Dr. Flávio Pereira das Posses

Sobre Dr. Flávio Pereira das Posses

Médico (EMESCAM), radiologista (UNESP) com especialização em radiologia oncológica e musculoesquelética (InRad-HC FMUSP). Coordenador da STAR Telerradiologia.
CRM-SP 160.081

Ressonância Magnética (RMN): o que é, tipos e como funciona

Ressonância magnética é um método de diagnóstico por imagem com alta capacidade de diferenciar várias características dos tecidos biológicos.

Sua aplicação se estende a todas as partes do corpo humano, explorando aspectos anatômicos e funcionais.

Certamente, isso coloca a ressonância magnética como uma ferramenta fortíssima em relação aos demais exames de imagem. Também a torna a mais complexa, visto que são necessários entendimentos sobre eletromagnetismo, supercondutividade e processamento de sinais para sua aplicação.

Em uma tomografia computadorizada, se um processo patológico não altera a característica de atenuação do tecido, por exemplo, em uma imagem por ressonância magnética sem contraste, a patologia pode, eventualmente, ser demonstrada.

 

Para que serve a ressonância magnética?

Com a ressonância magnética, médicos são capazes de examinar o corpo humano em detalhes com uma ferramenta não invasiva.

Assim sendo, citamos os principais exemplos de utilização da RMN:

  • Diagnosticar doenças neurológicas e na medula espinhal;
  • Identificar tumores, cistos e outras anomalias em várias partes do corpo;
  • Rastreamento do câncer de mama;
  • Identificar lesões ou anormalidades na coluna e as articulações, como nos ombros e joelhos;
  • Diagnosticar certos tipos de doenças cardíacas;
  • Diagnosticar doenças do fígado, pâncreas e outros órgãos abdominais;
  • Avaliar a dor pélvica em mulheres para identificar miomas e endometriose;
  • Identificar patologias em mulheres que podem levar a quadros de infertilidade.

 

Quais são os exames de RMN?

A aplicação da ressonância magnética se estende a todas as partes do corpo humano: crânio, região cervical, medula espinhal, tórax, coração, abdome, articulações e vasos sanguíneos.

Alguns exemplos de exames de RMN são:

  • ressonância magnética funcional (RMf) encefálica;
  • ressonância magnética das mamas;
  • angiografia arterial por ressonância magnética (angio-RM);
  • venografia por ressonância magnética (VRM);
  • ressonância magnética cardíaca (RMC).

Abaixo, falamos sobre cada um.

 

Ressonância Magnética Funcional Encefálica (RMf)

É uma modalidade diagnóstica de RMN utilizada para mapear as áreas funcionais do cérebro e variações no fluxo sanguíneo em resposta à atividade neural.

Assim, para sua realização, é solicitado ao paciente executar atividades específicas permitindo que o aparelho de RMf escaneie imagens detalhadas do cérebro, mostrando a localização de um sinal associado à atividade cerebral.

Aliás, é considerada uma alternativa não invasiva ao teste de Wada.

 

Ressonância Magnética das Mamas

É uma modalidade da RMN que permite a detecção de alterações mamárias, como por exemplo, cânceres na mama. Além disso, é considerado um exame com maior sensibilidade quando comparado com a mamografia e com a ultrassonografia.

 

Angiografia arterial por Ressonância Magnética (angio-RM)

É uma modalidade da RMN que permite a avaliação de alterações anatômicas, estenoses, oclusões e complicações vasculares arteriais. Além de ser considerado um exame não invasivo de fácil execução, permite avaliar o parênquima de órgãos adjacentes de interesse diagnóstico.

 

Venografia por Ressonância Magnética (VRM)

É uma modalidade da RMN que permite produzir imagens detalhadas das veias. A VRM é altamente sensível e utiliza a diferença de sinais entre o sangue fluindo e o coágulo estacionado.

 

Ressonância Magnética do Coração

Também conhecida como RM Cardíaca, é uma modalidade da RMN que permite produzir imagens detalhadas das estruturas cardíacas. É um procedimento diagnóstico não invasivo capaz de capturar imagens anatômicas e imagens dinâmicas do funcionamento do coração sob diversos ângulos.

 

Como é o exame de ressonância magnética?

como é o exame de ressonancia magnetica

É importante ter em mente que, em muitos casos, pode ser necessário que o paciente receba a injeção de meio de contraste intravenoso para permitir que certas doenças sejam diagnosticadas. Algumas patologias não podem ser diagnosticadas sem o seu uso.

A sala de exames conta com estrutura de microfone e caixas de som, permitindo a comunicação entre o paciente e o biomédico ou técnico em Radiologia durante o exame.

É através desse sistema que o paciente recebe orientações importantes para que o exame seja realizado adequadamente, e que o paciente pode falar a qualquer momento com o biomédico / técnico em Radiologia.

Em seguida, durante o escaneamento, é vital que o paciente esteja parado. Isso porque qualquer movimento atrapalha a produção das imagens, gerando imagens distorcidas que podem até inviabilizar o diagnóstico.

A lógica é a mesma que ocorre quando tentamos tirar uma foto de um objeto em movimento.

Por essa razão, em alguns momentos específicos e curtos do exame, o paciente pode até mesmo ser solicitado que prenda brevemente a respiração.

Em todo caso, se o paciente sentir-se desconfortável, ele pode acionar rapidamente o técnico através do interfone e solicitar que o exame seja interrompido.

 

Como se preparar para o exame

A preparação para um exame de ressonância magnética é simples.

Geralmente, é solicitado ao paciente que troque de roupa, além de remover acessórios e objetos metálicos.

Isso ocorre pois os materiais metálicos são fortemente atraídos pelo forte campo magnético existente dentro do equipamento, e podem causar distorções nas imagens adquiridas, o que pode inviabilizar qualquer diagnóstico.

É importante ressaltar que caso o paciente tenha algum tipo de dispositivo metálico ou vestígios de metal em seu corpo, tais como fragmentos de balas de armas de fogo (depende do local onde está alojada), pode ser que não possa realizar o exame de RM.

Mas, depende do tipo de dispositivo e do tipo de metal.

Implantes cocleares e alguns tipos de clipes metálicos para tratamento de aneurisma cerebral, por exemplo, contraindicam a realização do exame.

Por vezes, o médico pode receitar ao paciente um medicamento que será utilizado antes do exame, com o intuito de evitar a crise de ansiedade.

Tampões ou fones de ouvido normalmente são fornecidos para bloquear os altos ruídos do scanner.

Aliás, é muito popular para o exame em crianças, que podem ouvir músicas relaxantes durante o procedimento.

 

Como é produzida a imagem do exame?

Uma imagem gerada por ressonância magnética exibe padrões distintos dos tecidos biológicos.

Em síntese, a imagem é uma exibição dos sinais de radiofrequência que foram emitidos e captados no processo da geração da imagem.

A natureza não invasiva torna a ressonância magnética um dos principais métodos para diagnosticar uma grande variedade de doenças.

A princípio, a imagem é gerada em três etapas:

 

1ª. Alinhamento dos Átomos

alinhamento dos atomos em ressonancia magnetica

A propriedade magnética dos núcleos de alguns átomos do corpo humano se orientam em paralelo a um forte campo magnético em que o paciente é colocado.

 

2ª. Excitação dos núcleos

excitação dos núcleos em ressonância magnética

O aparelho de ressonância magnética emite uma onda eletromagnética na frequência de cada núcleo de hidrogênio mudando a direção do seu vetor de energia.

 

3ª. Detecção de Radiofrequência

detecção da radiofrequência em ressonância magnética

Quando os núcleos de hidrogênio retornam ao estado habitual, emitem ondas eletromagnéticas que são captadas pelo aparelho de RM.

 

Como o aparelho de ressonância magnética funciona?

Três etapas devem ser concluídas para geração de imagens por ressonância magnética: alinhamento, excitação e detecção de RF.

Por sua vez, os métodos de aquisição de imagem são divididos em quatro categorias: ponto, linha, plano (duas dimensões) e imagem tridimensional.

Tudo isso depende da forma como os dados da imagem são adquiridos pelo aparelho (scanner) de RM.

Em resumo, um aparelho de ressonância magnética consiste em cinco componentes: imã principal (magneto), bobinas gradiente, bobinas de radiofrequência, sistema receptor de imagem e computador.

Explicamos cada um desses componentes:

 

1. Imã principal (magneto)

bobina de ressonancia magnetica

Responsável por alinhar e orientar os núcleos dos átomos.

Ou seja, o imã principal nada mais é do que o gerador do forte campo magnético.

E quanto mais alto for o campo magnético, maior sua frequência e melhor será a relação sinal-ruído (conhecida pela sigla SNR), que se reproduz em uma imagem de melhor qualidade.

 

2. Bobinas gradiente

como funcionam as bobinas gradiente

Mapeiam o sinal de ressonância magnética codificado.

Três bobinas separadas são necessárias para produzir uma variação linear do campo magnético ao longo de cada uma das três direções cartesianas.

Essas bobinas são referidas como bobinas gradiente X, Y e Z. Ou seja, de acordo com o eixo que elas irão agir.

São responsáveis pela seleção de cortes, formação de imagens, codificação de fase e codificação de frequência.

Assim sendo, bobinas gradiente X selecionam os cortes sagitais; de gradiente Y, o corte ou coronal; e de gradiente Z, os cortes axiais.

Por isso, em ressonância magnética é necessário que se altere a direção de aplicação do campo magnético para codificar espacialmente o sinal.

 

3. Bobinas de radiofrequência

Transmitem e recebem o sinal do tecido através dos pulsos de RF.

Para irradiar a amostra em teste com um campo magnético é necessário desviar a magnetização do seu estado de equilíbrio e gerar um sinal detectável.

