Tireoide: guia completo sobre a glândula e doenças relacionadas

|18 mar, 2025|Categorias: Patologia|22,9 min de leitura|
Representação gráfica ilustrativa de onde está localizada a tireóide

A tireoide é uma glândula pequena do corpo que, apesar do tamanho, tem um impacto gigantesco no funcionamento do organismo.

Localizada na parte anterior do pescoço, ela é responsável por produzir hormônios que regulam desde o metabolismo até o equilíbrio emocional.

Quando algo não vai bem com essa glândula, os efeitos podem se manifestar de muitas formas, mas por vezes passam despercebidos durante bastante tempo. Justamente por isso, entender como ela funciona e quais sinais indicam possíveis problemas é essencial!

Embora seu nome seja relativamente conhecido, o papel que essa glândula desempenha costuma ser subestimado — e desentendido.  A tireoide é como um “maestro” que rege o ritmo do corpo, acelerando ou desacelerando processos vitais conforme a necessidade.

Se há um desequilíbrio na produção hormonal, os efeitos podem surgir como fadiga constante, ganho ou perda de peso inexplicável, mudanças bruscas de humor e até mesmo alterações na pele e no cabelo.

Ainda parece vago? Pois é justamente essa ampla gama de sintomas que faz com que as doenças tireoidianas sejam, muitas vezes, diagnosticadas tardiamente.

Também precisamos falar que os problemas na tireoide não afetam apenas adultos. Crianças e adolescentes podem apresentar disfunções, e os sinais podem se confundir facilmente com outros problemas típicos dessa fase, como cansaço excessivo ou dificuldades de concentração.  Em idosos, por outro lado, as manifestações podem se camuflar como sinais do envelhecimento natural, dificultando ainda mais o diagnóstico.

Logo, ter o conhecimento sobre essa glândula e entender como ela influencia o organismo é uma ferramenta essencial para a prevenção e o tratamento adequado.

Nos próximos tópicos, vamos explorar tudo sobre a tireoide. Desde sua anatomia e função até os principais hormônios que ela produz e os sinais de alerta para possíveis problemas. Afinal, quando se trata de saúde, a informação certa é um dos melhores aliados.

 

Princípios básicos da tireoide

A tireoide é uma glândula endócrina que desempenha um papel crucial no metabolismo e em diversas funções corporais. Ela tem um formato semelhante ao de uma borboleta, com dois lobos conectados por uma região central chamada istmo. Essa aparência distinta facilita sua identificação durante exames físicos ou de imagem.

Apesar de seu tamanho pequeno (geralmente medindo cerca de 4 a 6 centímetros de largura) sua influência no corpo é imensa. A tireoide age como uma “central de comando”, liberando hormônios que regulam processos essenciais, como a produção de energia, o controle da temperatura corporal e até mesmo o funcionamento do coração.

A tireoide não trabalha sozinha. Ela é diretamente influenciada pela hipófise, uma outra glândula localizada no cérebro, que libera o hormônio TSH (hormônio estimulante da tireoide).

Essa interação cria um sistema de controle sofisticado, que mantém os níveis hormonais sempre em equilíbrio.

Porém, quando há uma disfunção nesse sistema, surgem condições como o hipotireoidismo e o hipertireoidismo, que podem impactar a saúde física e emocional.

 

Como é a estrutura dessa glândula?

A estrutura da tireoide é organizada de forma meticulosa para otimizar sua função. Ela é composta por dois lobos laterais, direito e esquerdo, que se conectam por uma fina faixa de tecido chamada istmo.

Esse “desenho” forma o já mencionado formato de borboleta, localizado na parte frontal do pescoço.

No interior da glândula, existem pequenas estruturas chamadas folículos tireoidianos. Esses folículos são verdadeiros reservatórios onde os hormônios tireoidianos são armazenados até serem liberados na corrente sanguínea.

Cada folículo é preenchido por uma substância gelatinosa chamada coloide, rica em tireoglobulina, uma proteína essencial na produção hormonal.

