Telerradiologia é a prática da radiologia a distância e é uma subespecialidade da telemedicina. Ela possibilita que médicos radiologistas possam interpretar e elaborar laudos de exames médicos através da internet.

É uma atividade inovadora de apoio a Centros de Diagnóstico por Imagem de hospitais e clínicas. Pois, pode ajudar a aumentar significativamente sua produtividade e agilidade, além de reduzir despesas, como explicaremos no decorrer deste artigo.

1. O que é

medica analisando exame para telerradiologia

Telerradiologia é uma especialidade da telemedicina que consiste na elaboração remota de laudos de exames de imagem. Isto é, ela possibilita que médicos radiologistas possam atuar de forma remota na análise e interpretação de exames médicos.

Com ela, hospitais e clínicas podem ter acesso a médicos radiologistas altamente especializados sem barreiras geográficas, contribuindo na emissão de laudos a distância e assessoria médica para realização de exames. Isto é, acesso a profissionais para interpretação de exames com a mesma facilidade que ter um radiologista atuando localmente.

A formação do médico radiologista que atua remotamente não é diferente: 6 anos de formação acadêmica em Medicina e 3 anos de residência médica em Radiologia e Diagnóstico por Imagem (conhecido como R1, R2 e R3). Além desta jornada, alguns radiologistas se especializam ainda mais, por 1 ou mais anos, tornando-se especialistas em determinadas subáreas da radiologia, ao finalizar o R4/R5.

As subáreas de especialização de um médico radiologista podem ser: neurorradiologia, radiologia torácica, mamária, cardíaca, abdominal, medicina interna, musculoesquelético, oncológica, pediátrica, cabeça e pescoço e intervencionista. Ou seja, para emitir um laudo de uma ressonância do coração, por exemplo, um especialista em radiologia cardíaca é mais indicado do que um radiologista sem a mesma subespecialização.

Portanto, os melhores serviços desta especialidade contam com profissionais subespecialistas em suas áreas para elaboração de laudos. Isso garante para o centro de diagnóstico maior precisão no diagnóstico e maior segurança no tratamento do paciente.

 

2. Benefícios

médica explicando as vantagens da telerradiologia

A telerradiologia possui uma série de benefícios para Centros de Diagnóstico por Imagem. Desde a redução de custos e ganho de qualidade até a disponibilidade de atendimento médico em período integral 24h, incluindo feriados. Confira:

 

a. Redução de custos

Contratar uma equipe médica de radiologistas presencial exige o investimento de um valor substancial para Centros de Diagnóstico, pois os médicos normalmente exigem remuneração mínima e fixa por período de trabalho, o que gera altos custos fixos – o custo é garantido independente do volume de exames.

Com a telerradiologia, é possível transformar custos fixos em variáveis e, ao mesmo tempo, ter um ganho de qualidade dos laudos. Isso é possível pois, na maioria dos casos, a cobrança é por laudo emitido e os laudos são avaliados por especialistas.

Ou seja, não há mais necessidade de se preocupar com os custos extras na cobertura da escala de trabalho da equipe nem com variações no volume de exames.

 

b. Laudos de alta qualidade

A preocupação com a qualidade dos laudos deve ser uma busca constante em Centros de Diagnóstico. Afinal, são vidas que estão em jogo.

Alguns serviços contam com equipe de qualificação técnica elevada, com conclusão e resolutivos, e oferecem laudos ilustrados com imagens detalhadas das principais alterações. Para os médicos solicitantes, esse recurso auxilia na definição de um tratamento mais adequado ao problema de saúde dos pacientes.

 

c. Equipe completa em tempo integral, 24h por dia, 365 dias por ano

A busca por médicos extras para complementar a escala de trabalho deixa de ser um problema.

A telerradiologia dispõe de médicos prontos para laudar exames todos os dias do ano, em período integral, incluindo aqueles exames que necessitam de laudo em caráter de urgência e plantão 24h.

