A radiologia é uma especialidade da medicina que pode diagnosticar doenças através da interpretação de imagens dos órgãos do corpo.

São vários os profissionais que atuam nesta área. Os radiologistas são os médicos especializados que auxiliam na execução dos exames e interpretam as imagens formadas. Os técnicos em radiologia são os profissionais que executam exames de tomografia e raio x, por exemplo.

A partir das imagens, o radiologista pode laudar o exame, presencialmente ou à distância (através da telerradiologia), gerando um relatório de referência clínica a médicos cirurgiões, pediatras, obstetras, internistas ou para cuidados clínicos.

A radiologia é uma especialidade vital para todos os setores da saúde e essencial para o diagnóstico de muitas doenças. É parte importante dos rápidos avanços tecnológicos para diagnóstico e tratamento de doenças e lesões. Tendo inúmeros benefícios na medicina. Exemplos:

  • pode determinar a necessidade de uma cirurgia exploradora ou comum;
  • em comparação com uma cirurgia aberta ou com uma laparoscopia, envolve menos riscos para o paciente, menos tempo para execução dos procedimentos e para recuperação;
  • é utilizada para orientar visualmente o tratamento de condições como doenças cardíacas e acidentes vasculares cerebrais;
  • pode rastrear doenças como o câncer de mama, com detecção precoce e redução da taxa de mortalidade.

 

Índice:

  1. Subdivisões da Radiologia
  2. Exames de Radiologia Diagnóstica
  3. Procedimentos de Radiologia Intervencionista
  4. A Radiologia é segura?
  5. Sobre os riscos da Radiologia
  6. O avanço da Radiologia com a Telemedicina

 

1. Subdivisões da Radiologia


tecnica de radiologia

A radiologia pode ser dividida em três subáreas: radiologia diagnóstica, radiologia intervencionista e radioterapia.

A radiologia diagnóstica auxilia no diagnóstico de doenças através de imagens geradas das estruturas do corpo humano.

A radiologia intervencionista utiliza as imagens dos exames da radiologia diagnóstica para orientar procedimentos e intervenções cirúrgicas minimamente invasivas, dispensando, por vezes, procedimentos cirúrgicos abertos ou videocirurgia.

A radioterapia utiliza altas doses de radiação para tratamento do câncer, por exemplo, podendo eliminar células cancerígenas ou retardar seu crescimento.

 

2. Exames de Radiologia Diagnóstica


exame de radiologia diagnóstica

Os exames da radiologia revelam o que está acontecendo no corpo humano, podendo auxiliar na confirmação do diagnóstico que o médico solicitante esteja suspeitando.

Cada exame é único e possui suas próprias características. Portanto, o médico pode recomendar um ou mais dos exames para coletar os dados necessários para diagnóstico e tratamento.

 

Densitometria óssea

A densitometria óssea é um exame simples, rápido e não invasivo, semelhante ao raio X, que avalia a “estrutura” óssea. Usa uma pequena quantidade de radiação para produzir imagens do corpo e medir a densidade mineral óssea com rapidez e precisão. Normalmente, é recomendado para diagnosticar osteopenia e osteoporose, e ,por conseguinte, presumir pacientes com maiores riscos de fraturas.

Saiba mais no artigo: Densitometria Óssea: o que é, como interpretar e como funciona o exame?

 

Mamografia

A mamografia é um exame radiológico que demonstra, em parte, tênues diferenças da composição das mamas. O exame permite a detecção precoce do câncer de mama, por vezes mesmo quando ainda não palpável. É realizada com aparelho de alta resolução, que permite, dentre outros, a identificação de imagens tumorais e microcalcificações. Permite detectar lesões menores que 1 cm e na fase assintomática da doença, podendo prevenir, assim, metástases (disseminação da doença).

Saiba mais no artigo: Mamografia: Tudo Sobre o Exame e Como Funciona.

 

Medicina nuclear

A medicina nuclear utiliza pequenas quantidades de radioisótopos para examinar, especialmente, a função de órgãos e tecidos. Para fins diagnósticos, os radioisótopos mais comumente empregados na medicina nuclear são o tecnécio-99 (marcação de diversas moléculas carreadoras) e o iodo-131 (avaliação de doenças na tireoide e tratamento de câncer na tireoide), e com menor frequência o gálio-67 (atualmente mais utilizado para avaliação de possíveis focos infecciosos) e o tálio-201 (doenças cardíacas).

Saiba mais no artigo: Medicina Nuclear: O Que É, Como Funciona e o Cenário Atual.

 

Radiologia odontológica

A radiologia odontológica é a especialidade que examina os dentes e a face de uma pessoa através da radiologia tradicional. Para a Odontologia, é uma ferramenta essencial, importante para o planejamento e acompanhamento de doenças bucais. Seus exames podem ser subdivididos em radiologia intraoral e extraoral, ou seja, realizados por dentro e por fora da boca, respectivamente.