Além disso, a tireoide conta com células chamadas parafoliculares, responsáveis pela produção da calcitonina, um hormônio que participa do metabolismo do cálcio. Embora menos conhecida, essa função adicional é fundamental para a saúde óssea e a prevenção de doenças como a osteoporose.

E para fecharmos o tópico da estrutura, literalmente, a estrutura da tireoide é envolvida por uma cápsula fibrosa, que protege a glândula e facilita sua fixação ao tecido muscular do pescoço.

 

Para que serve a tireoide?

A principal função da tireoide é a produção e liberação de hormônios que regulam o metabolismo, ou seja, o conjunto de reações químicas que mantêm o corpo em funcionamento.

Esses hormônios, chamados T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina), influenciam desde a velocidade com que as células queimam energia até o crescimento e o desenvolvimento do organismo.

O T3 é a forma biologicamente mais ativa, enquanto o T4 atua como uma espécie de “reserva”, sendo convertido em T3 quando necessário.

Essa regulação fina garante que o corpo tenha energia suficiente para suas atividades diárias, além de manter funções vitais como os batimentos cardíacos, a digestão e a temperatura corporal em equilíbrio.

Outra função importante da tireoide é sua participação no desenvolvimento neurológico e na saúde mental. Durante a infância e adolescência, por exemplo, os hormônios tireoidianos são fundamentais para o crescimento físico e para o amadurecimento cognitivo. Em adultos, eles continuam influenciando o humor, a concentração e até mesmo a memória.

Curiosamente, a tireoide também interage com o sistema imunológico e pode influenciar o bem-estar emocional. Quando há um desequilíbrio hormonal, é comum que os pacientes relatem sintomas como ansiedade, irritabilidade ou sensação de letargia, efeitos que nem sempre são associados à tireoide de primeira.

 

Qual sua localização exata?

A tireoide está situada na parte anterior do pescoço, logo abaixo do pomo de Adão (o popular “gogó”) e à frente da traqueia.

Essa posição é estratégica e permite que ela esteja próxima aos principais vasos sanguíneos e nervos do pescoço, facilitando a rápida liberação de hormônios na corrente sanguínea.

Sua localização também torna possível identificar alterações no tamanho ou na textura da glândula durante uma simples palpação técnica. Portanto, exames físicos são frequentemente o primeiro passo para detectar possíveis anomalias, como nódulos ou aumento de volume (chamado de bócio).

Aliás, qualquer crescimento anormal da tireoide pode afetar a voz por ela estar tão próxima da laringe e das cordas vocais, causando rouquidão ou dificuldade para engolir.

 

Ilustração da tireoide

 

Hormônios produzidos pela tireoide

A glândula é responsável pela produção de três hormônios principais: a triiodotironina (T3), a tiroxina (T4) e a calcitonina.

Embora o T3 e o T4 sejam mais conhecidos por sua influência direta no metabolismo, a calcitonina também tem um papel importante, especialmente no metabolismo do cálcio.

A produção desses hormônios depende da presença do iodo, um elemento essencial que é obtido principalmente através da alimentação. Sem níveis adequados de iodo, a tireoide não consegue fabricar essas substâncias na quantidade necessária, o que pode levar a desequilíbrios hormonais e problemas de saúde.

Outro fator importante é a ação do hormônio TSH (hormônio estimulante da tireoide), produzido pela hipófise. O TSH regula a atividade da tireoide, funcionando como um “sinalizador” que informa à glândula quando deve aumentar ou reduzir a produção hormonal.

 

Qual a função específica do T3 e do T4?

Basicamente, os hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina) controlam o metabolismo celular, influenciando como o organismo utiliza energia e regula diversas funções vitais. Isso já deu para entender até aqui, certo?!

O T3 é a forma mais ativa desses hormônios e atua diretamente nas células, acelerando ou reduzindo processos metabólicos conforme necessário. É responsável por manter o ritmo cardíaco adequado, garantir que a temperatura corporal esteja estável e influenciar até mesmo o funcionamento do sistema digestivo.

