A densitometria óssea é um exame simples, rápido e não invasivo, semelhante ao raio X, que avalia a “estrutura” óssea. Usa uma pequena quantidade de radiação ionizante para produzir imagens do corpo e medir a densidade mineral óssea com rapidez e precisão. Normalmente, é recomendado para diagnosticar osteopenia e osteoporose, e por conseguinte presumir pacientes com maiores riscos de fraturas.

A osteoporose é uma doença sistêmica e comum que atinge milhares de pessoas, principalmente idosos. A doença não apenas aumenta a chance de fraturas devido a fragilidade óssea, mas também pode vir associada a outras condições, como por exemplo a doenças hematológicas, doenças endócrinas, do tecido conjuntivo, dentre outras.

Por sua vez, a densitometria óssea é um exame que pode diagnosticar a osteoporose antes que uma fratura ocorra. Além disso, ela tornou-se uma importante ferramenta para os médicos no combate a outras doenças causadas pela diminuição da densidade óssea.

Esses fatos tornam importante o conhecimento sobre essa técnica. Abordaremos neste conteúdo os seguintes tópicos:

 

1. Quando a Densitometria Óssea é recomendada?


mulher com dor na coluna

Qualquer condição que envolva a perda gradual e / ou mudança estrutural da densidade mineral óssea pode tornar os ossos mais frágeis, portanto, com maior probabilidade de fraturas. Nesse contexto, a densitometria óssea é eficaz como uma ferramenta diagnóstica e na avaliação de resposta ao tratamento, podendo ser usada em ambas as situações.

Idade, peso corporal, histórico de fraturas anteriores, histórico familiar de fraturas osteoporóticas e condições relativas ao estilo de vida – tais como tabagismo e consumo excessivo de bebidas alcoólicas – são todas condições que podem levar a alteração da densidade mineral óssea.

O exame de densitometria óssea, portanto, pode ser recomendado se o paciente:

  • é uma mulher pós-menopausa que não faz uso de suplementos para estrogênio;
  • é uma mulher que tenha baixa estatura e menos de 56 quilos;
  • tem histórico pessoal ou familiar de osteoporose ou fratura de quadril;
  • é um homem com condições clínicas associadas à perda óssea, tais como artrite reumatóide, doença renal crônica ou hepática;
  • usa medicamentos à base de corticóide, anticonvulsivos, barbitúricos ou medicamentos de reposição da tireóide em altas doses;
  • tem diabetes tipo 1, doença hepática ou doença renal;
  • tem problema de tireóide ou paratireóide;
  • já sofreu uma fratura após um trauma leve;
  • é idoso e tem fortes dores nas costas;
  • teve evidência de rarefação óssea em radiografia simples.

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2. Como funciona o exame de densitometria óssea?


exame de densitometria ossea

O exame de densitometria óssea não sugere uma mudança brusca de rotina diária. Entretanto, o uso de suplementos ou medicamentos com cálcio deve ser suspenso um dia antes de realizar o exame. A densitometria óssea não é recomendada para mulheres grávidas ou com suspeita de gravidez.

É recomendado que o paciente não leve objetos de valor no dia da densitometria óssea, visto que é solicitado ao mesmo vestir uma roupa especial para o exame. Além disso, aconselhamos quanto ao não uso de acessórios, pois qualquer objeto ou acessório de metal que possa interferir nas imagens do raio X serão solicitados à remoção.

No aparelho de densitometria óssea, o paciente deita-se de costas, em uma mesa acolchoada e em uma posição confortável. A coluna lombar e o quadril são os pontos normalmente examinados pelo escaneamento.

Após o exame, as imagens são encaminhadas e avaliadas por médicos radiologistas especialistas que irão laudar os resultados, de forma presencial ou remota (entenda como funciona a telerradiologia). O paciente pode retomar as atividades habituais imediatamente.

Centros de Diagnóstico que contam com a telerradiologia podem disponibilizar os resultados em até 24h ou, em casos de urgência, menos de 1 hora. Os resultados do laudo são discutidos entre o médico solicitante e o paciente.

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3. O que o aparelho de densitometria óssea faz?


aparelho de densitometria ossea

O aparelho de densitometria óssea emite um feixe fino e invisível de raios X com baixa dose de radiação com dois diferentes níveis de energia através dos segmentos do corpo que serão examinados. Um nível de energia é absorvido pelo tecido de partes moles, e o outro pelo osso. A quantidade de tecido de partes moles pode ser subtraída do total, e o que resta é a densidade mineral óssea do paciente.

O aparelho de densitometria óssea possui um software especial que  pode calcular automaticamente essas medições de densidade óssea e exibi-las em um monitor.

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4. Como o exame de densitometria óssea é interpretado?


O exame de densitometria óssea avalia, como resultado final, a “resistência” óssea. Por sua vez, a “resistência” óssea é o resultado da, qualidade do osso, ou seja, da densidade mineral óssea (DMO ou BMD, do inglês, bone mineral density).

Ainda não existe um método para medir com exata precisão a resistência óssea. Portanto, a DMO é usada como uma medida aproximada, visto que nela essa precisão se aproxima de 70%.