 

d. Agilidade

Através deste serviço, é possível reduzir o tempo de entrega de resultados para os pacientes e eliminar os atrasos. Isso é possível pois a equipe local fica sempre completa (mesmo com ausências não planejadas).

As principais empresas do mercado oferecem laudos urgentes 24h por dia com prazo de até 2h e laudos de rotina com prazo de até 48h.

 

e. Melhor atendimento aos clientes

Para o paciente, a telerradiologia, dentre outros fatores, proporciona: redução dos prazos de entrega dos exames, otimização do tempo de realização de exames com a adoção correta dos protocolos, e melhora da qualidade dos laudos emitidos.

 

f. Emissão de laudos para qualquer lugar do Brasil

O fator distância não influencia na formação de preços, pois a transmissão de imagens médicas é realizada on-line.

Centros de Diagnóstico localizados em regiões afastadas das grandes cidades podem ter acesso aos melhores médicos radiologistas do país.

 

3. Como funciona

medica escrevendo laudo para telerradiologia

A emissão de laudos através dos serviços de telerradiologia, em geral, seguem praticamente os mesmos procedimentos que os exames laudados presencialmente.

Primeiro, o exame é realizado. Empresas de ponta disponibilizam canal direto de atendimento com consultoria médica para realização de exames, dúvidas sobre protocolos, contraste, etc. Desta maneira, a equipe técnica local pode trabalhar com tranquilidade e apoio.

Em seguida, as imagens são disponibilizadas para o médico radiologista. No caso da telerradiologia ocorre o envio das imagens direto das modalidades ou do PACS local. Empresas compromissadas devem seguir a regulamentação vigente e disponibilizar para seus clientes ferramentas para transmissão de imagens robustos, que garantam segurança e privacidade dos dados dos pacientes de ponta a ponta. Além das imagens, deve-se disponibilizar também o pedido médico e os dados clínicos do paciente.

Os dados clínicos (pedido médico com hipótese diagnóstica, anamnese, questionário pré-exame, etc.) são partes integrantes do exame. A assertividade do laudo depende da qualidade dos dados disponibilizados. Este é um passo chave na qualidade do diagnóstico e não pode ser negligenciado.

Após o laudo ser emitido, o processo é finalizado com a entrega do resultado para o paciente. Com a Telerradiologia, os resultados normalmente ficam disponíveis na web para o Centro de Diagnóstico.

Empresas de telerradiologia com melhores estruturas oferecem integração com PACS/RIS para a entrega dos laudos automaticamente. Dessa maneira o Centro de Diagnóstico acessa os laudos emitidos a distância dentro do seu próprio sistema, facilitando ainda mais o trabalho da equipe local.

 

4. Regulamentação

É normal que qualquer tipo de inovação, como a telerradiologia, pode gerar uma série de questionamentos. Mas há essencialmente dois pontos que você precisa ter em mente quando for contratar esses serviços:

  1. Regulamentação: assim como qualquer serviço prestado na área da saúde, a telerradiologia também possui regulamentação própria para o seu exercício. A Resolução Nº 2.107/2014 do Conselho Federam de Medicina (CFM) é a diretriz que normatiza e orienta tanto as empresas que prestam os serviços quanto os centros de diagnóstico que fazem uso deles.
  2. Substituição de equipe médica: em alguns casos a telerradiologia não substitui a necessidade de haver médicos radiologistas atuando presencialmente nos centros de diagnóstico. Por exemplo: exames de ultrassom, acompanhamento de contrastes, entre outros. Ou seja, ela vem para complementar os serviços radiológicos, devendo ser encarada como parceira na otimização do atendimento prestado. O objetivo é melhorar a qualidade do atendimento aos pacientes, por meio do apoio de médicos radiologistas especializados.

 

5. Implantação

sala de radiologia

O processo de implantação da telerradiologia geralmente tem apenas 6 etapas e não leva mais que algumas horas.