Isso é feito com um transmissor de radiofrequência, responsável pela forma do pulso, duração, potência e tempo (taxa de repetição).

Como o paciente já passou pela etapa de excitação, nesse momento, cada spin (movimento de giro do próton em torno de seu próprio eixo) produz uma onda sinusoidal com uma frequência dependente do campo magnético.

Assim, para detectar esse sinal, são necessárias as bobinas de radiofrequência, que acoplam os núcleos em algum circuito externo.

 

4. Sistema receptor de imagem

Converte o sinal de RF recebido da bobina de RF.

Para isso, o sinal é primeiro amplificado e em seguida, é transmitido para um local remoto para formar uma imagem através de um processamento computadorizado.

 

5. Computador

computador de ressonancia magnetica

Possui a interface que inicia as funções do sistema de ressonância magnética.

Isto é, o computador é responsável pelo teste do sistema, exibição de imagens, funções de medição e, normalmente, recuperação das imagens. Neste último, os requisitos variam de acordo com o método de imagem utilizado.

Além disso, o computador também conta com um monitor de alta qualidade, específico para exibição de imagens radiológicas.

 

História da ressonância magnética

primeira ressonancia magnetica

O campo magnético rotativo foi descrito pela primeira vez em 1882, por Nikola Tesla.

Depois disso, como qualquer grande avanço tecnológico, o desenvolvimento da imagem por ressonância magnética foi um drama de muitos autores.

Em 1937, Isidor Rabi, professor de física da Universidade de Columbia, desenvolveu um método para medir os movimentos dos núcleos atômicos.

Rabi, então, recebeu o Nobel de Física de 1944, pelo “método de registro de propriedades de ressonância magnética de núcleos atômicos”.

Em 1946, o primeiro experimento envolvendo RMN em matéria condensada foi realizado nos laboratórios dos físicos Felix Bloch e Edward Mills Purcell.

O experimento rendeu-lhes o Nobel de Física de 1952, pelo “desenvolvimento de novos métodos de medição precisa do magnetismo nuclear e descobertas afins“.

A partir disso, estabeleceram-se os princípios científicos da espectroscopia e da imagem por ressonância magnética.

Porém, durante décadas, as técnicas foram usadas apenas para estudar as estruturas das substâncias químicas.

Em meados dos anos 60, um médico chamado Raymond Damadian começou a se questionar sobre o uso desses métodos em organismos vivos.

Damadian concluiu que, como o tecido cancerígeno continha mais água do que tecido saudável, ele podia ser detectado por scanners que banhavam uma parte do corpo humano em ondas de rádio e mediam as emissões dos átomos de hidrogênio locais.

Foi então que, somente na década de 70, com trabalhos desenvolvidos por Lauterbur e Mansfield e com base científica nos trabalhos de Damadian, a ressonância magnética foi utilizada para produzir imagens do corpo humano.

Nesse momento, o método passa a ser conhecido como Ressonância Magnética Nuclear.

Entretanto, surge também a discussão na literatura médica quanto ao uso do termo nuclear, empregado junto a ressonância magnética.

Certamente, o uso desse termo causa medo e confusão com a radiação ionizante, que não se aplicada a este método.

Por isso, hoje, o uso do acrônimo RMN passa a ser mais utilizado.

 

A evolução da ressonância magnética

A imagem por ressonância magnética tem representado um excelente avanço à medicina moderna, sendo um popular método de diagnóstico estabelecido na prática clínica.

Em tese, quanto maior é o campo magnético, maior é a quantidade de hidrogênios alinhados e menor são os ruídos que contribuem para a degradação da imagem.

O ruído interfere na pureza do sinal formando uma granulação que sobrepõe à imagem, prejudicando a análise.

Por isso a relação sinal-ruído (RSR) representa, em termos qualitativos, uma métrica fundamental de desempenho à ressonância magnética.

Sua melhoria pode significar o aumento da resolução da imagem e a diminuição do tempo de varredura.

 

Estudo relata melhorias na RSR

Um estudo realizado por uma equipe da Universidade de Boston relatou melhorias na RSR com a aplicação de metamateriais na ressonância magnética.

Os metamateriais, por sua vez, formam uma classe de materiais produzidos artificialmente, que podem ser projetados para exibir propriedades físicas não encontradas em materiais naturais e podem ter capacidade de interagir com a radiação eletromagnética.

O metamaterial magnético desenvolvido para o estudo é composto de uma matriz de células unitárias com hélices metálicas (ressonadores helicoidais), na forma de um pequeno cilindro.

O metamaterial foi capaz de amplificar os sinais das máquinas de ressonância magnética.

Na ocasião, o modo ressonante do metamaterial proporcionou um aumento acentuado na intensidade dos campos magnéticos da radiofrequência, provindo um aumento notável na RSR.

Embora o pequeno dispositivo possa não impressionar, quando colocado em conjunto com outros similares e perto do corpo, os ressonadores interagem com o campo magnético da máquina formando uma matriz flexível.

A matriz de metamateriais compõe células unitárias com hélices metálicas, que são feitas de fios de cobre com andaimes poliméricos centrais.

Os experimentos foram realizados usando uma coxa de frango, com sequências de pulso idênticas em um sistema de ressonância magnética de 1,5 Tesla para demonstrar as capacidades de realce da RSR com o metamaterial magnético.

 

Conclusão dos estudos

O uso de metamateriais e a evolução da ressonancia magnetica2

A qualidade da imagem alcançada na presença do metamaterial foi nítido, proporcionando uma RSR de até 3,6x maior.

Para consideração, o uso da média de sinal também é uma métrica qualitativa de RSR. No experimento, então, foi necessário um aumento de 13,9x no tempo de varredura para alcançar um resultado similar sem o metamaterial.

À esquerda, exame realizado com o metamaterial magnético. À direita, sem o metamaterial.

Conclui-se que o desenvolvimento de metamateriais magnéticos validam sua aplicação à ressonância magnética, podendo ser utilizados para promover melhorias eficientes na qualidade de aquisição e na resolução de imagem.

 

Guia de Radiologia: fundamentos, modalidades e profissões

A radiologia é uma das áreas mais fascinantes e essenciais da medicina. Desde a descoberta dos raios X, no final do século XIX, essa especialidade evoluiu de forma impressionante, tornando-se uma peça-chave no diagnóstico e tratamento de diversas doenças. Hoje, a modalidade não se limita apenas à tradicional radiografia; ela abrange tecnologias avançadas, como tomografia computadorizada, ressonância magnética, ultrassonografia e até mesmo inteligência artificial aplicada à interpretação de exames.

Neste artigo, vamos explorar todos os aspectos dessa área, desde sua história e evolução até as mais modernas inovações tecnológicas. Vamos entender como os exames radiológicos auxiliam médicos de diversas especialidades, como ortopedia, cardiologia e oncologia, além de abordar suas aplicações em áreas menos conhecidas, como na veterinária e na forense.

Também discutiremos como funciona a formação dos profissionais, incluindo a diferença entre técnicos, tecnólogos e médicos radiologistas, além das oportunidades de trabalho disponíveis nesse setor. Outro ponto fundamental que será abordado é a segurança radiológica, um tema crucial para garantir a proteção de pacientes e profissionais contra os riscos da exposição à radiação.

Se você quer entender melhor o papel dessa modalidade na medicina e como ela impacta a vida das pessoas diariamente, siga com a leitura. Nos próximos tópicos, vamos detalhar cada aspecto dessa especialidade médica de forma clara e objetiva.

 

Como funciona essa especialidade médica?

A radiologia é a especialidade médica que utiliza diferentes métodos de imagem para visualizar o interior do corpo humano. Seu principal objetivo é auxiliar no diagnóstico, acompanhamento e tratamento de doenças, fornecendo informações detalhadas sobre ossos, órgãos e tecidos. Com o avanço da tecnologia, o setor evoluiu para além dos raios X tradicionais, incorporando modalidades como tomografia computadorizada, ressonância magnética e ultrassonografia, cada uma com aplicações específicas na prática médica.

 

A descoberta dos raios X e a evolução da radiologia

A história dessa área começa em 1895, quando Wilhelm Conrad Roentgen descobriu os raios X por acaso, enquanto trabalhava com tubos de vácuo e eletricidade. Essa descoberta revolucionou a medicina, permitindo a visualização dos ossos sem a necessidade de cirurgia. Pouco tempo depois, os primeiros exames radiológicos começaram a ser realizados, inicialmente de forma rudimentar e sem proteção contra a radiação.

Com o passar das décadas, a tecnologia avançou, e novos métodos foram desenvolvidos. A invenção da tomografia computadorizada na década de 1970 e da ressonância magnética nos anos 1980 trouxe uma nova dimensão à radiologia, permitindo imagens detalhadas de órgãos e tecidos moles. Atualmente, a inteligência artificial e a digitalização das imagens continuam transformando a especialidade, tornando os diagnósticos mais rápidos e precisos.

 

Por que a radiologia é indispensável na medicina?

Praticamente todas as especialidades médicas dependem de exames de imagem para diagnosticar doenças, planejar tratamentos e acompanhar a recuperação dos pacientes. Desde um simples raio X para verificar uma fratura até exames mais complexos, como uma ressonância magnética para detectar tumores cerebrais, a radiologia fornece informações cruciais para a tomada de decisões clínicas.

Além disso, ela desempenha um papel fundamental na prevenção de doenças. Mamografias, exames de rastreamento pulmonar e tomografias cardíacas são exemplos de como a especialidade ajuda a identificar problemas de saúde antes que se tornem mais graves.

 

Como os exames radiológicos ajudam no diagnóstico e tratamento de doenças

Os exames radiológicos permitem visualizar estruturas internas do corpo sem procedimentos invasivos, tornando o diagnóstico mais rápido e eficiente. Dependendo do tipo de exame, é possível detectar desde lesões ósseas até alterações em órgãos internos e vasos sanguíneos.