O T4 é produzido em maior quantidade pela tireoide, mas é convertido em T3 conforme a necessidade do organismo. Essa transformação ocorre principalmente no fígado e nos rins, permitindo que o corpo tenha uma “reserva” hormonal para momentos de maior demanda energética, como durante o frio, o estresse ou o aumento da atividade física.

Esses hormônios também têm impacto direto na saúde mental e emocional. Níveis desregulados de T3 e T4 podem desencadear sintomas como ansiedade, irritabilidade, cansaço excessivo e até mesmo episódios depressivos.

 

Para que serve a calcitonina?

Embora menos conhecida, a calcitonina é produzida pelas células parafoliculares da tireoide e atua reduzindo os níveis de cálcio no sangue sempre que eles estão elevados.

Ela faz isso estimulando o armazenamento de cálcio nos ossos e reduzindo sua absorção no intestino. Esse processo é fundamental para prevenir condições como a osteoporose e para garantir que os níveis de cálcio permaneçam dentro da faixa saudável.

Embora a calcitonina não tenha um impacto tão amplo quanto o T3 e o T4, sua função é essencial para proteger a saúde óssea e manter o equilíbrio mineral no organismo.

 

Quais são as doenças relacionadas a tireoide?

As disfunções da tireoide ocorrem principalmente quando há um desequilíbrio na produção dos hormônios tireoidianos ou alterações na estrutura da glândula.

As condições mais conhecidas são o hipotireoidismo e o hipertireoidismo, mas há outras complicações, como nódulos, bócio e câncer de tireoide (que falaremos com detalhes a seguir).

Os sintomas dessas doenças costumam ser muito variados e, por diversas vezes, confundidos com sinais de outras condições de saúde.

 

Hipotireoidismo

O hipotireoidismo ocorre quando a tireoide produz uma quantidade insuficiente de hormônios T3 e T4. Essa deficiência hormonal desacelera o metabolismo e provoca uma série de sintomas que costumam surgir de forma lenta e gradual.

Entre os sinais mais comuns estão o cansaço excessivo, ganho de peso inexplicável, pele seca, cabelo quebradiço e queda capilar.

Também podem ocorrer dificuldades de concentração, raciocínio mais lento e sensação constante de frio, mesmo em ambientes aquecidos.

O hipotireoidismo pode ter diversas causas, sendo a mais comum a tireoidite de Hashimoto, uma doença autoimune que ataca as células da tireoide e compromete sua função.

Outras causas incluem deficiência de iodo, efeitos colaterais de medicamentos e, em alguns casos, tratamentos para hipertireoidismo que resultam na redução excessiva da atividade da glândula.

 

Hipertireoidismo

O hipertireoidismo é caracterizado pela produção excessiva de hormônios tireoidianos. Essa condição acelera o metabolismo, fazendo com que o corpo funcione de forma mais intensa do que o normal.

Os sintomas mais comuns incluem perda de peso repentina, sudorese excessiva, nervosismo, insônia e sensação de calor constante. Em alguns casos, os olhos podem se tornar mais proeminentes (uma condição conhecida como exoftalmia) especialmente quando o hipertireoidismo é causado pela doença de Graves, outra condição autoimune.

O hipertireoidismo pode levar a complicações graves se não for tratado, incluindo problemas cardíacos e osteoporose. Por isso, o diagnóstico precoce e o controle adequado dos níveis hormonais são fundamentais para evitar esses desdobramentos.

 

Bócio

O bócio é o aumento anormal do volume da tireoide, que pode ocorrer tanto em casos de hipotireoidismo quanto de hipertireoidismo.

Em alguns casos, ele não provoca sintomas além do inchaço visível na região do pescoço. Porém… Se o bócio crescer excessivamente, pode causar dificuldade para engolir, rouquidão ou até sensação de pressão na garganta.