Saiba mais no artigo: Radiologia Odontológica: O que é, Avanços Tecnológicos e Aspectos Éticos e Legais.

 

Raios X (ou Radiografia)

A radiografia é um método de imagem utilizado para produzir imagens do corpo através dos raios x. É popularmente conhecida como “Raio X”, apesar de não ser o nome oficial do tipo de exame. Na verdade, os raios X são pequenas doses de radiação ionizante usadas para produzir as imagens de exames de radiografia, mamografia, densitometria e também de exames de tomografia computadorizada. A radiografia é o método mais antigo e mais aplicado para diagnóstico por imagem dentro da Medicina. Através dela, pode-se, por exemplo, diagnosticar ossos fraturados, tumores e corpos estranhos, dentre outras inúmeras aplicações.

Leia mais no artigo: Raio X: 08 Dúvidas Sobre o Recurso para Diagnóstico mais utilizado na Medicina

 

Ressonância magnética

Ressonância magnética é um método de diagnóstico por imagem com alta capacidade de diferenciar várias características dos tecidos biológicos. Em uma tomografia computadorizada, se um processo patológico não altera a característica de atenuação do tecido, por exemplo, em uma imagem por ressonância magnética sem contraste, a patologia pode, eventualmente, ser demonstrada. A aplicação da ressonância magnética se estende a todas as partes do corpo humano: crânio, região cervical, medula espinhal, tórax, coração, abdome, articulações e vasos sanguíneos.

Saiba mais no artigo: Ressonância Magnética: conceito, como funciona, tipos de exames e história

 

Tomografia computadorizada

Tomografia computadorizada é um procedimento não invasivo de diagnóstico por imagem que combina o uso de raio-x com computadores especialmente adaptados. É utilizado para criar imagens detalhadas dos mais variados tecidos do corpo humano.

Saiba mais no artigo: O que é Tomografia Computadorizada

 

Ultrassonografia

A ultrassonografia é o procedimento para diagnóstico em que as imagens são produzidas por ultrassom para visualizar, em tempo real, as estruturas do corpo. Para isso, o aparelho através do transdutor emite ondas sonoras que atingem as estruturas ou órgãos do corpo e então o eco é convertido em imagens no computador.

Saiba mais no artigo: Ultrassonografia: como funciona o exame de ultrassom

 

3. Procedimentos de Radiologia Intervencionista


radiologia intervencionista

A radiologia intervencionista apresenta diversos procedimentos como, por exemplo, tratamento de tumores, biópsias de órgãos e a colocação de stents em vasos sanguíneos.

Por isso, as imagens dos exames de radiologia diagnóstica são tão importantes antes dos procedimentos, visto que ajudam a orientá-los na área exata em que devem ser realizados.

 

Angioplastia

A angioplastia, por exemplo, é utilizada para tratar a estenose (redução do calibre) de uma artéria através, da colocação de stent. Ela utiliza um pequeno balão para expandir a artéria, permitindo a colocação do stent – um pequeno cilindro colocado para manter a artéria aberta. O procedimento é realizado com o auxílio da angiografia, um procedimento da Radiologia Diagnóstica em que são utilizados raios X para produzir imagens detalhadas dos vasos sanguíneos.

 

Paracentese

A paracentese é um procedimento da radiologia intervencionista em que uma agulha é usada para drenar o líquido que está “acumulado” na cavidade abdominal.  O procedimento pode ser realizado para retirar o fluido se este estiver causando dor, ou para diagnóstico, se este estiver infectado, por exemplo. Geralmente, é utilizado com o auxílio da ultrassonografia, que irá guiar a agulha até a localização do fluído.

 

Drenagem biliar

A drenagem biliar é a inserção de um dreno no ducto biliar. Os ductos biliares permitem que a bile drene do fígado para o intestino delgado. É um procedimento da Radiologia Intervencionista minimamente invasivo, que pode ser guiado através da fluoroscopia.

 

Injeção para Bursite

As bursites são inflamações das bursas – pequenas “bolsas” que ficam entre ossos e tendões, músculos e tendões, permitindo que essas estruturas deslizem com mais facilidade uma sobre as outras. A injeção para Bursite é um procedimento da radiologia intervencionista. Pode ser realizada com o auxílio da ultrassonografia e anestesia local, em que uma agulha é colocada diretamente na bursa inflamada para injeção de medicamentos.

 

Biópsia hepática

A biópsia hepática é um procedimento de radiologia intervencionista em que material do fígado é coletado para análise. Pode ser feita com uma agulha inserida através da parede abdominal, diretamente no fígado, e geralmente com auxílio da ultrassonografia ou da tomografia computadorizada.

 

Nefrostomia

A nefrostomia é um procedimento de radiologia intervencionista em que é realizada a drenagem temporária do sistema coletor obstruído. Uma das formas de guiar o procedimento, é a utilização de imagens geradas através de radiação X. A nefrostomia permite que o rim funcione corretamente e o protege de danos adicionais.