A radiologia, portanto, não se limita ao diagnóstico, mas também tem um impacto direto na definição e no sucesso dos tratamentos médicos, contribuindo para a qualidade de vida dos pacientes.

  • Diagnóstico: Um dos principais usos é a detecção precoce de doenças. Exames como tomografias e ressonâncias magnéticas ajudam a identificar cânceres, infecções, hemorragias internas e doenças degenerativas.
  • Planejamento de tratamentos: Cirurgias, radioterapias e outros procedimentos médicos muitas vezes dependem de imagens detalhadas para que os médicos possam planejar a melhor abordagem.
  • Monitoramento da evolução da doença: Pacientes em tratamento para doenças crônicas, como câncer ou doenças pulmonares, precisam de exames periódicos para avaliar a resposta à terapia e ajustar o tratamento, se necessário.

 

Médicos discutindo os achados em um exame de radiografia.

 

Principais tipos de exames de imagem e suas aplicações

A radiologia moderna conta com diversas técnicas de imagem, cada uma com suas particularidades e indicações específicas. Dependendo do tipo de exame, é possível obter imagens detalhadas de ossos, órgãos internos, vasos sanguíneos e tecidos moles, auxiliando médicos no diagnóstico e tratamento de diversas doenças. Algumas dessas modalidades utilizam radiação ionizante, enquanto outras se baseiam em ondas sonoras ou campos magnéticos.

Cada uma dessas modalidades tem seu papel, permitindo diagnósticos precisos e contribuindo para o tratamento de inúmeras doenças. O avanço tecnológico continua aprimorando essas técnicas, tornando os exames cada vez mais seguros e eficazes.

 

Radiografia

A radiografia, ou raio X, é o método de imagem mais antigo e amplamente utilizado na medicina. Ela funciona emitindo feixes de raios X que atravessam o corpo e formam uma imagem com base na densidade dos tecidos. Ossos aparecem brancos na imagem, enquanto estruturas mais macias, como músculos e órgãos, variam entre tons de cinza.

  • Indicações comuns: fraturas, infecções pulmonares, problemas articulares e avaliação odontológica.
  • Vantagens: exame rápido, acessível e de baixo custo.
  • Limitações: imagens bidimensionais e menor detalhamento de tecidos moles.

 

Tomografia Computadorizada (TC)

A tomografia computadorizada é uma evolução da radiografia, utilizando múltiplos feixes de raios X para criar imagens detalhadas em cortes transversais do corpo. Essas imagens podem ser reconstruídas em 3D, proporcionando uma visão mais completa das estruturas internas.

  • Indicações comuns: traumas, AVCs, tumores, doenças pulmonares e abdominais.
  • Vantagens: alta resolução, rapidez e ampla aplicação em emergências.
  • Limitações: uso de radiação ionizante e necessidade de contraste em alguns casos.

 

Ressonância Magnética (RM)

A ressonância magnética utiliza um campo magnético potente e ondas de rádio para gerar imagens detalhadas dos tecidos moles, sem o uso de radiação ionizante. É especialmente útil para avaliar órgãos internos, cérebro, coluna e articulações.

  • Indicações comuns: lesões musculoesqueléticas, tumores, doenças neurológicas e cardíacas.
  • Vantagens: excelente qualidade de imagem para tecidos moles e ausência de radiação.
  • Limitações: exame mais demorado, barulhento e contraindicado para pacientes com implantes metálicos.

 

Ultrassonografia (USG)

A ultrassonografia utiliza ondas sonoras de alta frequência para criar imagens em tempo real do corpo. Por não usar radiação, é amplamente utilizada em gestantes e crianças.

  • Indicações comuns: acompanhamento da gravidez, avaliação de órgãos abdominais, exame de tireoide e estudos vasculares.
  • Vantagens: seguro, sem radiação, portátil e acessível.
  • Limitações: menor qualidade de imagem em comparação com a TC e RM, além de depender da experiência do operador.

 

Medicina Nuclear

A medicina nuclear envolve o uso de substâncias radioativas (radiofármacos) para avaliar o funcionamento de órgãos e tecidos. As imagens são captadas por câmeras especiais, como o PET-CT e a cintilografia.

  • Indicações comuns: diagnóstico de câncer, avaliação da função cardíaca e pesquisa de infecções e doenças ósseas.
  • Vantagens: permite avaliar o metabolismo celular e processos funcionais do corpo.
  • Limitações: exposição à radiação e custo elevado.

 

Fluoroscopia

A fluoroscopia é um exame em tempo real que utiliza raios X contínuos para observar o movimento de órgãos internos. É muito utilizada em procedimentos intervencionistas e exames gastrointestinais.

  • Indicações comuns: estudo do trato digestivo, cateterismos cardíacos e procedimentos minimamente invasivos.
  • Vantagens: visualização dinâmica de órgãos em funcionamento.
  • Limitações: exposição prolongada à radiação e necessidade de contraste em alguns casos.

 

Como a radiologia é utilizada em diferentes áreas da medicina

A modalidade é essencial para diversas especialidades médicas, auxiliando na investigação de doenças, no planejamento de cirurgias e até mesmo em procedimentos terapêuticos. Com diferentes modalidades de imagem disponíveis, os médicos conseguem visualizar estruturas ósseas, órgãos internos, vasos sanguíneos e tecidos moles com precisão. Cada área da medicina se beneficia de técnicas específicas, dependendo da necessidade do paciente.

 

Paciente realizando um exame de raio X do pé.

 

Diagnóstico de problemas ortopédicos

A ortopedia depende fortemente da radiologia para diagnosticar e monitorar doenças e lesões do sistema musculoesquelético. Exames como radiografia, tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (RM) são amplamente utilizados para avaliar ossos, articulações, músculos e tendões.

A radiografia continua sendo o exame de primeira escolha na maioria dos casos ortopédicos, mas a ressonância magnética é fundamental para investigar lesões de cartilagem e tecidos moles.

Suas principais aplicações são:

  • Diagnóstico de fraturas, luxações e lesões ligamentares.
  • Avaliação de artroses, osteoporose e tumores ósseos.
  • Planejamento cirúrgico em casos de próteses e correções ortopédicas.

 

Doenças no tórax e pulmões

A radiologia torácica é fundamental na avaliação do coração, pulmões e vias respiratórias. O exame mais comum é a radiografia de tórax, muitas vezes complementada por tomografia computadorizada, especialmente em casos de doenças pulmonares mais complexas.

A tomografia de alta resolução é frequentemente utilizada para diagnosticar doenças pulmonares intersticiais, como fibrose pulmonar. Já o uso do PET-CT auxilia na diferenciação entre tumores malignos e benignos.

Suas principais aplicações são:

  • Diagnóstico de pneumonias, tuberculose e outras infecções pulmonares.
  • Investigação de nódulos pulmonares e tumores.
  • Avaliação de derrames pleurais e doenças cardíacas.

 

Patologias abdominais

A avaliação do abdômen por meio dessa modalidade permite a detecção de doenças no fígado, rins, pâncreas, intestinos e demais órgãos do sistema digestivo. Dependendo do caso, podem ser solicitadas radiografias simples, ultrassonografias, tomografias ou ressonâncias magnéticas.

A ultrassonografia é o método mais utilizado na avaliação inicial de dores abdominais, principalmente para casos de suspeita de cálculos biliares ou problemas ginecológicos. Já a ressonância magnética é essencial na investigação de doenças hepáticas e pancreáticas.

Suas principais aplicações são:

  • Identificação de cálculos renais e biliares.
  • Diagnóstico de tumores hepáticos, pancreáticos e intestinais.
  • Avaliação de apendicites, obstruções intestinais e hérnias.

 

Saúde bucal

A radiologia odontológica auxilia no diagnóstico e tratamento de problemas nos dentes, ossos da face e articulações temporomandibulares. Os principais exames nessa área são a radiografia panorâmica, a tomografia computadorizada de feixe cônico e a radiografia periapical.

A tomografia de feixe cônico revolucionou a odontologia, permitindo imagens tridimensionais detalhadas para cirurgias complexas e reabilitação oral.

Suas principais aplicações são:

  • Avaliação de cáries, fraturas e infecções dentárias.
  • Planejamento de implantes e tratamentos ortodônticos.
  • Investigação de disfunções da articulação temporomandibular (ATM).

 

Tratamentos minimamente invasivos

Diferente das demais aplicações, a radiologia intervencionista não se limita ao diagnóstico, mas atua também no tratamento de doenças. Utilizando métodos minimamente invasivos guiados por imagem, os médicos realizam procedimentos sem necessidade de grandes cirurgias.

Os procedimentos são feitos com auxílio de fluoroscopia, ultrassonografia ou tomografia, permitindo alta precisão e menor tempo de recuperação para os pacientes.

Suas principais aplicações são:

  • Angioplastia e colocação de stents em artérias obstruídas.
  • Biópsias guiadas por imagem, como as de mama e fígado.
  • Embolizações, utilizadas no tratamento de miomas e tumores.

 

As inovações tecnológicas que estão transformando o setor

Esta é uma das áreas médicas que mais se beneficiam da inovação tecnológica. O avanço dos equipamentos de imagem, a digitalização dos exames e o uso de inteligência artificial estão revolucionando a forma como os diagnósticos são feitos, tornando os processos mais rápidos, precisos e acessíveis. Além disso, novas substâncias e técnicas estão aprimorando a qualidade das imagens, permitindo diagnósticos cada vez mais detalhados.

 

Inteligência artificial na interpretação de exames

A inteligência artificial (IA) vem transformando o setor ao auxiliar na interpretação de exames de imagem. Algoritmos treinados conseguem detectar padrões em radiografias, tomografias e ressonâncias magnéticas com uma precisão cada vez maior, muitas vezes identificando lesões sutis que poderiam passar despercebidas.

