A dengue é uma doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Os sintomas variam desde febre e dor de cabeça até formas graves, como a dengue hemorrágica. O controle do vetor e a prevenção são fundamentais para combater a doença.

No Brasil, a dengue representa um desafio de saúde pública, com surtos frequentes e uma alta taxa de incidência. A falta de uma vacina eficaz para todos os sorotipos do vírus e a resistência do mosquito aos inseticidas dificultam o controle da doença.

Este artigo visa revisar aspectos importantes da doença e fornecer informações úteis e precisas. Espero que este conteúdo contribua para a conscientização e prevenção da dengue.

 

Etiologia

A dengue é causada pelo vírus da dengue, um arbovírus da família Flaviviridae. Existem quatro sorotipos distintos do vírus, denominados DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. A infecção por um sorotipo confere imunidade vitalícia contra esse sorotipo específico, mas não protege contra os outros.

A transmissão do vírus ocorre principalmente através da picada de mosquitos infectados do gênero Aedes, principalmente o Aedes aegypti. O mosquito se torna infectado ao picar uma pessoa já infectada com o vírus e, após um período de incubação, o inseto pode transmitir o vírus para indivíduos saudáveis.

Além da transmissão por este vetor, também existe a possibilidade da dengue ser transmitida por transfusão de sangue e transplante de órgãos de doadores infectados. A transmissão vertical, da mãe para o feto durante a gravidez, também é possível, mas menos comum.

 

Genética do vírus

O vírus da dengue possui um genoma de RNA de fita simples positiva, que codifica três proteínas estruturais e sete proteínas não estruturais. As proteínas estruturais incluem a proteína do envelope (E), a proteína de membrana (M) e a proteína do capsídeo (C). As proteínas não estruturais desempenham funções essenciais na replicação do vírus e na modulação da resposta imune do hospedeiro.

As mutações genéticas no vírus da dengue podem levar à emergência de novas variantes virais, que podem ter diferentes características de virulência e transmissibilidade, e capacidade de escapar da resposta imune. A diversidade genética do vírus da dengue é um dos fatores que contribuem para a complexidade do controle e do manejo da doença.

 

analise de sangue com sintomas da dengue

 

Mecanismos de transmissão do vírus

A transmissão do vírus da dengue ocorre principalmente através da picada de mosquitos Aedes infectados. Quando um mosquito pica uma pessoa infectada, ele ingere o vírus com o sangue. Após um período de incubação no mosquito, que dura de 8 a 12 dias, o vírus se multiplica e se espalha para as glândulas salivares do inseto, tornando-o capaz de transmitir o agente para outras pessoas.

A transmissão vertical, de mãe para filho durante a gravidez ou o parto, é possível, mas rara. Casos de transmissão por transfusão de sangue e transplante de órgãos também foram relatados. No entanto, a maior parte da transmissão ocorre através da picada de mosquitos infectados.

A prevenção dessa transmissão, portanto, depende do controle do vetor e da redução do contato entre mosquitos e seres humanos. Isso inclui medidas como o uso de repelentes, roupas que cobrem a maior parte do corpo, instalação de telas em janelas e portas, e eliminação de locais de reprodução dos mosquitos.

 

Sorotipos da dengue

Existem quatro sorotipos do vírus da dengue, conhecidos como DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. Embora todos causem a mesma doença, os quatro são geneticamente distintos, provocando diferentes respostas imunológicas e sintomas variados. Por exemplo, o DENV-2 é frequentemente associado a casos graves de dengue, enquanto o DENV-4 é considerado menos virulento.

A infecção por um sorotipo confere imunidade vitalícia contra esse sorotipo específico, mas não protege contra os outros. Pelo contrário, a reinfecção por um sorotipo diferente pode aumentar o risco de desenvolver formas graves da doença.

Os sorotipos da dengue têm distribuições geográficas variáveis e podem coexistir em áreas endêmicas, sendo que essa circulação de múltiplos sorotipos aumenta o risco de surtos e a complexidade do controle da doença, por isso o monitoramento da circulação dos sorotipos é essencial para a vigilância epidemiológica e o planejamento de intervenções de saúde pública.