Essa condição pode estar relacionada à deficiência de iodo, embora também possa ocorrer como resultado de doenças autoimunes ou presença de nódulos.

 

Nódulos

Os nódulos tireoidianos são formações sólidas ou cheias de líquido que surgem no interior da glândula. Eles são bastante comuns e, na maioria dos casos, não apresentam risco significativo.

Embora muitos nódulos sejam benignos e não provoquem sintomas, alguns podem crescer e causar desconforto na região do pescoço, rouquidão ou dificuldade para engolir.

Em casos mais raros, os nódulos podem estar associados a câncer de tireoide, sendo necessária uma avaliação detalhada para determinar sua natureza.

O diagnóstico geralmente é feito por meio de ultrassonografia e, quando necessário, pela punção aspirativa com agulha fina (PAAF), um procedimento simples que coleta amostras do tecido para análise laboratorial.

 

Câncer

O câncer de tireoide é relativamente raro quando comparado a outros tipos de câncer. Ele pode se manifestar como um nódulo endurecido e indolor na região do pescoço, que muitas vezes é detectado apenas durante exames de rotina.

Existem diferentes tipos de câncer tireoidiano, sendo os mais comuns o carcinoma papilífero e o carcinoma folicular. Já os tipos mais agressivos, como o carcinoma anaplásico, exigem tratamento rápido e especializado.

O tratamento geralmente envolve cirurgia para remoção parcial ou total da tireoide, podendo ser combinado com terapia com iodo radioativo e medicamentos para controlar os níveis hormonais após o procedimento.

 

Quais são os sintomas mais comuns?

Como essa glândula controla o metabolismo e influencia diversos sistemas do corpo, os sinais podem surgir de forma lenta e serem facilmente confundidos com outras condições de saúde.

Entre os sintomas mais comuns estão alterações no peso, cansaço excessivo, mudanças de humor e problemas na pele ou nos cabelos. No entanto, cada condição tireoidiana tem características próprias, o que pode ajudar a diferenciá-las.

Além disso, os sintomas podem variar conforme a idade e o sexo do paciente. Crianças e adolescentes, por exemplo, podem apresentar dificuldades de crescimento e até mesmo problemas escolares, enquanto idosos podem sentir apenas uma leve sensação de cansaço ou desânimo.

 

Como identificar o hipotireoidismo?

O hipotireoidismo, que desacelera o metabolismo, costuma apresentar sintomas que afetam tanto o corpo quanto o estado emocional.

Os principais sinais incluem:

  • Cansaço extremo e sensação de fraqueza;
  • Ganho de peso inexplicável;
  • Pele seca, áspera e fria;
  • Queda de cabelo ou fios mais finos e frágeis;
  • Constipação intestinal persistente;
  • Dificuldades de concentração e lapsos de memória;
  • Sensação constante de frio, mesmo em ambientes quentes;
  • Inchaço no rosto, especialmente ao redor dos olhos;
  • Rouquidão e voz mais grave;
  • Desânimo, tristeza e, em alguns casos, sintomas depressivos;
  • Menstruações irregulares e fluxo menstrual mais intenso;
  • Crescimento lento e dificuldades escolares (em crianças e adolescentes).

 

Como identificar o hipertireoidismo?

No caso do hipertireoidismo, que acelera o metabolismo, os sintomas são mais voltados para a hiperatividade do organismo.

Entre os principais sinais estão:

  • Perda de peso rápida e involuntária;
  • Sudorese excessiva e sensação de calor constante;
  • Tremores nas mãos e agitação;
  • Coração acelerado (taquicardia) e palpitações;
  • Irritabilidade, ansiedade ou nervosismo excessivo;
  • Insônia e dificuldade para relaxar;
  • Fraqueza muscular e cansaço ao realizar atividades simples;
  • Olhos saltados ou sensação de pressão ocular (especialmente na doença de Graves);
  • Alterações no ciclo menstrual, com fluxo reduzido ou ausência de menstruação.