Suas principais aplicações são:

  • Detecção precoce de câncer de mama, pulmão e próstata.
  • Análise de fraturas e alterações ósseas em radiografias.
  • Auxílio na diferenciação entre tumores benignos e malignos.

Embora a IA não substitua o radiologista, ela funciona como uma ferramenta de apoio, reduzindo o tempo de análise e aumentando a segurança do diagnóstico.

 

Impressão 3D baseada em imagens médicas

A impressão 3D tem sido utilizada para transformar exames de imagem em modelos físicos detalhados. A partir de tomografias e ressonâncias magnéticas, é possível criar réplicas exatas de órgãos, ossos e tecidos, auxiliando no planejamento cirúrgico e no ensino médico.

Suas principais aplicações são:

  • Planejamento pré-operatório em cirurgias ortopédicas, cardíacas e oncológicas.
  • Desenvolvimento de próteses personalizadas.
  • Simulação de procedimentos complexos em treinamento médico.

Essa tecnologia melhora a precisão das cirurgias e reduz riscos, proporcionando uma abordagem mais personalizada para cada paciente.

 

Radiologia digital e armazenamento em PACS

O armazenamento digital de imagens trouxe mais eficiência para a modalidade. O PACS (Picture Archiving and Communication System) é um sistema que permite o arquivamento, compartilhamento e análise remota de exames, eliminando a necessidade de filmes físicos.

Estes são os benefícios da radiologia digital:

  • Acesso rápido e seguro aos exames, de qualquer lugar.
  • Melhor qualidade de imagem e possibilidade de manipulação digital para análises mais detalhadas.
  • Redução de custos e do impacto ambiental ao eliminar a necessidade de filmes radiográficos.

O PACS também facilita a integração entre diferentes especialidades médicas, permitindo uma abordagem multidisciplinar no tratamento dos pacientes.

 

Uso de contrastes e novas substâncias para aprimorar imagens

Os meios de contraste são substâncias utilizadas para melhorar a visualização de determinadas estruturas no exame de imagem. Atualmente, novos contrastes mais seguros e eficientes estão sendo desenvolvidos, reduzindo reações adversas e ampliando as aplicações clínicas.

Estes são os principais tipos de contraste:

  • Iodado – utilizado em tomografias para destacar vasos sanguíneos e órgãos.
  • Gadolínio – usado em ressonâncias magnéticas para realçar tecidos específicos.
  • Microbolhas – aplicadas na ultrassonografia para avaliar a circulação sanguínea.

O aprimoramento dos contrastes permite diagnósticos mais detalhados, especialmente em casos de tumores, doenças cardiovasculares e neurológicas.

 

Laudos médicos à distância

A telerradiologia é uma das maiores inovações da área, permitindo que exames sejam analisados à distância por radiologistas especializados. Essa tecnologia é essencial para regiões que possuem poucos profissionais, garantindo acesso rápido a laudos e diagnósticos.

As vantagens da telerradiologia são:

  • Maior agilidade na entrega de laudos, reduzindo o tempo de espera dos pacientes.
  • Possibilidade de acesso a especialistas em qualquer parte do mundo.
  • Maior cobertura em locais remotos ou com déficit de radiologistas.

Com a digitalização dos exames e o avanço da inteligência artificial, a telerradiologia tende a se tornar ainda mais eficiente, facilitando o acesso a diagnósticos de alta qualidade em qualquer lugar.

 

Como se tornar um profissional da área?

Esta é uma área que exige formação específica, seja para atuar na realização de exames, na interpretação de imagens ou no desenvolvimento de novas tecnologias. Dependendo do nível de atuação, a formação pode variar desde cursos técnicos até especializações médicas avançadas. Cada profissional desempenha um papel fundamental dentro do setor, garantindo a qualidade dos exames e a precisão dos diagnósticos.

 

Técnico em radiologia

O técnico em radiologia é responsável por operar equipamentos de imagem, posicionar pacientes corretamente e garantir que os exames sejam realizados de forma segura e eficaz. Para atuar nessa função, é necessário concluir um curso técnico, que geralmente tem duração de dois anos e inclui disciplinas sobre anatomia, física das radiações e protocolos de segurança.

Esse profissional pode trabalhar em hospitais, clínicas, laboratórios e unidades de diagnóstico por imagem. No entanto, ele não tem autorização para interpretar exames ou emitir laudos, pois essa atribuição é exclusiva do médico radiologista.

 

Graduação em radiologia

A graduação em radiologia forma tecnólogos, profissionais com um nível de formação superior ao técnico, permitindo uma atuação mais ampla dentro do setor. O curso dura, em média, três a quatro anos e aprofunda conhecimentos sobre diferentes modalidades de imagem, gestão de serviços e novas tecnologias aplicadas ao diagnóstico.

O tecnólogo em radiologia pode assumir cargos de coordenação em serviços de imagem, atuar na pesquisa e desenvolvimento de novas técnicas radiológicas e até mesmo dar aulas em instituições de ensino. No entanto, assim como o técnico, ele não pode interpretar exames nem emitir laudos.

 

Residência médica em radiologia

Para se tornar médico radiologista, é necessário cursar a faculdade de medicina, que dura seis anos, e depois ingressar em um programa de residência médica em radiologia e diagnóstico por imagem, com duração de três anos. Durante esse período, o médico aprende a interpretar exames de imagem, acompanhar casos clínicos e trabalhar em conjunto com outras especialidades médicas.

A residência envolve treinamento prático intensivo em diferentes modalidades, como tomografia, ressonância magnética, ultrassonografia e radiologia intervencionista. Ao final do programa, o médico pode optar por se subespecializar em áreas como neurorradiologia, radiologia musculoesquelética ou radiologia oncológica.

 

Pós-graduações e especializações

Tanto tecnólogos quanto médicos radiologistas podem buscar especializações para aprofundar seus conhecimentos em áreas específicas. No caso dos tecnólogos, as pós-graduações costumam focar em gestão de serviços de imagem, radiologia industrial e novas tecnologias. Já os médicos radiologistas podem se especializar em segmentos como radiologia pediátrica, mamografia, radiologia cardiovascular e diversas outras áreas.

A constante evolução do setor faz com que a atualização profissional seja indispensável. Novos equipamentos, técnicas e protocolos surgem regularmente, exigindo que os profissionais estejam sempre aprimorando seus conhecimentos.

 

Técnico, tecnólogo e médico radiologista: qual a diferença?

Apesar de trabalharem na mesma área, técnico, tecnólogo e médico radiologista possuem formações e responsabilidades distintas. O técnico opera os equipamentos e auxilia na realização dos exames, enquanto o tecnólogo tem um papel mais amplo, podendo atuar na gestão de serviços e na pesquisa. O médico radiologista, por sua vez, é o único profissional autorizado a interpretar exames e emitir laudos, sendo responsável pelo diagnóstico das imagens geradas.

Cada um desses profissionais desempenha uma função essencial dentro da área, garantindo que os exames sejam realizados com qualidade e que os pacientes recebam diagnósticos precisos e confiáveis.

 

Médico, técnico e residente discutindo possíveis achados em um exame de imagem.

 

Mercado de trabalho e oportunidades de carreira

Este setor oferece um mercado de trabalho amplo e dinâmico, com oportunidades para diferentes níveis de formação. Desde hospitais e clínicas até institutos de pesquisa e ensino, os profissionais da área encontram diversas possibilidades de atuação. Além do diagnóstico por imagem tradicional, existem segmentos mais específicos, como a radiologia veterinária e forense, que ampliam ainda mais o campo de trabalho.

 

Onde os profissionais podem atuar?

Os profissionais podem atuar em hospitais públicos e privados, clínicas especializadas, laboratórios de diagnóstico por imagem e centros de pesquisa. Os técnicos e tecnólogos em radiologia são essenciais para a operação dos equipamentos, garantindo que os exames sejam realizados com segurança e qualidade. Já os médicos radiologistas trabalham na interpretação das imagens, fornecendo diagnósticos precisos para diversas especialidades médicas.

Além desses locais, a modalidade também está presente em unidades móveis de atendimento, empresas de telerradiologia e na indústria, onde é aplicada na inspeção de materiais e processos produtivos. A demanda por profissionais da área segue em crescimento, impulsionada pelo avanço da tecnologia e pelo aumento da necessidade de exames de imagem na medicina moderna.

 

Medicina veterinária

A radiologia não se limita à medicina humana. Na veterinária, exames de imagem são fundamentais para o diagnóstico de fraturas, doenças cardíacas, tumores e alterações nos órgãos internos de animais de pequeno e grande porte. Técnicos e médicos veterinários especializados em radiologia utilizam equipamentos como raios X, ultrassonografia e tomografia computadorizada para avaliar cães, gatos, cavalos e até animais silvestres.

Essa área tem crescido consideravelmente, acompanhando o aumento da preocupação com a saúde animal e o avanço das clínicas veterinárias de alta complexidade. Muitos equipamentos usados na radiologia veterinária são semelhantes aos da medicina humana, mas adaptados às particularidades anatômicas dos animais.

 

Investigação criminal

A radiologia forense é um segmento especializado que auxilia na investigação de crimes e na identificação de vítimas. Por meio de exames de imagem, é possível analisar lesões, detectar fraturas antigas, identificar corpos e até mesmo revelar a presença de projéteis ou objetos estranhos no organismo.

A tomografia computadorizada e a radiografia são amplamente utilizadas na medicina legal, permitindo reconstituir imagens do corpo sem a necessidade de autópsias invasivas. Esse tipo de exame é especialmente útil em investigações criminais, desastres de grande porte e identificação de pessoas desaparecidas.