 

Ciclo de vida do Aedes aegypti

O Aedes aegypti, principal vetor da dengue, tem um ciclo de vida que pode variar de 8 a 10 dias, dependendo das condições ambientais, como temperatura e umidade, e que se completa em quatro estágios: ovo, larva, pupa e adulto.

Os ovos são depositados em locais com água parada e podem sobreviver em condições secas por vários meses. As larvas se desenvolvem na água, alimentando-se de matéria orgânica, e depois se transformam em pupas, que não se alimentam e são o estágio antes da emergência do mosquito adulto, cuja vida pode durar de 2 a 4 semanas, dependendo das condições ambientais e da disponibilidade de alimento.

Além disso, eles têm hábitos diurnos e preferem picar durante o amanhecer e o entardecer. As fêmeas precisam de sangue para o desenvolvimento dos ovos, enquanto os machos se alimentam de néctar e outras fontes de açúcar. O ambiente urbano proporciona condições ideais para a proliferação do Aedes aegypti, devido à abundância de locais de reprodução e à proximidade com os seres humanos.

Dessa forma, o controle do Aedes aegypti envolve a eliminação de criadouros, uso de larvicidas e inseticidas, bem como medidas de proteção individual tais quais o uso de repelentes e de telas em janelas. A conscientização da população sobre a importância da prevenção é fundamental para reduzir a transmissão da dengue.

 

ciclo de vida da dengue

 

Mecanismos de defesa do corpo

O sistema imunológico humano possui diversas estratégias para combater a infecção pelo vírus da dengue. A resposta imune inata é a primeira linha de defesa, envolvendo células como macrófagos e células dendríticas, que reconhecem e eliminam o vírus. Essas células também liberam citocinas e interferons, que ajudam a controlar a infecção e a ativar a resposta imune adaptativa.

A resposta imune adaptativa é mais específica e inclui a produção de anticorpos pelos linfócitos B, que neutralizam o vírus e previnem a reinfecção pelo mesmo sorotipo. Os linfócitos T também desempenham um papel crucial, eliminando células infectadas e auxiliando na produção de anticorpos. A memória imunológica gerada após a infecção confere proteção a longo prazo contra o mesmo sorotipo do vírus.

Essa resposta imune é um processo complexo e, em alguns casos, a reinfecção por um sorotipo diferente do vírus pode levar à dengue grave, devido ao fenômeno da reação cruzada de anticorpos. Isso destaca a importância da vigilância e do desenvolvimento de vacinas que possam induzir uma resposta imune equilibrada e protetora contra todos os sorotipos do vírus.

 

Estratégias de evasão viral utilizadas pelo vírus

O vírus da dengue desenvolveu diversas estratégias para escapar das defesas imunológicas do hospedeiro. Uma delas é a variação antigênica, que permite ao vírus alterar sua superfície para evitar a detecção pelo sistema imunológico. Isso dificulta a produção de uma resposta imune eficaz contra todos os sorotipos do vírus.

Outra estratégia de evasão é a supressão da resposta imune. O vírus pode interferir na sinalização das células imunes, reduzindo a produção de moléculas importantes para a organização da defesa. Isso permite ao vírus se replicar e se disseminar no organismo antes que uma resposta imune efetiva seja estabelecida.

Além disso, existe uma teoria de que ele pode induzir a produção de anticorpos não neutralizantes ou subótimos, que não conseguem eliminar efetivamente o vírus, e podem até facilitar a entrada do vírus em células do sistema imunológico, um fenômeno conhecido como aumento dependente de anticorpos (ADE). Essa estratégia explicaria a severidade da doença em casos de reinfecção por sorotipos diferentes do vírus.

 

Manifestações clínicas

A dengue apresenta um espectro de manifestações clínicas, variando de sintomas leves a graves. A febre é o sintoma mais comum, geralmente acompanhada de prostração, cefaleia (dor de cabeça), dor retro-orbital, mialgia (dor muscular) e artralgia (dor nas articulações). O exantema maculopapular (manchas vermelhas) é outra característica frequente, podendo ocorrer em diferentes estágios da doença.