 

Quando os sinais são um alerta?

Alguns sinais merecem atenção especial, pois indicam que algo pode de fato estar errado com a tireoide e exigem avaliação médica imediata.

Estes são os principais sinais de alerta:

  • Inchaço ou nódulo perceptível na região do pescoço;
  • Rouquidão persistente ou voz alterada sem explicação aparente;
  • Dificuldade para engolir ou sensação de pressão na garganta;
  • Perda ou ganho de peso repentino e sem causa aparente;
  • Cansaço extremo que não melhora com descanso;
  • Batimentos cardíacos acelerados ou irregulares;
  • Alterações bruscas no humor ou sintomas de depressão e ansiedade sem motivo claro;
  • Queda de cabelo intensa e prolongada;

Se esses sinais forem acompanhados de outros sintomas característicos, é essencial buscar avaliação médica para realizar exames específicos e iniciar o tratamento adequado. Quanto mais cedo essas condições forem identificadas, maior será a chance de controle e recuperação da saúde tireoidiana.

 

Médica realizando palpação da glândula para identificar anomalias.

 

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico de distúrbios na tireoide envolve uma combinação de avaliação clínica, histórico médico detalhado e exames laboratoriais e de imagem.

Como vimos aqui, os sintomas tireoidianos costumam ser amplos e variados, logo, os médicos precisam analisar cuidadosamente cada detalhe para chegar a uma conclusão precisa.

Durante a consulta inicial, o médico geralmente faz perguntas sobre sintomas como cansaço, alterações de peso, problemas de humor e histórico familiar de doenças na tireoide.

A palpação da glândula, feita com o toque na região do pescoço, é uma etapa fundamental, pois permite identificar possíveis aumentos de volume, nódulos ou outras alterações físicas que possam indicar a necessidade de exames mais detalhados.

Também é importante observar sintomas visíveis como inchaço na base do pescoço, mudanças na textura da pele ou nos cabelos e sinais oculares. Esses detalhes ajudam o médico a decidir quais exames devem ser solicitados para confirmar ou descartar problemas na tireoide.

 

Quais exames avaliam a tireoide?

Os exames de sangue são as principais ferramentas para ver se está tudo ok com o funcionamento da glândula.

O mais comum é a dosagem do TSH (hormônio estimulante da tireoide), que indica se a glândula está funcionando adequadamente. Quando os níveis de TSH estão elevados, isso geralmente sugere hipotireoidismo; já níveis muito baixos costumam indicar hipertireoidismo.

Em alguns casos, o médico pode solicitar a dosagem de anticorpos específicos, como o anti-TPO (antiperoxidase tireoidiana) e o anti-Tg (antitireoglobulina).

Esses exames são fundamentais para diagnosticar doenças autoimunes da tireoide, como a tireoidite de Hashimoto e a doença de Graves.

 

Faixas de referência para exames da tireoide

Embora pequenas variações possam ocorrer entre laboratórios, há padrões amplamente aceitos que ajudam a identificar alterações nos exames.

O TSH normal varia entre 0,4 e 4,0 µUI/mL. Valores acima indicam tendência ao hipotireoidismo, enquanto níveis abaixo podem apontar para hipertireoidismo.

O T4 Livre normal fica na faixa de 0,8 a 1,8 ng/dL. Se estiver abaixo desse intervalo, pode sugerir hipotireoidismo; se estiver acima, pode indicar hipertireoidismo.

O Anti-TPO normal fica entre 35 a 50 UI/mL, dependendo do laboratório. Níveis elevados não significam necessariamente uma doença ativa, mas podem indicar uma predisposição a condições autoimunes.

Todos esses valores são uma referência geral e devem sempre ser analisados junto com os sintomas e o histórico médico do paciente para uma avaliação precisa.

 

Quando exames de imagem são recomendados?

Além dos exames de sangue, os exames de imagem também são importantes.