A DMO de um paciente é comparada com as de outros pacientes através de duas notas: T-score e Z-score. São usados desvios padrões numéricos positivos e negativos. No geral, quando a pontuação do paciente está um DP abaixo do normal, aumenta o risco de fratura. Por exemplo, um paciente com T-Score -1 DP, têm maior risco de fratura do que um paciente com T-Score 0 DP.

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5. T-Score e Z-Score: o que é e quais as diferenças?


A OMS define a osteoporose com base nessas pontuações, como mostramos na tabela a seguir.

tabela t-score z-score osteoporose

O T-Score é a “nota” da densidade óssea do paciente comparada a adultos jovens do mesmo sexo e etnia. O Z-Score é a “nota” da densidade óssea do paciente comparado com as pessoas da mesma faixa etária, sexo e etnia.

Para crianças, mulheres pré-menopáusicas com menos de 40 anos e homens com menos de 51 anos, o Z-Score deve ser usado. Para mulheres com ou mais de 40 anos e/ou pós-menopáusicas, e homens com ou mais de 51 anos, o T-Score deve ser utilizado.

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6. Tipos de exames de densitometria óssea


DXA Central

DXA é a sigla para absorciometria de dupla energia, do inglês Dual-energy X-ray absorptiometry. Para diagnosticar a osteoporose, o exame deve avaliar a densidade mineral óssea do quadril e da coluna vertebral utilizando um aparelho de densitometria óssea DXA. Além disso, a densidade óssea do quadril e da coluna pode prever a possibilidade de futuras fraturas de outros ossos.

Em casos muito específicos, quando não é possível avaliar a densidade óssea do quadril ou da coluna vertebral, o protocolo é a avaliação da densidade óssea do rádio (osso do antebraço).

 

Testes de triagem (pDXA, QCT, pQCT e QUS)

Chamados de testes de triagem ou testes periféricos, esses testes medem a densidade óssea no braço inferior, pulso, dedo ou calcanhar. São utilizados quando um DXA central não está disponível e podem ajudar somente para identificar os pacientes com maior probabilidade de osteoporose. Isto é, esses testes não são usados para diagnosticar a osteoporose.

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7. O que é Osteoporose?


osso com osteoporose

A osteoporose é uma doença que tem como resultado a redução da densidade óssea. Assim, os ossos estão mais frágeis e podem quebrar com mais facilidade.

É uma doença comum, pois muitas mudanças metabólicas ocorrem ao longo da vida, inclusive nos ossos. O metabolismo humano é regulado por vários hormônios, exercícios físicos, dieta equilibrada, hábitos saudáveis e vitamina D. Ou seja, todos esses fatores influenciam na “saúde” dos ossos.

Em circunstâncias normais, uma pessoa atinge a massa óssea máxima (chamada de pico de massa óssea) entre 30 e 35 anos. Desde então, o osso passa a enfraquecer naturalmente.

A osteoporose pode ter muitas causas, como alcoolismo, doenças inflamatórias, reumatológicas, endócrinas, hepáticas, renais, dentre outras.  Atinge mais as mulheres, que geralmente têm um menor pico de massa óssea, quando comparadas aos homens. A menopausa, por exemplo, é um fator que acelera a perda óssea.

Embora seja uma doença silenciosa, os reumatologistas têm uma ampla gama de ferramentas para diagnosticá-la precocemente e iniciar o tratamento para prevenir a perda óssea.

No mais, alguns hábitos podem ajudar a melhorar a “qualidade” da estrutura óssea, tais como: ter uma dieta rica em cálcio, praticar exercícios físicos, não beber álcool em excesso e não fumar.

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8. Diferença entre osteopenia e osteoporose


o que é osteoporose

Quando o paciente é diagnosticado com baixa densidade óssea (osteopenia, ou T-Score entre -1 a -2,5 DP) não significa que ele terá osteoporose. A osteopenia é a diminuição da densidade óssea, processo normal dentro do envelhecimento do organismo, não sendo uma doença como a osteoporose. Entretanto, pacientes dentro dessa pontuação (osteopenia) devem considerar o uso de medicamentos para osteoporose quando houver certos fatores de risco.

Para finalizar, a densitometria óssea é uma importante ferramenta de auxílio para ajudar o médico a conduzir seu paciente no que diz respeito à saúde da estrutura óssea, atuando sobretudo na prevenção de fraturas.

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Referências


  • Silva, L. K. (2003). Avaliação tecnológica em saúde: densitometria óssea e terapêuticas alternativas na osteoporose pós-menopausa. Cadernos de Saúde Pública, 19, 987-1003.
  • Sampaio Netto, O., Coutinho, L. D. O. L., & Souza, D. C. D. (2007). Análise da nova classificação de laudos de densitometria óssea. Radiologia Brasileira, 40(1), 23-25.
  • de Andrade, S. A. F. (2016). A importância do exame de densitometria óssea. UNILUS Ensino e Pesquisa, 13(30), 11-17.
  • Dimai, H. P. (2017). Use of dual-energy X-ray absorptiometry (DXA) for diagnosis and fracture risk assessment; WHO-criteria, T-and Z-score, and reference databases. Bone104, 39-43.
  • Licata, A. A. (2006). Diagnosing primary osteoporosis: it’s more than a T score. Cleveland Clinic journal of medicine73(5), 473-476.
  • Carey, J. J., & Delaney, M. F. (2010). T-scores and Z-scores. Clinical reviews in bone and mineral metabolism8(3), 113-121.

 


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