telemedicina com a Robótica, onde vimos que, através da telecirurgia, é tecnicamente possível realizar uma cirurgia distante do paciente, em outro lado do Planeta.

Mas, infelizmente o progresso ainda não é uma condição de igualdade, visto que muitas regiões em todo o mundo ainda não superaram algumas limitações, desde econômicas quanto a qualidade de serviços de telecomunicação.

Esperamos que o avanço da tecnologia e da regulamentação continuem, para que seja possível, um dia, levar Medicina de qualidade ao alcance de todos.

 

Referências


  1. D.L. Paul; K.E. Pearlson; R.R. McDaniel. Assessing technological barriers to telemedicine: technology-management implications.
  2. Telemedicina: breves considerações ético-legais
  3. Telemedicina e Telessaúde – Um panorama no Brasil
  4. Russomano T, Cardoso RB, Fernandes J, Cardoso PG, Alves JM, Pianta CD, Souza HP, Lopes MH. Tele-surgery: a new virtual tool for medical education. 2009.
  5. Rogério B. R.; Felipe C. I.; Ivan T. P.; Cláudia G. N. B.; Paulo R. L. L.; Carlos J. R. C. Avaliação do Crescimento da Telemedicina Brasil e no Mundo. 2018.

 

 


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