Veja a seguir:

  1. Contratação: o centro de diagnóstico contrata uma empresa de telerradiologia de acordo com a referência de qualidade e cumprimento de prazos.
  2. Implantação: primeiro, é realizada a instalação do sistema que permite o envio das imagens dos exames para a nuvem do serviço. Então, o sistema faz o link entre as modalidades e PACS do centro de diagnóstico e o serviço de telerradiologia, através de conexão segura e criptografada. Em seguida, é realizada a customização do layout dos laudos (cabeçalho e rodapé) seguindo a identidade visual do centro de diagnóstico.
  3. Treinamento: O treinamento é divido em duas etapas. Primeiro, uma orientação da equipe técnica do centro de diagnóstico sobre como enviar os exames e alinhamento quanto à importância do uso de questionário pré-exame. Em seguida, orientações detalhadas sobre o processo de solicitação para laudos mais precisos e comunicação com a equipe de atendimento.
  4. Alinhamento de protocolos: apresentação do manual de protocolos recomendados e alinhamento de protocolos.
  5. Envio dos exames: envio das imagens dos exames para o PACS da empresa de telerradiologia, juntamente com os dados clínicos do paciente e pedido médico.
  6. Recebimento dos exames: o processo finaliza-se com recebimento do laudo pelo sistema da empresa de telerradiologia. Por fim, acontece a entrega do resultado para o paciente.

 

6. Exames aceitos na Telerradiologia

Qualquer exame de imagem que não exija a presença local de um médico para sua realização pode ser laudado remotamente.

Alguns podem ser laudados a distância desde que haja acompanhamento por responsável médico local. São eles: ressonância magnética, tomografia computadorizada, radiografia, mamografia, densitometria óssea e medicina nuclear.

 

7. História da Telerradiologia

radio-telefone

Em síntese, o surgimento da radiologia aconteceu em 1895, por meio do físico alemão Wilhelm Conrad Röntgen. Já a telerradiologia tem uma história de quase meio século e tem grande influência na telemedicina.

Durante a década de 1930, o navio de marinha RMS Queen Mary usou o radio-telefone marinho no navio para fins de consulta médica. Um médico a bordo enviaria informações para fontes externas para consulta. Em seguida, serviria como consultor para pessoas em outros navios que precisavam de atenção médica.

Durante os anos 1960 e 1970, houve uma extensa experimentação, com pesquisas conduzidas para melhorar as técnicas de transmissão de televisão e circuito fechado para o envio de imagens médicas que eram capturadas por raios X. Geralmente, as imagens pertenciam às áreas de patologia, dermatologia e radiologia.

Houve um novo avanço quando o Dr. Kenneth Bird, do Massachusetts General Hospital, de Boston, Estados Unidos, conseguiu instalar um sistema de televisão interativo que conectou o Aeroporto Logan com o hospital e poderia ser usado para oferecer cuidados médicos aos viajantes.

Havia um caso semelhante no Hospital Militar Nacional de Walter Reed, localizado em Washington D.C., onde um link foi estabelecido entre a sala de emergência e o departamento de radiologia através de uma televisão em circuito fechado.

Nos primeiros dias, no entanto, o processo de transmissão era bastante tedioso. Isso porque você só podia compartilhar uma imagem de cada vez, a resolução e o contraste eram de baixa qualidade e o sistema se revelou mais uma exibição do que propriamente uma ferramenta prática para o hospital.

Nestes primeiros anos da telemedicina, altos custos de manutenção e operação levaram a maioria dos centros de saúde a rejeitar a telerradiologia.

 

A evolução da Telerradiologia

No início da década de 1980, a telerradiologia serviu principalmente como cópia de filmes físicos para serem enviadas ao radiologista, que então gravava um relatório em uma fita cassete.

O material era enviado para a instalação original, para ser transcrito sob a forma de um relatório em papel. O tempo de resposta desses estudos levava dias, às vezes até semanas. Ou seja, funcionava para estudos de rotina. Mas, não em situações de emergência.