 

Ablação por radiofrequência

A ablação por radiofrequência é um procedimento de radiologia intervencionista realizado para a ablação de tumores. Através de uma agulha, a radiofrequência usa uma corrente elétrica que cria calor dentro do tumor até destruí-lo. São utilizadas imagens de exames de Radiologia Diagnóstica para orientar o procedimento e guiar a agulha corretamente dentro do tumor.

 

Acesso venoso central

O acesso venoso central é a inserção de um cateter em uma veia central. As veias centrais são as grandes veias dentro do corpo. Esse procedimento da Radiologia Intervencionista é realizado para tratamentos como quimioterapia ou administração de antibióticos durante um período de tempo, sem a necessidade de injeções repetidas. Para acesso venoso, a ponta do cateter pode ser colocada dentro da veia cava superior ou do átrio direito, por exemplo. O procedimento pode ser realizado com o auxílio da angiografia, um procedimento da Radiologia Diagnóstica em que são utilizados raios X para produzir imagens detalhadas dos vasos sanguíneos.

 

4. A Radiologia é segura?


Dependendo do tipo de exame ou procedimento, são utilizados métodos para criar as imagens através de radiação ionizante (raio X, tomografia, densitometria óssea), ressonância nuclear magnética ou ultrassom. Quando esses exames são realizados por profissionais capacitados, é ponto pacífico que os benefícios de se obter um diagnóstico correto, capaz de direcionar tratamentos e procedimentos precisos,  superam os riscos dos exames / procedimentos. Como exemplo desse cuidado, os técnicos radiologistas monitoram e controlam cuidadosamente as doses de radiação ionizante em que um paciente é exposto em exames que utilizam tal técnica. Os profissionais são treinados e capacitados nessas tecnologias e sabem como realizar os procedimentos da forma mais eficaz possível.

 

5. Sobre os riscos da Radiologia


paciente realizando exame de tomografia computadorizada

Todos os procedimentos médicos irão apresentar um nível de risco, e na radiologia não é diferente. Entretanto, como vimos anteriormente, quando os exames e procedimentos são realizados sob orientação médica, os riscos envolvidos são considerados insignificantes perto dos benefícios, visto também que o tratamento tardio pode agravar a situação em que o paciente se encontra.

Os exames de tomografia computadorizada utilizam radiação e são considerados de baixo risco, quando realizados com a técnica correta. Eles envolvem a aplicação de uma série de raios X em diferentes ângulos que são processados por computador para mostrar cortes transversais do corpo.

Ao invés de radiação ionizante, a ressonância magnética utiliza um campo magnético externo para gerar ondas eletromagnéticas que são utilizadas para criar imagens. O campo magnético pode representar um risco de segurança se o paciente tiver metal em seu corpo – como por exemplo, um marca-passo cardíaco.

A medicina nuclear envolve a injeção, inalação ou ingestão de uma quantidade muito pequena de substâncias radioativas chamados radiofármacos. Depois disso, o paciente é colocado em uma câmera especial que é usada para detectar a radiação emitida pela substância administrada. Há um pequeno grau de risco associado com o radiofármaco e, em casos raros, pode haver uma reação alérgica.

A ultrassonografia, por sua vez, usa ondas sonoras de alta frequência para produzir imagens e não apresenta riscos conhecidos.

 

6. O avanço da Radiologia com a Telemedicina


Telerradiologia o que é

Há tempos, em áreas rurais ou distantes das grandes metrópoles, o acesso às ferramentas modernas da medicina era uma tarefa difícil e demorada. Isto é, tanto para o atendimento e tratamento dos pacientes quanto para a busca de profissionais qualificados e especializados.

Hoje, como abordamos no artigo sobre a tecnologia 5G, com a chegada da telemedicina e dos sistemas informatizados para telessaúde pode-se proporcionar cuidados especiais no conforto de nossas casas.

Os médicos podem fazer recomendações após uma simples chamada de vídeo e até mesmo realizar a prescrição médica eletrônica. E no caso da radiologia, clínicas e hospitais podem contar com o acesso remoto a médicos radiologistas especializados nas diversas subáreas da Radiologia e Diagnóstico por Imagem. Estamos falando da telerradiologia, a prática da radiologia a distância que possibilita que médicos radiologistas possam interpretar e elaborar laudos de exames médicos a distância.

No mais, a telerradiologia também pode ajudar no controle de custos para uma sustentabilidade financeira do centro de imagem, melhoria da qualidade dos laudos (contando com mais médicos subespecialistas) e na redução do tempo de entrega dos laudos, ou seja, garantindo uma maior eficiência operacional como um todo. Assim, são inúmeros os benefícios diretos e indiretos da telerradiologia para médicos radiologistas, que podem contar com uma segunda opinião (por exemplo); para os pacientes, que podem ter um diagnóstico mais ágil e preciso; e para as clínicas e hospitais, que podem ampliar seu portfólio de serviços e ainda transformar custos fixos em variáveis.