A mamografia é um exame radiológico que demonstra, em parte, tênues diferenças da composição das mamas. O exame permite a detecção precoce do câncer de mama, por vezes mesmo quando ainda não palpável.

É realizada com aparelho de alta resolução, que permite, dentre outros, a identificação de imagens tumorais e microcalcificações. Permite detectar lesões menores que 1 cm e na fase assintomática da doença, prevenindo assim metástases (disseminação da doença).

No Brasil existe uma padronização dos laudos mamográficos, adotado como consenso o modelo BI-RADS™ (Breast Imaging Reporting and Data System). Tal modelo é utilizado pelo Colégio Americano de Radiologia e visa principalmente uma orientação ao médico assistente quanto à conduta a ser tomada de acordo aos achados mamográficos — negativos, benignos, provavelmente benignos, suspeitos e altamente suspeitos.

Abordaremos todos esses assuntos relacionados a mamografia a fim de elucidar o assunto. Você verá:

 

 1. O que são microcalcificações na mamografia e a diferença entre tumores benignos e malignos.


Microcalcificações são pequenos cristais de cálcio que se depositam em várias partes do corpo, inclusive nas mamas. Como regra, elas não são passíveis de identificação no autoexame e a maioria das mulheres vivem com elas sem dores ou desconfortos.

No exame de mamografia, sua identificação e a avaliação da sua distribuição é muito importante. Isso porque, baseado nessas características, é feita a distinção entre lesões que são mais ou menos suspeitas para lesões neoplásicas malignas ou benignas.

Tumores benignos, como regra geral, são constituídos por células tumorais que não infiltram tecidos adjacentes e não possuem a capacidade de provocar metástases. Já os tumores malignos são aqueles que, como regra, tem a capacidade de infiltrar tecidos adjacentes e gerar metástases.

 

tumor benigno e maligno em mamografia

Tumor benigno vs tumor maligno. Por Manu5 | Fonte: Wikipédia

 

2. Anatomia da mama e como ela é utilizada no exame de mamografia.


Histologicamente, as mamas são constituídas pelo parênquima mamário, tecido adiposo e conjuntivo. Estão localizadas na parede anterior do tórax, anteriormente aos músculos peitorais.

 

2.1 Anatomia à Mamografia

anatomia mamografia

A. Mamilo

B. Gordura pré-glandular

C. Parênquima fibroglandular

D. Gordura retro-glandular

E. Músculo peitoral maior

F. Músculo peitoral menor

 

 

2.2 Quadrantes mamários

As mamas são divididas em esquerda e direita, e subdivididas em quadrantes superiores e quadrantes inferiores. Esse sistema facilita a descrição da localização das lesões encontradas em imagens radiológicas.

 

quadrantes mamamarios em mamografia

 

3. Diferenças entre a mamografia convencional e a mamografia digital.


Existem dois tipos de mamografia: a convencional e a digital. Ambos os tipos fazem uso de um aparelho de radiação, sem riscos significativos à saúde. Nas duas formas também ocorre a compressão das mamas por meio de placas de metal. A partir de então, cada tipo possui um método diferente para a formação das imagens.

 

Mamografia Convencional

A mamografia convencional é o método mais antigo e, basicamente, consiste em expor as mamas da paciente a um aparelho de raio X.

Feito isso, gera-se uma espécie de filme que, logo em seguida, é submetido a um processo que revela as estruturas internas das mamas, com uma alta resolução espacial, porém com pouco potencial para diferenciar as estruturas que tem pouco contraste entre si.

 

Mamografia Digital

A mamografia digital é uma versão mais moderna e mais eficiente em comparação ao método convencional, sendo dividida em dois subtipos: direta e indireta.

Em síntese, na mamografia digital direta um detector captura o sinal oriundo dos raios X e os converte em um sinal elétrico que é transmitido diretamente para a tela do computador. Já na mamografia digital indireta, o detector captura o sinal gerado pelo raio X, armazena-os, para depois então convertê-los e serem exibidos na tela do computador em forma de imagem. Esse método é mais lento, em comparação com a mamografia digital direta. No entanto, ainda é mais rápido e mais preciso que a mamografia convencional.