Embora algumas máquinas de raios X e TCs produzissem filmes ou imagens digitais já na época, exibir as cópias em máquinas feitas por outros fabricantes era muito difícil.

A National Electrical Manufacturers Association e o American College of Radiology, em 1983, juntaram forças e criaram um padrão aberto de imagens médicas para que estas fossem armazenadas digitalmente. Contudo, o padrão ACR/NEMA 300 teve algumas limitações e problemas que não levaram os fabricantes a adotá-lo amplamente.

Uma segunda versão deste padrão foi lançada em 1988, comumente é chamada de ACR/NEMA v2.0. Assim, com esta versão, as imagens eram transmitidas através do uso de um cabo dedicado (o EIA-485).

O padrão foi aceito de forma mais ampla, por meio do suporte de empresas como 3M, Siemens Medical Systems, Merge Technologies, General Electric Medical Systems e DeJarnette Research Systems.

A terceira versão deste padrão foi lançada em 1993, e chamou-se DICOM. Então, o suporte à rede-padrão foi adicionado com esta edição, que finalmente tornou a telerradiologia possível.

 

A telerradiologia no Brasil

No Brasil, a história da telerradiologia é muito mais recente. Isto é, foi somente no ano de 2005 que o Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) criou a Comissão de Telerradiologia, cujo objetivo de estimular a integração com base em boas práticas e no exercício ético da medicina.

Em 2009, o CFM normatiza este tipo de serviço através da Resolução nº 1890/2009. Norma que, posteriormente, foi atualizada para orientar uma prestação de serviços de mais qualidade e com a segurança de que médicos e pacientes necessitam.

 

Considerações finais

De fato, essa especialidade pode contribuir significativamente para a indústria da medicina, para os profissionais e pacientes. Se você busca contratar uma empresa de telerradiologia, esteja atento a três pontos importantes:

  1. Busque sempre a empresa que tenha uma equipe formada por profissionais altamente qualificados e especializados em suas áreas de atuação. Assim, eles estarão aptos a emitir laudos com base no que há de mais novo na literatura médica.
  2. Acompanhe as inovações tecnológicas, bem como os avanços científicos na área da radiologia. Em outras palavras, esteja próximo do que há de mais novo em tecnologias que podem até mesmo mudar a forma de realizar exames e a emissão de laudos.
  3. Foque na otimização constante, visto que novas e melhores práticas para a realização de exames de imagem estão sempre em atualização. Portanto, fique de olho em parceiros que acompanham as tendências e auxiliam seu centro de diagnóstico a ficar também atualizado.

 

Referências

  • de Oliveira Lima, Claudio Marcio Amaral, Alair Augusto Sarmet dos Santos, and Alexandra Maria Vieira Monteiro. “Telerradiologia no Brasil: uma breve revisão histórica.” Jornal Brasileiro de TeleSSaúde 2.1 (2013): 7-11.
  • Santos, Andreia Sofia de Sampaio Nunes da Silva. Telerradiologia: uma alternativa à radiologia presencial?. Diss. 2013.
  • Neto, Jorge Eduardo dos Santos Teixeira. O uso da telerradiologia num serviço hospitalar. Diss. 2007.
  • Martins, Wilson Denis. “Wilhelm Conrad Roentgen e a Descoberta dos Raios-X.” Archives of Oral Research 1.3 (2005).
  • Glasser, Otto. Wilhelm Conrad Röntgen and the early history of the Roentgen rays. No. 1. Norman Publishing, 1993.
  • Khouri, Sumaia Georges El. Telemedicina: análise da sua evolução no Brasil. Diss. Universidade de São Paulo, 2003.
  • Walters, Terry Jane. “Deployment telemedicine: the Walter Reed Army Medical Center experience.” Military medicine 161.9 (1996): 531-536.
  • Mildenberger, Peter, Marco Eichelberg, and Eric Martin. “Introduction to the DICOM standard.” European radiology 12.4 (2002): 920-927.
  • Resolução Nº 2.107/2014 do Conselho Federal de Medicina (CFM).