 

Carreira acadêmica e pesquisa

Para aqueles que desejam seguir um caminho voltado ao ensino e à inovação, a carreira acadêmica e a pesquisa em radiologia oferecem oportunidades promissoras. Universidades e centros de pesquisa buscam constantemente profissionais qualificados para ministrar aulas e desenvolver estudos sobre novas técnicas de imagem, inteligência artificial aplicada à área e aprimoramento de equipamentos.

A pesquisa na área tem impacto direto na evolução da medicina diagnóstica, resultando em exames mais rápidos, seguros e eficientes. Além disso, o avanço da radiologia digital e da telerradiologia tem impulsionado novas descobertas, ampliando ainda mais as possibilidades de atuação dos profissionais que escolhem essa vertente.

 

Como a proteção radiológica garante exames mais seguros

A segurança radiológica é um dos pilares fundamentais da modalidade, garantindo que o uso da radiação seja feito de forma controlada e segura tanto para os pacientes quanto para os profissionais da área. A exposição à radiação ionizante deve ser minimizada sempre que possível, utilizando técnicas de proteção, equipamentos adequados e o cumprimento rigoroso das normas de segurança. A adoção de medidas preventivas reduz os riscos de efeitos adversos da radiação e assegura a qualidade dos exames sem comprometer a saúde.

 

Princípios ALARA (As Low As Reasonably Achievable)

O conceito ALARA – “tão baixo quanto razoavelmente exequível” – é a base da proteção radiológica. Ele estabelece que toda exposição à radiação deve ser mantida no menor nível possível, sem comprometer a eficácia dos exames. Para isso, são adotadas três estratégias principais:

  1. Tempo: reduzir o tempo de exposição à radiação, tanto para pacientes quanto para profissionais.
  2. Distância: aumentar a distância entre a fonte de radiação e o profissional sempre que possível, já que a intensidade da radiação diminui com a distância.
  3. Blindagem: utilizar barreiras de proteção, como aventais de chumbo e paredes revestidas com materiais específicos, para evitar a dispersão da radiação.

Essas medidas são essenciais para minimizar os efeitos da radiação e garantir um ambiente seguro em serviços de radiologia.

 

Efeitos da radiação ionizante no corpo humano

A radiação ionizante pode causar danos celulares, especialmente em exposições prolongadas ou repetitivas. Os efeitos podem ser divididos em determinísticos, que ocorrem acima de um determinado limiar de dose e incluem queimaduras e alterações na medula óssea, e estocásticos, que não possuem um limiar definido e aumentam o risco de câncer a longo prazo.

A maioria dos exames radiológicos utiliza doses de radiação extremamente baixas, tornando os riscos mínimos. No entanto, a exposição excessiva sem controle pode levar a efeitos prejudiciais, como alterações genéticas e danos ao DNA celular. Por isso, o uso adequado da radiação é essencial para garantir sua aplicação segura na medicina.

 

Paciente com avental de chumbo para realizar raio x do braço

 

Normas de segurança e uso de EPIs em radiologia

As normas de segurança da área são regulamentadas por órgãos nacionais e internacionais, como a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Essas diretrizes estabelecem limites de dose, protocolos de segurança e a necessidade do uso de equipamentos de proteção individual (EPIs).

Os principais EPIs utilizados pelos profissionais incluem:

  • Aventais de chumbo, que protegem o tronco e órgãos vitais.
  • Protetores de tireoide, para reduzir a exposição dessa glândula sensível à radiação.
  • Óculos plumbíferos, que protegem os olhos contra a radiação dispersa.
  • Luvas de chumbo, usadas em procedimentos que exigem proximidade com a fonte de radiação.

Além disso, os ambientes radiológicos devem contar com blindagens adequadas, sinalização de risco e monitoramento da dose de radiação recebida pelos profissionais, garantindo que os limites seguros não sejam ultrapassados.

 

Cuidados especiais para gestantes e crianças

A exposição à radiação em gestantes e crianças exige atenção redobrada, pois esses grupos são mais sensíveis aos efeitos da radiação ionizante. No caso de mulheres grávidas, a realização de exames radiológicos deve ser cuidadosamente avaliada, evitando a exposição do feto sempre que possível. Quando um exame é essencial, podem ser aplicadas técnicas que minimizem a dose recebida pelo abdômen materno.

Para crianças, a preocupação está na maior suscetibilidade dos tecidos em desenvolvimento aos efeitos da radiação. Protocolos específicos, como o “Image Gently”, orientam a redução da dose em exames pediátricos, ajustando os equipamentos e utilizando métodos alternativos, como ultrassonografia e ressonância magnética, sempre que viável.

Radiologista: o que faz, como se especializar e desafios da profissão

Quem pensa que o trabalho de um radiologista se limita a “analisar exames” está enganado. Essa é, aliás, uma visão bastante limitada sobre o papel desse profissional. 

O radiologista não apenas interpreta imagens; ele traduz sinais invisíveis ao olhar comum, em diagnósticos concretos que podem mudar o curso de um tratamento. A responsabilidade é enorme e, em muitos casos, vital.

Aliás, na prática clínica, médicos de outras áreas frequentemente recorrem ao radiologista para esclarecer dúvidas cruciais. Seja um trauma abdominal mal explicado, um nódulo pulmonar suspeito ou uma dor persistente de origem incerta… lá está o radiologista, diante da tela, analisando cada pixel como se fosse uma pista em um quebra-cabeça. Não é raro que dê o veredito final.

E se você está considerando seguir essa carreira ou apenas tem curiosidade sobre o que exatamente faz um radiologista, este artigo pode te ajudar. Porque, acredite, por trás da imagem há um universo de conhecimento, técnica e tomada de decisão.

 

Formação e especialização

Para se tornar radiologista, o caminho é longo, como em boa parte das especialidades médicas. Tudo começa com o curso de Medicina, que por si só já exige dedicação total por, no mínimo, seis anos. 

Após a graduação, o médico precisa prestar prova de residência médica e ser aceito em um programa específico de Radiologia e Diagnóstico por Imagem. Essa residência tem duração de três anos.

Durante esse período, o médico residente é exposto a uma rotina intensa, com plantões, discussões de casos, relatórios e acompanhamento de pacientes. Ele aprende a operar diferentes modalidades de imagem, como raio-X, ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética. É também quando começa a desenvolver a habilidade de correlacionar achados de imagem com dados clínicos.

Se o profissional quiser, há ainda a possibilidade de seguir subespecializações. Alguns optam por se aprofundar em neurorradiologia, outros preferem o sistema musculoesquelético, radiologia intervencionista, ou mesmo áreas pediátricas. 

Essas subáreas exigem formação adicional, geralmente por meio de fellowships ou programas de pós-residência.

No Brasil, o título de especialista é concedido pela Associação Médica Brasileira (AMB) em conjunto com o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), após aprovação em exame. 

Esse título é um diferencial importante, além de ser frequentemente exigido por instituições de saúde de grande porte.

 

Modalidades de imagem

A atuação do radiologista é diversificada e depende diretamente da modalidade de imagem utilizada. Cada técnica possui indicações, vantagens e limitações. A escolha correta, aliás, é parte essencial do raciocínio clínico do profissional e não apenas uma etapa operacional do processo.

O raio-X, por exemplo, é uma técnica consagrada, acessível e de baixo custo. Ainda é largamente usado em emergências e consultas iniciais, principalmente para avaliar fraturas, doenças pulmonares e alterações abdominais mais evidentes. Mas seus detalhes são limitados e é aí que entram as outras modalidades.

A tomografia computadorizada (TC) e a ressonância magnética (RM) revolucionaram a prática médica. A TC, com sua rapidez e capacidade de detalhar estruturas ósseas e órgãos internos, é indispensável em traumas e em situações de urgência. Já a RM oferece maior resolução para tecidos moles e permite análises mais sofisticadas de cérebro, articulações e medula.

Por sua vez, a ultrassonografia continua sendo uma ferramenta extremamente útil, especialmente em obstetrícia, ginecologia e avaliação de partes moles. Por ser portátil, é frequentemente usada à beira do leito em hospitais e UTIs, o que exige, claro, que o radiologista esteja preparado para diferentes contextos de trabalho.

 

Radiologista atuando em uma sala de tomografia

 

Rotina e ambiente de trabalho

O dia a dia do radiologista pode variar bastante dependendo do local em que atua. 

Em hospitais, a rotina tende a ser mais dinâmica, com atendimento emergencial e interpretação de exames urgentes. 

Já em clínicas especializadas ou centros de diagnóstico por imagem, o trabalho costuma seguir horários mais regulares e envolve maior volume de exames eletivos.

Grande parte do tempo é passada em frente ao computador. Isso mesmo, quem imagina que radiologista vive em salas cheias de máquinas se surpreende ao ver que ele passa horas em frente a monitores de alta resolução, lendo laudos e discutindo achados com outros médicos. Inclusive, a comunicação interdisciplinar é uma parte crucial da rotina.

Continuando, existe também uma crescente tendência de trabalho remoto na radiologia. Com o avanço da telemedicina, muitos profissionais podem realizar laudos à distância, recebendo imagens digitalmente de qualquer lugar do mundo. Isso amplia os horizontes e permite flexibilidade, mas também exige responsabilidade redobrada, já que o isolamento pode dificultar o contato direto com equipes médicas.

Por outro lado, quem escolhe a radiologia intervencionista terá uma vivência mais próxima ao centro cirúrgico. Essa subárea realiza procedimentos minimamente invasivos guiados por imagem, como biópsias, drenagens e até tratamentos vasculares. A rotina é mais ativa, com contato direto com os pacientes e participação em decisões terapêuticas.

 

Desafios da profissão

Ser radiologista envolve uma carga de responsabilidade que nem sempre é visível. Afinal, um erro de interpretação pode levar a um diagnóstico equivocado e isso impacta diretamente no tratamento e no prognóstico do paciente. 