Uma das principais vantagens do exame digital em comparação ao exame de mamografia convencional na hora da interpretação das imagens é que o médico pode explorar de forma mais eficiente a característica de contraste entre as estruturas de forma dinâmica no monitor, permitindo que realize um diagnóstico muito mais preciso.

A mamografia digital também permite que a imagem seja armazenada e / ou processada em softwares, o que por sua vez pode ajudar a detectar as alterações nos exames. Desse modo, há menos riscos de precisar repetir o exame, poupando o paciente da refação de todo o processo, incluindo uma nova exposição à radiação.

 

4. Tipos de exames de mamografia e para que servem.


Existem dois tipos de exames de mamografia para a detecção precoce do câncer de mama: a mamografia de rastreio, para casos assintomáticos, e a mamografia diagnóstica, para pessoas já com uma suspeição inicial para a doença.

 

4.1 Mamografia de rastreio

A mamografia de rastreio tem o intuito de detectar o câncer de mama em pacientes assintomáticos, ou seja, sem nenhuma suspeição para doença. É realizada a partir de determinadas faixas etárias conforme a história familiar e de doença pregressa dos pacientes. É repetida em determinados intervalos de tempo, também a depender das características em que se enquadram os tipos de pacientes. Outra característica importante é que, idealmente, sempre são feitas comparações com os exames anteriores, para que assim se acompanhe a evolução dos casos.

 

4.2 Mamografia Diagnóstica

A mamografia diagnóstica é um exame radiológico utilizado para melhor avaliar alterações já presentes na mama. Ou seja, em casos já com algum grau de suspeição / alteração mamária, seja para lesões benignas ou malignas.

 

mulher jovem realizando mamografia

 

5. Bi-rads, como interpretar o exame de mamografia.


Uma tradução livre para o significado do acrônimo bi-rads (Breast Imaging-Reporting and Data System) é Sistema de Relatório de Dados sobre Imagem de Mama. Ou seja, bi-rads é um sistema de classificação que varia de 0 a 6 e foi adotado para ajudar na conduta médica ao estimar “qual a chance” de uma imagem da mamografia ser câncer.

Essa classificação não estima o grau de crescimento ou o tipo do tumor. Contudo, é com base nesse relatório que o médico assistente decide se há ou não necessidade de se dar seguimento ao caso.

A classificação Bi-Rads segue com a interpretação abaixo, de 0 a 6:

  • 0: achados mamográficos inconclusivos. Necessária avaliação adicional. Portanto, a conduta é complementar com outros exames (ex.: mamografia com compressão direcionada, ultrassom ou ressonância da mama).
  • 1: achados mamográficos negativos. Exame normal. Presença de simetria, ausência de massas, distorção arquitetural ou calcificações suspeitas.
  • 2: achados mamográficos benignos. calcificações vasculares, calcificações cutâneas, calcificações com centro lucente, fibroadenoma calcificado, cisto oleoso (esteatonecrose), calcificações de doença secretória (“plasma cell mastitis”), calcificações redondas (acima de 1 mm), calcificações tipo “milk of calcium”, fios de sutura calcificados, linfonodo intramamário.
  • 3: achados mamográficos provavelmente benignos: nódulo de densidade baixa, contorno regular, limites definidos e dimensões não muito grandes, calcificações monomórficas e isodensas sem configurar grupamento com características de malignidade.Sugestão de follow-up em curto espaço de tempo.
  • 4: achados mamográficos suspeitos. É subdivido em três subclassificações. Bi-rads 4A – baixa suspeição para malignidade; 4B moderada suspeição para malignidade; 4C alta suspeição para malignidade. Portanto, a conduta recomendada nestes casos como regra, é considerar biópsia.
  • 5: altamente suspeito para malignidade. Ação apropriada deve ser tomada.
  • 6: significa que o paciente já tem câncer comprovado por biópsia e fez mamografia para planejar a cirurgia.