A ultrassonografia é o método mais utilizado por ser um procedimento não invasivo, seguro e altamente eficaz para visualizar o tamanho da glândula, identificar nódulos e avaliar se há sinais de inflamação ou cistos.

Em situações em que há suspeita de nódulos malignos, pode ser indicada a punção aspirativa por agulha fina (PAAF). Esse exame consiste na coleta de uma pequena amostra de tecido ou líquido do nódulo para análise laboratorial, sendo uma técnica precisa e eficaz na detecção do câncer de tireoide.

A cintilografia da tireoide, que utiliza uma pequena quantidade de material radioativo para avaliar o funcionamento da glândula, pode identificar áreas que produzem hormônios de forma excessiva ou insuficiente. Esse procedimento é especialmente indicado em casos de hipertireoidismo ou quando há suspeita de nódulos que produzem hormônios de forma independente.

Em casos mais específicos, exames como a tomografia computadorizada e a ressonância magnética podem ser solicitados para avaliar estruturas mais profundas do pescoço ou investigar tumores mais agressivos.

 

Quais são os tratamentos para os problemas associados?

O tratamento varia conforme o tipo e a gravidade da condição diagnosticada. Vamos avaliar cada um deles mais a frente. A todo caso, o objetivo principal é restaurar o equilíbrio hormonal e aliviar os sintomas, garantindo que o organismo volte a funcionar adequadamente.

Em alguns casos, o tratamento é simples e envolve apenas o uso de medicamentos; em outros, pode ser necessária intervenção cirúrgica ou terapia mais específica.

No caso do hipotireoidismo, o tratamento costuma ser direto e eficaz, baseado na reposição hormonal. Já para o hipertireoidismo, as abordagens são mais variadas, podendo incluir desde medicamentos até procedimentos que reduzem a atividade excessiva da glândula.

Em condições como nódulos ou câncer de tireoide, o tratamento pode envolver cirurgias e, em alguns casos, terapia com iodo radioativo.

Independentemente da condição, o acompanhamento médico é essencial. Ajustes na dosagem de medicamentos, monitoramento frequente dos níveis hormonais e a atenção aos sintomas garantem que a abordagem escolhida seja realmente eficaz e segura para o paciente.

 

Medicamentos para o hipotireoidismo

O tratamento do hipotireoidismo é baseado na reposição do hormônio T4, utilizando medicamentos como a levotiroxina sódica. Essa substância é uma versão sintética do hormônio T4 e age de forma idêntica ao hormônio natural produzido pela tireoide.

A levotiroxina é administrada por via oral e deve ser tomada em jejum, geralmente pela manhã, para garantir uma absorção adequada. A dosagem varia conforme as necessidades individuais, sendo ajustada pelo médico com base nos resultados dos exames de TSH e T4 livre.

Esse tipo de tratamento é, na maioria dos casos, contínuo e deve ser mantido ao longo da vida. Quando bem controlado, permite que o paciente leve uma rotina normal, sem limitações significativas. No entanto, o uso inadequado da levotiroxina (seja por dosagens incorretas ou interrupção do tratamento) pode provocar o retorno dos sintomas ou até mesmo complicações mais graves.

 

Medicamentos para o hipertireoidismo

No caso do hipertireoidismo, o tratamento medicamentoso visa reduzir a produção excessiva de hormônios tireoidianos. As drogas mais utilizadas são o metimazol e o propiltiouracil (PTU), ambos conhecidos como medicamentos antitireoidianos.

Esses remédios atuam diretamente na glândula, inibindo a produção hormonal e ajudando a estabilizar os níveis de T3 e T4. O metimazol é geralmente a primeira escolha por ser mais eficaz e apresentar menos efeitos colaterais, enquanto o PTU é preferido em situações específicas, como durante a gravidez.

O controle do hipertireoidismo pode exigir meses de tratamento contínuo, com ajustes na dosagem conforme os níveis hormonais se estabilizam. Em alguns casos, especialmente quando o hipertireoidismo é resistente aos medicamentos ou apresenta recidivas frequentes, o médico pode recomendar alternativas como a terapia com iodo radioativo ou a cirurgia.