Entre o 3º e 7º dia de doença, a febre costuma diminuir, mas podem ocorrer sintomas relacionados ao extravasamento de plasma dos vasos sanguíneos e/ou hemorragias, tais como: náuseas e vômitos persistentes; dor abdominal intensa; sangramentos; derrame pleural, derrame pericárdico e ascite; hipotensão; letargia e irritabilidade; aumento do fígado (hepatomegalia). A detecção desses sinais e sintomas de alarme caracteriza a fase crítica da dor como, presente em alguns pacientes, e é crucial para o manejo adequado do caso uma vez que indica maior chance de evolução para um quadro mais grave.

 

Critérios de diagnóstico

O diagnóstico da dengue baseia-se principalmente em critérios clínicos e epidemiológicos. Clinicamente, a suspeita de dengue deve ser considerada em pacientes que apresentem febre acompanhada de pelo menos dois dos seguintes sintomas: dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dor muscular e articular, erupção cutânea ou sangramento. A história de viagem a áreas endêmicas ou a presença de surtos locais são aspectos epidemiológicos importantes para o diagnóstico.

Os exames laboratoriais para a  detecção do RNA viral (como o RT-PCR), a identificação de antígenos virais (como o NS1), e a detecção de anticorpos (IgM e IgG específicos) desempenham um papel auxiliar na confirmação da infecção pelo vírus da dengue.

Todavia, outros exames laboratoriais como hemograma completo, dosagem de albumina e transaminases, são essenciais em casos de dengue com os sinais de alarme que citamos anteriormente ou nos casos de dengue grave.

 

pessoa com manchas vermelhas por causa da dengue

 

Tratamento

O tratamento da dengue, em casos leves e em pacientes sem comorbidades, é principalmente de suporte e visa aliviar os sintomas e prevenir complicações.

Analgésicos como paracetamol ou dipirona são frequentemente recomendados para aliviar a febre e a dor. Não se deve tomar aspirina, ibuprofeno ou outros anti-inflamatórios não esteroides, pois podem aumentar o risco de sangramento. Também é recomendável evitar o uso de corticosteroides sem orientação médica.

A hidratação é um aspecto crucial do tratamento, podendo ser feita oralmente ou por via intravenosa, dependendo da gravidade do caso.

Em casos de dengue grave, o tratamento requer monitoramento contínuo em um ambiente hospitalar.

Em situações de sangramento ou trombocitopenia severa, podem ser necessárias transfusões de sangue ou plaquetas.

Não existe um tratamento antiviral específico para a dengue, sendo a prevenção de complicações e o monitoramento contínuo essenciais para o manejo da doença.

 

Hidratação

A hidratação é o aspecto principal no tratamento da dengue, visando previnir a desidratação. Para pacientes sem problemas de saúde que demandem uma restrição hídrica, recomenda-se a ingesta de 35 a 60 ml de água por quilo de peso no dia.  Evitar bebidas alcoólicas e cafeinadas, que podem causar desidratação.

 

Alimentação

Em caso de dengue, a alimentação deve ser leve e balanceada para ajudar no processo de recuperação. É recomendado o consumo de alimentos ricos em proteína e ferro, bem como  alimentos ricos em vitamina C, pois ajudam na absorção do ferro. Alimentos de fácil digestão, como sopas, caldos e purês, são recomendados, pois o sistema digestivo pode estar sensível durante a infecção. Evitar alimentos gordurosos, condimentados e industrializados é aconselhável.

 

Repouso

Além da alimentação e hidratação, o repouso é fundamental para a recuperação. O corpo precisa de energia para combater a infecção e se recuperar, portanto, é importante garantir um sono adequado e evitar esforços físicos excessivos.

 

Quanto tempo dura a dengue?

Os sintomas da dengue geralmente começam 4 a 10 dias após a picada do mosquito infectado. A febre é o sintoma inicial mais comum, seguida por dor de cabeça, dor nas articulações e erupção cutânea. A fase aguda da doença dura cerca de 2 a 7 dias. Após esse período, a maioria dos pacientes se recupera sem complicações. No entanto, alguns indivíduos podem desenvolver formas graves da doença, como a dengue hemorrágica ou a síndrome do choque da dengue, que requerem atenção médica imediata. O período de recuperação para esses casos pode ser mais prolongado.