A pressão por acurácia é constante, e o volume de exames pode ser exaustivo em certos contextos.

Outro desafio que não fica de lado é a necessidade da atualização constante. A medicina evolui rápido, e a radiologia ainda mais. Novas técnicas, softwares de reconstrução de imagem, inteligência artificial… tudo isso precisa ser assimilado rapidamente. O profissional que não acompanha essas mudanças corre o risco de se tornar obsoleto.

Existe também a questão do reconhecimento. Embora seja peça fundamental na cadeia de cuidado ao paciente, o radiologista muitas vezes é “invisível” para o público em geral. Não há aquele contato direto com o paciente que outras especialidades têm, o que pode ser frustrante para alguns, mas absolutamente confortável para outros.

Por fim, há o desgaste físico e mental de longas horas em frente ao computador, lidando com imagens que exigem atenção absoluta. É um trabalho solitário na maior parte do tempo e isso nem todo mundo está preparado para encarar.

 

Perspectivas de carreira

A radiologia continua sendo uma especialidade valorizada no mercado médico. A demanda por exames de imagem segue em crescimento, especialmente com o envelhecimento da população e a busca crescente por diagnósticos precoces. Isso mantém o radiologista em posição estratégica dentro dos sistemas de saúde.

Em termos financeiros, os rendimentos variam bastante de acordo com o tipo de vínculo, região do país e carga horária. Médicos autônomos ou que atuam em grandes centros costumam ter ganhos mais elevados, especialmente em clínicas privadas. Já os que atuam exclusivamente no serviço público enfrentam limitações salariais mais conhecidas.

A carreira acadêmica em universidades e hospitais-escola também é uma possibilidade interessante. Muitos radiologistas se envolvem com pesquisa e ensino, contribuindo com a formação de novos profissionais e desenvolvimento de novas técnicas. 

Para quem busca uma especialidade de bastidores, mas com impacto clínico profundo, a radiologia é uma escolha promissora. Não exige exposição direta ao risco cirúrgico, mas oferece desafios intelectuais diários, além de uma integração constante com praticamente todas as áreas da medicina.

Contraste Radiológico: o que é, exames, reações e cuidados

Para uma melhor visualização da imagem gerada a partir de exames, pode ser solicitado a administração do meio de contraste – também conhecido como contraste radiológico, que é melhor caracterizado com o uso da radiação ionizante, quando radiopacos.

Há tipos diferentes de contrastes que podem ser utilizados e que possuem uma variedade de composição química que acabam sendo escolhidas com relação ao tipo de exame que será feito.

Sua administração pode ser feita via oral, retal, venosa ou diretamente na área desejada (fístula cutânea por exemplo).

Apesar de se tratar de uma ferramenta útil, há riscos em sua utilização. Isso porque o contraste pode causar efeitos colaterais nos pacientes e desencadear reações alérgicas, queda de pressão arterial sistêmica e etc. Por isso, seu uso só deve ser feito em casos específicos, sob supervisão médica e com indicação adequada.

Com o intuito de elucidar este assunto, preparamos este conteúdo com os pontos abaixo.

 

Índice


  1. O que é
  2. Como surgiu
  3. Importância do uso na radiologia 
  4. Tipos e classificações
  5. Principais perigos no uso
  6. Como evitar as reações
  7. Principais exames
  8. Cuidados e contraindicações

 

1. O que é contraste radiológico


contraste radiológico por injeção

Os exames contrastados tratam-se de exames radiológicos que utilizam uma substância chamada contraste radiológico capaz de evidenciar melhor as partes do corpo que serão analisadas. Dentre os exames mais comuns que utilizam contraste, estão as radiografias, tomografias e a ressonância magnética.

O contraste radiológico é eficiente para realçar os tecidos que, em geral, não apareceriam tão nítidos nos exames de imagem sem o uso do mesmo.

 

2. Como surgiu o contraste radiológico


Wilhelm Conrad Roentgen. Photogravure. Wellcome V0027091

Um ano após o raio X ser inventado, o físico alemão Wilhelm Conrad elaborou uma pesquisa que incitava o uso da substância. Wilhelm compartilhou seu conhecimento por meio de um artigo “Sobre uma nova espécie de raios“, em 1895.

Ainda nesse ano, a primeira radiografia foi realizada, sendo uma imagem da mão esquerda da mulher de Conrad. Na época, o fato de poder observar o corpo por dentro sem que uma cirurgia fosse necessária, impactou a medicina. No entanto, não levou muito tempo até que médicos e também cientistas percebessem que as imagens radiográficas possuíam um certo tipo de limitação devido às sobreposições do corpo e das diferenças entre as densidades de tecido.

Assim, para quem desejasse observar os ossos, por exemplo, as imagens eram melhores. No entanto, quem desejasse ver estruturas de partes moles, enfrentava mais dificuldades.

Portanto, um ano depois da divulgação do artigo de Wilhelm, foi realizado um teste pela primeira vez com contraste. Este, era um raio X feito em um porco e que exibiu o estômago do animal junto a seu intestino. O processo foi feito com o órgão cheio de subacetato de chumbo.

Em 1897, foi realizado um dos primeiros estudos sobre a radiopacidade de agentes de contraste. Assim, foi possível realizar comparações de elementos como os de iodeto de potássio e subnitrato de bismuto.

Em 1918, o primeiro exame de contraste iodado em humanos foi feito e manipulado por via intravenosa.

Desde então, muitos testes foram realizados ao longo do tempo, até que em 1960 passou-se a usar três compostos:

  • acido metrizóico;
  • triiodado;
  • metal acetamido benzóico.

Apenas depois de mais alguns anos que o contraste iodado virou padrão.

 

3. Importância do contraste na radiologia


exame de imagem com contraste radiológico

Imagens radiográficas são construídas de acordo com a densidade do que capturam. Por isso, os ossos que são mais densos se destacam mais (ficam mais brancos) e os órgãos que são menos densos (ex: pulmões), absorvem menos radiação e ficam escuros nas imagens.

Dependendo do que se pretende visualizar, se não houver a administração do contraste, não há como realizar a avaliação diagnóstica adequada, e todo seguimento do paciente pode ser prejudicado.

Como exemplo, na avaliação de veias e artérias o contraste é fundamental para determinar a via percorrida pelo sangue e saber se em algum lugar há uma obstrução ou qualquer outro tipo de problema nestas estruturas.

 

4. Tipos e classificações dos contrastes radiológicos


Os contrastes podem ser classificados por conta de suas propriedades, sua aptidão de absorção e seus componentes químicos. Assim, podemos dividir os contrastes, por exemplo, quanto à sua radiodensidade (radiopacos ou radiotransparentes), ionização (iônicos ou não iônicos), osmolaridade, etc.

Como exemplo, os contrastes iodados podem ser manipulados por via oral, retal ou então intravenosa. Facilita, por exemplo, a avaliação das seguintes estruturas:

  • aparelho digestório;
  • trato urinário;
  • vasos sanguíneos;

Os contrastes iodados possuem dois subtipos, iônico e não iônico. Os de composto iônico possuem uma maior osmolaridade em relação ao composto não iônico, o que aumenta a chance  de reações adversas.  Desta maneira, como regra, os contrastes iodados não iônicos tendem a ser mais seguros.

O sulfato de bário é um contraste que tem indicação de uso no trato digestivo e geralmente não apresenta reações adversas relevantes prejudiciais, quando bem indicado. Sua administração é por via oral ou retal.

O gadolínio é o contraste utilizado na ressonância magnética. É raro apresentar efeitos colaterais relevantes e é ótimo para detectar tumores e infecções.

 

5. Principais perigos no uso de contraste radiológico


reação alérgica

Apesar de os exames realizados com contraste serem cada vez mais seguros, as chances que eles têm de causarem reações adversas de quem os utiliza ainda é real. Abaixo, veja alguns exemplos:

 

Reação cutânea

Caracterizada pelo aparecimento de urticária, edema na pele, prurido.

Reação sistêmica ou local mais grave

Anafilaxia e edema de glote.

Efeitos tóxicos da substância:

  • Pele: com dores locais, vermelhidão, inchaço e crescimento de “caroços”;
  • Estômago e intestino: enjoos, vômitos ou disenteria;
  • Rins: diminuição da produção da urina;
  • Cérebro: cefaleia, vertigem, confusão mental;
  • Pulmões: fadiga, crises de asma;
  • Coração: pressão alta, descompasso, parada cardíaca.

Reações vasomotoras, relacionadas com a ansiedade e dor na hora de aplicar, por exemplo, levando a:

  • queda de pressão;
  • diminuição de batimentos;
  • desmaios;
  • confusões mentais;
  • calafrios.

Os efeitos adversos, em geral, se relacionam também com doses ou a concentrações do tipo de contraste usado. Eles também podem acabar variando de acordo com a rapidez de infusão e meio de utilização da substância química.

Quando um sinal ou sintoma de reação adversa aparece é necessário que o tratamento seja instituído rapidamente pela equipe médica do hospital.

Uma maneira para evitar que esse tipo de situação aconteça é perguntando se o paciente possui algum tipo de alergia. Caso positivo, pode-se oferecer medicamentos antialérgicos antes dos exames.

 

6. Como evitar as reações


Em pacientes que apresentam maior risco para desenvolver reações adversas, pode ser feito o protocolo de dessensibilização de contraste, administrando medicações como os corticoides e anti-histamínicos antes da realização do exame (o protocolo de dose e tempo de administração antes do exame varia de serviço para serviço).

Em todo o caso, antes de todo exame contrastado a ser realizado, é necessário que o paciente responda um questionário a fim de, principalmente, identificar possíveis reações adversas que o mesmo possa ter.