 

Cirurgia e iodo radioativo

A cirurgia para remover parte ou toda a glândula tireoidiana é indicada quando há suspeita de câncer, presença de nódulos volumosos que causam compressão na garganta ou quando outras formas de tratamento não foram eficazes. Após a cirurgia, é comum que o paciente precise iniciar a reposição hormonal para suprir a ausência da glândula.

Já a terapia com iodo radioativo é um tratamento bastante eficaz para casos de hipertireoidismo persistente ou doença de Graves. Essa técnica utiliza uma dose controlada de iodo radioativo, que é absorvido pela tireoide e provoca a destruição parcial ou total do tecido tireoidiano hiperativo.

 

Tratamento para nódulos e câncer

O tratamento para nódulos tireoidianos depende do tamanho e da natureza dessas formações. Nódulos benignos que não causam sintomas geralmente são apenas monitorados, enquanto aqueles que afetam a função da tireoide ou apresentam potencial maligno podem exigir cirurgia.

No caso do câncer de tireoide, a remoção cirúrgica da glândula é o tratamento principal, podendo ser complementada pela terapia com iodo radioativo para eliminar eventuais células cancerígenas remanescentes.

Dependendo do tipo e do estágio do câncer, o médico pode ainda recomendar a administração de medicamentos supressores de TSH para reduzir as chances de recidiva.

Em todos os casos, o sucesso do tratamento está diretamente relacionado ao diagnóstico precoce e ao acompanhamento médico adequado.

 

Como prevenir complicações com a tireoide?

A prevenção das doenças da tireoide passa diretamente pelo seu prato.

Consumir alimentos ricos em iodo, selênio e zinco é fundamental para o equilíbrio hormonal. O iodo, por exemplo, está presente em alimentos como algas marinhas, frutos do mar e sal iodado.

Já o selênio pode ser encontrado em castanhas, carnes magras e ovos, e é essencial para a conversão adequada dos hormônios tireoidianos.

Contudo, nem só de nutrientes vive a saúde da tireoide.

Você também precisa ficar atento ao que deve ser evitado. O consumo excessivo de soja, vegetais crucíferos (como couve, brócolis e repolho, especialmente crus) e alimentos ultraprocessados pode interferir no funcionamento da glândula, atrapalhando a absorção de iodo.

Não é para cortar radicalmente, mas vale moderar o consumo e diversificar o cardápio. Aliás, uma dica simples e eficiente: varie sempre seu prato. Dietas restritivas (dessas da moda que prometem emagrecer em pouco tempo) podem bagunçar bastante o equilíbrio hormonal.

Opte sempre por refeições equilibradas, incluindo proteínas magras, vegetais, gorduras boas (como as encontradas no azeite, abacate e peixes) e carboidratos integrais.

 

Estresse e estilo de vida, eles não ficam de lado!

Sim, a gestão do estresse também irá prevenir doenças tireoidianas…

Quando estamos constantemente sob tensão, nosso corpo produz mais cortisol, o hormônio do estresse, que, em excesso, pode prejudicar o funcionamento da tireoide.

Então, sabe aquele ritmo acelerado da vida moderna? Talvez seja hora de diminuir a velocidade.

Aposte em atividades que ajudem a controlar o estresse, como yoga, meditação ou simplesmente uma caminhada diária.

Essas práticas ajudam não só a aliviar a tensão, mas também a regular o metabolismo e a produção hormonal. Às vezes, uma pausa, mesmo que breve, faz mais pela sua tireoide do que você imagina.

Além de tudo isso, cuidar da qualidade do sono também é fundamental. Dormir mal desregula o corpo inteiro, e com a tireoide não é diferente.

Crie uma rotina, evite telas antes de dormir e busque um ambiente tranquilo para repousar. Não custa lembrar que o corpo precisa desse tempo para se recuperar e ajustar suas funções hormonais corretamente.