 

Dengue Grave

A dengue grave, anteriormente conhecida como dengue hemorrágica, é uma forma grave da doença caracterizada por aumento da permeabilidade vascular, hipovolemia e disfunção orgânica. Esses pacientes apresentam sangramento grave, comprometimento grave de órgãos (como fígado, cérebro e coração), desconforto respiratório e/ou choque.

Os pacientes com dengue grave requerem atenção médica imediata e monitoramento contínuo, pois a condição pode progredir rapidamente falência de órgãos e morte. O manejo inclui a reposição de fluidos, o monitoramento dos sinais vitais e a prevenção de complicações hemorrágicas e infecciosas. A identificação precoce dos sinais de alarme, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramento, é fundamental.

 

Choque na dengue

O choque é um termo médico designado para uma condição de saúde grave que pode ocorrer como complicação de diversas doenças. Na dengue ocorrendo geralmente na fase crítica da doença.

O choque é caracterizado por uma queda abrupta da pressão arterial, levando à insuficiência circulatória e, se não tratado prontamente, ao colapso circulatório, falência de múltiplos órgãos pela falta de sangue, culminando em óbito quando não tratado.

 

Sangramentos na dengue

O sangramento é outra complicação importante da dengue, podendo manifestar-se de diversas formas, desde sangramentos da gengiva e de pele, como petéquias, até sangramentos mais graves, como hemorragias gastrointestinais. A trombocitopenia, uma redução no número de plaquetas, é um fator contribuinte para o risco de sangramento.

 

Estratégias de prevenção e controle

O controle do Aedes aegypti é fundamental para prevenir a transmissão da dengue. As estratégias de controle incluem a eliminação de criadouros do mosquito, como recipientes que acumulam água parada, e o uso de larvicidas para matar as larvas do mosquito em locais de difícil acesso.

O uso de inseticidas para o controle de mosquitos adultos é outra medida importante, especialmente em áreas com alta infestação ou durante surtos de dengue. A aplicação de inseticidas deve ser realizada de forma criteriosa, considerando a resistência do mosquito aos produtos químicos.

Ações educativas para a população são essenciais para conscientizar sobre a importância da prevenção e do controle do vetor. Medidas simples, como manter os recipientes de água fechados, descartar adequadamente o lixo e evitar acúmulo de água em pneus e vasos de plantas, são eficazes na redução dos criadouros do Aedes aegypti. A participação comunitária é peça chave para o sucesso dessas medidas.

 

iniciativa de prevenção contra a dengue

 

Estratégias de engenharia genética

O uso da engenharia genética representa uma abordagem inovadora para o controle do Aedes aegypti. Uma das delas envolve a liberação de mosquitos geneticamente modificados que carregam um gene letal. Quando esses mosquitos se reproduzem com os selvagens, a prole herda o gene letal e morre antes de atingir a idade adulta.

Outra técnica utiliza a modificação genética para tornar os mosquitos machos estéreis. Esses machos estéreis são liberados no ambiente para competir com os machos selvagens pelo acasalamento. Como resultado, a fertilização dos ovos é reduzida, levando a uma diminuição da população de mosquitos.

 

Dengue em crianças

O manejo da dengue na população pediátrica requer atenção especial, pois os sintomas podem ser mais sutis e a progressão para formas graves pode ocorrer rapidamente. É fundamental monitorar sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e letargia. A hidratação adequada é crucial, e a reposição de líquidos deve ser ajustada com base no peso e no estado clínico da criança.

Em casos suspeitos de dengue em recém-nascidos, especialmente aqueles cujas mães tiveram dengue durante a gravidez, é necessário um acompanhamento cuidadoso. A transmissão vertical do vírus da dengue pode ocorrer, e os recém-nascidos podem apresentar sintomas logo após o nascimento.

 

Dengue na gravidez

A dengue durante a gravidez representa um risco tanto para a mãe quanto para o feto. A infecção pode levar a complicações obstétricas, como parto prematuro e baixo peso ao nascer. O monitoramento cuidadoso da gestante com suspeita de dengue é essencial para a detecção precoce de sinais de alarme e complicações.

O manejo da dengue na gestação requer uma abordagem multidisciplinar, envolvendo obstetras, infectologistas e pediatras. A hidratação e o suporte clínico devem ser adaptados às necessidades da gestante e do feto. Em casos graves, o parto pode ser antecipado para reduzir os riscos para o feto.