 

bi-rads em exames de mamografia

 

6. Mamógrafo, o aparelho de mamografia.


O Mamógrafo é o aparelho que realiza os exames de Mamografia. O modelo tradicional é composto por: gerador de alta tensão, sistema de controle de posicionamento, placa de compressão da mama, bucky, cabos de alta tensão e tubos de raios-x.

Cada aquisição pode demandar um tipo de posicionamento da mama no aparelho, seja de rotina ou casos especiais. Por exemplo, pacientes com implantes mamários não podem ter a mama simplesmente colocada entre o compressor e a bandeja, visto que há influência do silicone na visualização do tecido. Portanto, é utilizada uma técnica chamada de Manobra de Eklund, que desloca a prótese para fora do campo da imagem e distribui somente o tecido mamário na bandeja para ser radiografado.

 

mamografo aparelho de mamografia

 

7. Como funciona o exame de mamografia.


Quando a mulher se apresenta para um exame de mamografia, é natural que ela sinta certa ansiedade, seja pelo resultado, visto que o câncer de mama é um diagnóstico temido, seja pela própria realização do exame, visto que a mama é uma região do corpo mais sensível.

Assim, essa expectativa pode dificultar tanto a aceitação quanto a própria realização do exame dentro dos moldes técnicos. Em muitos casos, o paciente tem medo do exame, que pode ser incômodo ou doloroso devido a compressão do aparelho, e constrangedor – pois é necessário despir de suas vestes superiores.

Por isso, o atendimento humanizado do técnico em mamografia é debate constante na área da Medicina. É sempre importante ressaltar os sentimentos da paciente, tanto quanto ao seu medo ou ansiedade, para que o exame torne-se mais agradável.

Normalmente, um exame de mamografia leva cerca de 15 a 30 minutos.

O conhecimento e interesse pelo seu bem-estar, assim como o uso de palavras de fácil entendimento, são atitudes respeitáveis (e exigidas em muitas instituições) nessa área.

 

placa de compressao no exame de mamografia

 

6.1 Compressão da mama no exame de mamografia

A compressão da mama é um requisito básico que deve ser bem aplicado para garantir a qualidade da imagem mamográfica e dura apenas alguns segundos em cada seio.

A compressão reduz a espessura da mama espalhando o tecido mamário e melhorando o contraste, permitindo uma melhor avaliação de eventuais lesões. O paciente é também orientado sobre a importância dessa ação, mas sem desconsiderar o seu limite.

Além disso, orientações simples para realização do exame também devem ser passadas com antecedência. Por exemplo, manter seios e axilas limpos e sem uso de desodorantes – eles podem aparecer nas imagens se assemelhando a “manchas de cálcio”.

 

8. Como amenizar a dor e o incômodo do exame de Mamografia.


O exame de mamografia é desconfortável para as (os) pacientes. Isso porque os seios são áreas muito sensíveis e para realizar o exame é preciso fazer a compressão das mamas que, consequentemente, acabam ficando muito doloridas durante o procedimento.

No entanto, seguindo algumas dicas simples, é possível amenizar um pouco mais o desconforto e a dor durante o exame.

 

Escolher o melhor período

O período pré-menstrual tende a ser um dos mais “sensíveis” no que diz respeito ao desconforto para se fazer o exame de mamografia, visto que os seios, devido a uma maior carga hormonal, tendem a estar mais “inchados” por acumularem líquido, aumentando a dor e desconforto durante o exame. Entretanto, esse período de maior sensibilidade nas mamas pode variar de paciente para paciente. O período que tende a ser menos desconfortável para se realizar o exame de mamografia, de forma geral, é de cinco a sete dias após o início da menstruação. Entretanto, isso pode variar de paciente para paciente, sendo esta a mais capacitada para saber quando no período menstrual está menos sensível a dor.

 

Manter-se relaxada

Embora o exame possa, por si só, ser desconfortável, quando se está tenso e com o corpo mais “contraído” (tônus muscular aumentado), as chances de sentir mais dor são maiores. Sendo assim, é importante que a paciente mantenha seu corpo, principalmente o tórax e braços, o mais relaxado possível, para reduzir a sensação de desconforto.