Além disso, pode ser necessário que o paciente faça provas para avaliação da função renal, visto que a maior parte do contraste de administração endovenosa é eliminado por esta via.

 

7. Principais exames que utilizam contraste


o que é tomografia computadorizada

Dentre os principais exames que utilizam o contraste radiológico, estão:

Tomografia computadorizada: usa-se, em geral, o contraste iodado. Este exame é bastante comum para detectar doenças no cérebro, pulmão, fígado, rins, entre outros.

Ressonância magnética: utiliza-se o gadolínio. É um bom método para se avaliar os ossos e quase todos os órgãos do corpo.

Angiografia: neste exame, utiliza-se o contraste iodado para que se possa avaliar de forma detalhada os vasos sanguíneos e suas patologias, como o aneurisma ou arteriosclerose.

Urografia: um exame para avaliação do trato urinário, incluindo a capacidade funcional dos rins.

Estudo radiográfico com contraste do trato gastrointestinal: costuma-se fazer uso do sulfato de bário como contraste (a depender da indicação clínica).

Colangiografia: é um exame direcionado para avaliação das vias biliares. Neste caso, faz-se o uso do contraste iodado.

 

8. Cuidados e contraindicações do contraste radiológico


Conforme o tipo de contraste que será utilizado, há algumas contraindicações (relativas ou absolutas) – principalmente no uso de contraste iodado.

Pessoas com diabetes que fazem uso de metformina tem ressalvas quanto a utilização do contraste, pois esta medicação (metformina) pode diminuir a eliminação do contraste radiológico pelos rins. O caso deve ser avaliado pela equipe médica.

Pacientes com suspeita de perfuração de víscera oca não podem utilizar o sulfato de bário como contraste. Isso porque, essa é uma substância que pode causar uma extrema reação inflamatória quando em contato com as superfícies serosas (pleura e peritônio).

As reações, como mostramos, podem ser diversas, desde mais leves a mais graves. Por isso, é importante que o local que realiza a administração do contraste tenha um preparo especial para atender o paciente caso ocorram efeitos adversos.

Durante ou após o exame contrastado, podem surgir:

  • irritações na pele;
  • edema nos olhos e no rosto;
  • náuseas;
  • vômitos;
  • enjoos;
  • disenteria;
  • vertigem;
  • cefaleia;
  • aumento ou queda de pressão;
  • convulsão;
  • dispneia;
  • tosse;
  • pigarro;
  • voz rouca;
  • arritmia;
  • insuficiência renal.

 

Conclusão


Conhecemos e entendemos mais sobre o que é o contraste radiológico, como ele surgiu, os tipos existentes e para que eles servem.

Vimos também que diferentes tipos de exames pedem diferentes tipos de contraste. Para saber qual utilizar deve-se avaliar a situação do paciente e seu histórico clínico.

É fundamental que o exame com contraste aconteça apenas em locais que possuam meios para atendimento de eventuais reações adversas.

Raio X Abdominal: o que é e para que serve?

O raio X abdominal pode ajudar o médico a avaliar possíveis condições na cavidade abdominal, incluindo:

  • estômago;
  • fígado;
  • baço;
  • rins;
  • ureteres;
  • bexiga;
  • intestino.

Também conhecido como radiografia abdominal, o exame é fundamental na avaliação de uma variedade de sintomas, como dores abdominais (CID K92.1), náuseas (CID R11), vômitos (CID R11.1) ou diarreia (CID A09), contribuindo significativamente para o diagnóstico de diversas condições gastrointestinais.

O raio X abdominal é de rápida execução e muito útil na avaliação dos pacientes, sobretudo em ambiente de emergência.

Via de regra, não é impositivo nenhuma preparação especial do paciente para realização do exame.

Falaremos um pouco desse estudo tão importante a seguir.

 

O que é radiografia e o que é raio X?

Radiografia é um método de diagnóstico por imagem que tem como princípio técnico de sua realização a utilização de raios X (pequenas doses de radiação ionizante são usadas nas estruturas de interesse e a partir daí geram-se as imagens).

Os exames de raio X podem utilizar material de contraste à base de iodo ou bário, administrados por via intravenosa, retal ou oral.

Essas substâncias são radiopacas, ou seja, ao serem administradas, melhoram a visualização dos órgãos por onde passam.

A radiografia é o método diagnóstico mais antigo e mais aplicado na medicina.

Identifica muito bem fraturas ósseas, corpos estranhos, obstrução intestinal, gás na cavidade abdominal ou torácica, e etc.

 

Para o que é indicado o raio X abdominal?

ilustração de paciente com problemas abdominais

O médico pode solicitar uma radiografia abdominal quando o paciente apresenta sintomas como:

  • náuseas (episódios agudos ou crônicos);
  • vômitos;
  • dores abdominais;
  • alteração do hábito intestinal (intestino preso ou diarreia);
  • avaliação de cálculos renais ou biliares;
  • fraturas ósseas;
  • presença de líquido na cavidade abdominal.

 

Como é o exame de raio X abdominal?

De acordo com a suspeição clínica e patologias de interesse que se procura na radiografia abdominal, o médico deve orientar o paciente se é necessário ou não a realização de algum preparo antes do exame.

É importante ressaltar que o médico também deve ser informado pelo paciente sobre o uso de medicamentos ou realização recente de outro raio X.

Isso porque o uso recente de material contrastado, como por exemplo o bário, pode afetar a nitidez da imagem.

Para realização do exame, o paciente deve remover qualquer joia e, em alguns casos, colocar uma vestimenta especial.

Na maioria dos protocolos de exame, ele se deita normalmente, de costas para a mesa e fica imóvel.

O raio X pode ser feito em vários ângulos, a depender da patologia que se está investigando.

O exame de raio X abdominal, desde o posicionamento até a aquisição e de imagens, geralmente é concluído em menos de 15 minutos.

A exposição à radiação geralmente é inferior a um segundo.

 

Há riscos na radiografia abdominal?

É normal que o paciente sinta-se preocupado com a exposição à radiação em qualquer exame de raio X.

Brevemente dispomos a máxima de que os benefícios superam, de longe, os os riscos.

Aliás, a exposição a essa radiação é tão baixa quanto a que estamos expostos em diversas outras fontes naturais de radiação no ambiente.

Além disso, o paciente também usa um avental de proteção durante a realização do exame.

 

Grávidas e crianças podem realizar um exame de raio X abdominal?

Para não expor o bebê à radiação, não é recomendado que mulheres grávidas ou com suspeita de gravidez realizem o exame de raio X abdominal.

Isso porque, devido à sua localização, os ovários e o útero ficam expostos à radiação, o que é maléfico.

Portanto, a ultrassonografia é uma alternativa comum e segura para mulheres grávidas que necessitam de avaliação abdominal.

No caso das crianças, elas podem sim realizar um exame de raio X abdominal.

Para isso, é permitido que algum responsável pela criança acompanhe-a durante o exame, vestindo um avental de chumbo para proteção da radiação.

 

O que o raio X abdominal pode diagnosticar?

especialistas conversando sobre raio x abdominal

Um exame de raio X abdominal pode indicar muitos diagnósticos, dentre os principais estão:

  • aneurisma da aorta abdominal (AAA), que é o alargamento do principal vaso sanguíneo do corpo que fornece sangue à região abdominal;
  • nefrocalcinose, condição em que ocorre acúmulo de cálcio no parênquima do rim;
  • cálculo renal, condição que pode obstruir as vias urinárias e gerar dor;
  • cálculo biliar, condição que pode gerar inflamação da vesícula biliar;
  • obstrução intestinal, condição que gera parada de eliminação de gases e fezes;
  • líquido na cavidade abdominal, condição conhecida como ascite, que pode ser decorrente de patologias como cirrose, insuficiência cardíaca, dentre outras;
  • pneumoperitônio, que é o gás livre na cavidade abdominal, achado que pode ser decorrente da perfuração de alguma víscera oca por exemplo.

O raio X abdominal também é utilizado para diagnosticar outras lesões em tecidos e órgãos da região abdominal.

Aliás, pode ser utilizado também para localizar “objetos” que foram engolidos, por exemplo.

Auxiliam também na localização de um tubo ou cateter que eventualmente foi colocado para permitir a drenagem ou a administração de fluidos e gases.

 

Como é o aparelho de raio X abdominal?

aparelho para realização do raio x abdominal

Raios X são “formas” de radiação, como ondas de luz ou de rádio.

Os raios X passam pela maioria das estruturas, incluindo os órgãos do corpo.

Uma vez que a máquina de raio X está alinhada com a região do corpo que será avaliada, o aparelho gera um pequeno feixe de radiação que passa pelo corpo humano e registra a imagem em um filme.

Normalmente, o aparelho usado para raio X abdominal consiste numa mesa em que o paciente se deita e em uma máquina de radiografia que fica suspensa sobre ele.

Sob a mesa, há uma gaveta que armazena a imagem.

 

Como é a imagem de um raio X abdominal?

As imagens do raio X abdominal variam de acordo com a densidade das estruturas intracavitárias.

É possível observar na imagem: acúmulo de fluídos, obstruções, objetos estranhos, cálculos (na vesícula biliar, bexiga, rins ou ureteres).

O médico radiologista (especialista na avaliação de imagens) analisa essas imagens e procura por indícios que ajudem a diagnosticar qualquer uma destas condições.

O médico solicitante discute com o radiologista esses achados para, enfim, definir os próximos passos para o tratamento.

Dependendo dos achados, é normal que seja solicitado outros exames de imagem para melhor avaliação, como por exemplo a tomografia computadorizada de abdome.

 

Exame contrastado: como funciona, tipos e possíveis reações

O exame contrastado é muito comum, mas ainda causa muitas dúvidas no público em geral, em especial para quem não tem muito contato com a área da saúde.