 

Dengue, Zika e Chikungunya

A co-infecção com outros arbovírus, como chikungunya, zika e febre amarela, representa um desafio diagnóstico e terapêutico.

São doenças transmitidas por mosquitos com sintomas semelhantes, mas com algumas diferenças importantes. A dengue pode causar febre alta, dor de cabeça, dor nas articulações e erupção cutânea. Em casos graves, pode levar a sangramento e choque. O Zika é geralmente mais leve, com sintomas como febre baixa, erupção cutânea e conjuntivite. No entanto, pode causar complicações graves, como microcefalia em recém-nascidos. A Chikungunya se destaca pela dor articular intensa e prolongada.

O diagnóstico diferencial é importante para o manejo adequado. Testes laboratoriais podem ser necessários para confirmar a infecção e diferenciar entre os três vírus. O tratamento é principalmente de suporte, com foco no alívio dos sintomas.

A prevenção de todas as três doenças envolve o controle do vetor Aedes aegypti e medidas de proteção individual contra picadas de mosquito. A conscientização sobre os sintomas e a busca precoce por atendimento médico são essenciais para reduzir o impacto dessas doenças.

 

aplicação de vacina contra a dengue

 

Vacinação no Brasil

Em dezembro de 2023, o Brasil se tornou o primeiro país a incorporar a vacina contra a dengue, conhecida como Qdenga, no Sistema Único de Saúde (SUS). Essa decisão representa um avanço significativo na luta contra a dengue, uma doença que afeta milhões de pessoas no país. A vacinação será inicialmente direcionada a públicos e regiões prioritárias, devido à capacidade limitada de fornecimento de doses pelo laboratório fabricante.

A incorporação da vacina no SUS foi resultado de uma análise cuidadosa da relação custo-benefício e da necessidade de acesso a uma quantidade adequada de vacinas para a população brasileira. O Programa Nacional de Imunizações (PNI) trabalhará em conjunto com a Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização (CTAI) para definir a melhor estratégia de utilização das doses disponíveis.

A expectativa é que, com a introdução da vacina Qdenga no SUS, o Brasil possa avançar na prevenção da dengue, classificando-a como mais uma doença imunoprevenível. A vacinação é vista como uma ferramenta importante entre as várias frentes adotadas pelo país para combater a dengue.

 

Pesquisas no mundo

A incidência global da dengue quase dobrou nas últimas três décadas, com cerca de metade da população mundial agora vivendo em áreas propícias para a transmissão da dengue​​.

Além das vacinas, os pesquisadores estão buscando várias abordagens para tratar a infecção por dengue. Alguns cientistas estão trabalhando para identificar proteínas celulares e virais para usar como alvos para intervenção medicamentosa. Outros estudos estão focados na geração e avaliação de anticorpos monoclonais neutralizantes e medicamentos de pequenas moléculas. Esses esforços visam desenvolver terapias eficazes para a dengue, que atualmente carece de tratamento antiviral específico​​.

 

Conclusão

A dengue permanece como um desafio significativo para a saúde pública global, especialmente em regiões tropicais e subtropicais. Apesar dos avanços na prevenção e controle, como a introdução de vacinas e estratégias de combate ao vetor, a doença continua a se expandir em termos de incidência e distribuição geográfica. A necessidade de pesquisas contínuas e inovações em diagnóstico, tratamento e estratégias de prevenção é evidente para enfrentar essa ameaça crescente.

O desenvolvimento e a incorporação de vacinas, como a Qdenga no SUS, representam passos importantes na luta contra a dengue. No entanto, a limitação no fornecimento de doses e a necessidade de estratégias de vacinação direcionadas destacam a importância de abordagens complementares, incluindo o controle eficaz do vetor e a educação da população sobre medidas de prevenção.

Enfrentar a dengue requer um esforço colaborativo entre governos, comunidades científicas, profissionais de saúde e a população em geral. A adoção de uma abordagem integrada, que combine vacinação, controle vetorial, vigilância epidemiológica e educação em saúde, é essencial para reduzir o impacto da doença e proteger as populações vulneráveis.