 

Ajustar a pressão sobre as mamas

Apesar de não ser tão comum, alguns aparelhos de mamografia permitem que a própria paciente faça a pressão sobre a mama ou alivie-a, caso esteja doendo muito. A autocompressão já provou ser um método com resultados mais eficientes e mais confortável.

 

Informação sobre o uso de silicone

Pacientes que possuem implante de silicone devem informar o centro de imagem e o médico radiologista antes de realizar o exame, pois o implante pode atrapalhar na interpretação das imagens e até mesmo causar mais dor durante o exame. Uma vez avisado sobre o silicone, o profissional fará uma manobra conhecida como manobra de Eklund, que consiste em afastar o implante do tecido mamário, para expor mais mama durante a aquisição das imagens.

 

Cuidados com a alimentação

O consumo de determinados alimentos alguns meses antes do exame de mamografia também pode, eventualmente, ajudar a aliviar a dor. Alimentos ricos em ácido linoleico e gama-linolênico reduzem o efeito dos hormônios nas mamas, sendo eles: salmão, sardinha, castanha do Pará e azeite extra virgem. Além disso, a cafeína tende a aumentar a sensibilidade nos seios. Então, evitar o consumo de bebidas e alimentos que contenham cafeína alguns dias antes do exame é também uma boa dica.

 

medico tocando a mama em de mamografia

 

9. Pós-mamografia.


Após o exame de mamografia, a paciente poderá realizar as suas atividades normalmente sem quaisquer preocupações.

Naturalmente, pouco tempo depois do exame pode ser que os seios fiquem mais doloridos e sensíveis, devido a pressão que foi exercida. Se isso ocorrer, colocar uma bolsa térmica de gelo sobre os seios pode ajudar a aliviar um pouco a dor.

Em alguns casos, o médico poderá solicitar uma complementação do exame de mamografia para melhor avaliação de determinada estrutura, seja através de um ultrassom ou mesmo através da própria mamografia direcionada com ampliação ou magnificação.

 

Referências


  1. Caldas, Flávio Augusto Ataliba, et al. “Controle de qualidade e artefatos em mamografia.” Radiologia Brasileira 38.4 (2005): 295-300.
  2. Freitas, Andréa Gonçalves de, et al. “Mamografia Digital: Perspectiva atual e aplicações futuras.” Radiologia Brasileira 39.4 (2006): 287-296.
  3. Bernardes, Antonio. “Anatomia da mama feminina.” Manual de Ginecologia 2.12 (2011): 12-24.
  4. Souza, Fabiano Hahn. “Mamografia digital em comparação com mamografia convencional no rastreamento de câncer de mama no Brasil: revisão sistemática, custo da doença e analise de custo-efetividade no Sistema Único de Saúde.” (2012).
  5. da Costa Vieira, René Aloísio, et al. “Rastreamento mamográfico: começo–meio–fim.” Editoria técnica 20.2 (2010): 92-97.
  6. Cartaxo, Ana Filipa Soares. Caracterização de um mamógrafo Senographe 600T Senix da GE com ânodo de Mo. dosimetria das qualidades de radiação. Diss. Faculdade de Ciências e Tecnologia, 2012.
  7. Marinho, Luiz Alberto Barcelos, et al. “Conhecimento, atitude e prática do auto-exame das mamas em centros de saúde.” Revista de Saúde Pública 37 (2003): 576-582.
  8. Fogaça, Elza IC, and Letícia F. Garrote. “Câncer de mama: atenção primária e detecção precoce.” Arq ciênc saúde 11.3 (2004): 179-181.
  9. Freitas Júnior, Ruffo, et al. “Desconforto e dor durante realização da mamografia.” Revista da Associação Médica Brasileira 52.5 (2006): 333-336.
  10. Petti, Domingos Auricchio, et al. “Mamografia e dor: um mito ou um fato?.” An. paul. med. cir (1998): 4-8.

 

 


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