São vários os tipos de contrastes que são utilizados nos exames para as  indicações específicas e riscos específicos.

Para alguns tipos de exames de imagem, o contraste é vital para que se possa ter uma melhor leitura e apresentar um diagnóstico de maior qualidade.

Se você tem dúvidas quanto ao uso do contraste, além de suas funções e recomendações, continue lendo este conteúdo para que elas sejam esclarecidas.

 

O que é um exame contrastado?

exame contrastado

Exame contrastado é o exame que utiliza contraste radiológico para que se possa obter uma melhor caracterização (realce) das estruturas anatômicas do corpo nas imagens.

Radiografias, tomografias, ressonância magnética e ultrassom são métodos de imagem em que podem ser utilizados o contraste radiológico, que, por vezes, permite melhor avaliação dos tecidos.

 

Como surgiu o exame contrastado?

Logo depois da descoberta do raio X, iniciaram-se os estudos do contraste radiológico.

Como na época os recursos eram limitados, era preciso de algo que pudesse realçar outras partes menos densas do corpo humano.

O raio X foi uma invenção muito útil que permite a avaliação do corpo humano sem que houvesse a necessidade de usar um procedimento invasivo.

Como as imagens da época não possuíam a tecnologia que temos hoje, logo foi preciso procurar outros meios de ver o interior do corpo com mais clareza, seguindo a ideia de procedimentos não invasivos.

Então, um ano depois da publicação do artigo de Röentgen sobre o raio X, iniciou-se o primeiro teste com uso de contraste.

A experiência foi feita usando o estômago e o intestino de um porco, ambos utilizando subacetato de chumbo, em um raio X.

Apenas em 1918 é que o primeiro contraste iodado com iodeto de sódio foi usado por via intravenosa e somente em 1960 é que três compostos passaram a ser usados em conjunto, são eles:

  • Ácido metrizóico;
  • Triiodado;
  • Metal acetamido benzóico.

 

Para que serve o exame constratado?

contraste radiológico por injeção

Como dissemos, alguns exames de imagens podem ter uma certa limitação.

E essa limitação, dependendo da área a ser examinada, pode acabar prejudicando a conclusão do diagnóstico.

Quando os exames de raio X, por exemplo, são para observar fraturas, não é preciso o uso de contraste por conta do osso ser bastante denso e de boa avaliação ao método.

Ou seja, será possível vê-lo com nitidez na imagem.

Por outro lado, quando o exame de imagem for para avaliar uma víscera oca por exemplo, um raio X tradicional por ser inconclusivo, visto que tais estruturas não aparecem tão densas nesse método.

Dessa forma, se não houver o uso do contraste, pode ser mais difícil e por vezes impossível a avaliação adequada destas estruturas.

Com contraste administrado via oral, retal ou intravenosa, é possível realizar um exame contrastado e por seguinte produzir imagens mais  nítidas da área a ser examinada (trato digestivo e vasos sanguíneos, por exemplo).

Vale lembrar que o mesmo (contraste) é expelido por meio da urina e das fezes.

 

Quais os tipos de contraste mais administrados? 

Como já dito, são vários os tipos de contrastes administrados.

Sua escolha e uso são feitos a partir de sua capacidade de absorção, de sua composição química, avaliação de reações adversas e órgãos a serem examinados.

Os agentes de contraste radiopacos ou positivos elevam a chance de absorver a radiação ionizante.

Já os contrastes radiotransparentes ou negativos, fazem com que essa capacidade seja menor.

O bário, por exemplo, é um contraste positivo e o ar negativo.

Existem contrastes iodados e não iodados.

O bário e o gadolínio são um dos principais exemplos de contrastes que não são iodados.

Veja as especificações abaixo.

  • Contraste iodado: administrado por via oral ou intravenosa, realça órgãos ocos do aparelho digestivo bem como órgãos sólidos através da irrigação sanguínea. Podem ser ou não iônicos. Em geral, os não iônicos são mais seguros que os iônicos (estes últimos geram mais efeitos colaterais).
  • Contraste baritado (a base de bário): mais indicado para avaliação de vísceras ocas. Pode-se administrá-lo por via oral ou retal – quando restrito às vísceras ocas é seguro sua utilização. Entretanto, em casos de fístulas para as cavidades peritoneal e pleural, por exemplo, o bário pode causar uma intensa reação inflamatória (no peritônio e pleura).
  • Gadolínio: usados em exames de ressonância magnética e raramente geram reações alérgicas. Bastante útil para avaliar todos os órgãos do corpo, como por exemplo para detectar tumores e infecções.

 

Exames contrastados podem causar efeitos colaterais?

enjoo apos exame contrastado

Podem sim surgir alguns efeitos colaterais após a realização do exame contrastado.

Por isso, antes de realizá-lo, é importante que se faça uma pesquisa para investigar se a pessoa tem maior ou menor chance de ter algum tipo de reação alérgica.

Em todo caso, é importante que o exame contrastado ocorra em um centro de imagem preparado para fazer o atendimento de emergência dos pacientes que tiveram reação.

Em grande parte dos casos, as reações não são graves.

Na verdade, ter algum tipo de reação forte é muito incomum.

Abaixo, veja as reações que podem acontecer após um exame contrastado:

  • dores no estômago;
  • diarreia;
  • náusea;
  • vômito;
  • prisão de ventre;
  • coceira;
  • pele vermelha;
  • inchaço na garganta;
  • confusão;
  • dor de cabeça;
  • pressão alta ou baixa.

 

Como se preparar para o exame contrastado?

Antes de mais nada, o médico responsável deve observar o histórico clínico de cada paciente para verificar se ele possui algum tipo de alergia, se faz uso de remédios, se tem algum tipo de doença ou algo que tenha chance de gerar complicações.

Recomenda-se jejum antes de exames com uso de contraste intravenoso (caso o paciente tenha uma reação mais grave após a administração de contraste, o estômago deve estar vazio para evitar broncoaspiração).

O tempo de jejum varia de serviço para serviço.

Em geral, recomenda-se jejum de no mínimo 6 horas.

Se o paciente apresentar maior risco de se ter uma reação alérgica com o uso do contraste, é recomendado que seja feito um preparo antes da realização do exame contrastado endovenoso.

Esse preparo é feito com o uso de medicamentos corticoide e anti-histamínicos.

Ademais, se o exame contrastado feito solicitar uso de sulfato de bário, a recomendação feita é para que não se coma nada algumas horas antes.

Depois do exame contrastado ter sido realizado, recomenda-se que o paciente beba bastante água para ajudar na eliminação mais rápida do contraste pelo organismo.

 

Quais são os tipos de exames contrastados? 

Dentre os diversos tipos de exames contrastados, são os mais comuns:

  • Angiografia: utiliza-se o contraste iodado na avaliação dos vasos sanguíneos. Utilizado para detectar doenças como arteriosclerose, estenoses vasculares e aneurismas;
  • Ressonância magnética: o contraste utilizado é o gadolínio, permitindo melhor avaliação dos órgãos e suas patologias.
  • Tomografia computadorizada: o contraste utilizado é o iodado em sua maioria, permitindo melhor avaliação dos órgãos e suas patologias.
  • Urografia: Feita com iodo, tem como foco avaliar a função renal e vias coletoras.
  • Histerossalpingografia: avalia o sistema reprodutor feminino. Usa-se o contraste iodado. Muito usado para investigar infertilidade e anomalias;

 

Existe contraindicação em relação ao exame contrastado?

Tudo vai depender das condições clínicas do paciente e do tipo de contraste que será administrado.

Em alguns casos o contraste é sim contra-indicado.

Por exemplo, diabéticos que fazem uso de medicamentos com cloridrato de metformina devem ficar atentos, visto que o iodo combinado com a medicação pode prejudicar a eliminação do contraste pelo organismo após a sua administração.

Pessoas que possuem alergia a iodo também devem se atentar ao uso da substância (e fazer preparo antes do exame se o histórico for de reação alérgica leve ou moderada).

Se o histórico for de reação alérgica grave (como por exemplo edema de glote e choque anafilático), o contraste está contra-indicado.

Além disso, pacientes com algum grau de insuficiência renal devem ter sua função renal avaliada para saber se é permitida a administração do contraste endovenoso.

Para pacientes que possuem suspeita de vísceras perfuradas, o uso do bário é contraindicado pelo risco de este se estender para cavidades peritoneal, pleural e mediastinal, gerando um processo inflamatório grave.

 

Exames de imagem: 8 tipos mais comuns e para que servem

Na medicina, os exames de imagem são muito importantes para ajudar no diagnóstico  e tratamento das doenças, sendo tais recursos fundamentais.

A radiologia e diagnóstico por imagem é uma especialidade da medicina que utiliza técnicas que envolvem em seu maioria radiação para adquirir imagens do corpo humano, e assim dos seus órgãos específicos, para sua avaliação.

Os profissionais que participam na execução dos exames de imagem, com criação de seus protocolos e técnicas de realização, são os técnicos, biomédicos e radiologistas. Os radiologistas, são médicos especializados em diagnóstico por imagem, que analisam as imagens e, por fim, firmam os diagnósticos finais.

Ao todo, podemos determinar 8 procedimentos distintos de diagnóstico por imagem e eles podem ser divididos em dois grupos: os que utilizam radiação ionizante, como o raio-x e tomografia computadorizada, e os que utilizam radiação não ionizante (como a ressonância magnética).

A seguir, você poderá ter um melhor entendimento sobre cada deles.

 

O que é

Exames de imagem são procedimentos da Radiologia e Diagnóstico por Imagem que possibilitam a observação detalhada dos órgãos do corpo humano para auxiliar em diagnósticos e tratamentos. Grande parte deles permite que o corpo seja analisado de forma não invasiva e indolor.

Dependendo de qual for o exame de imagem, pode-se obter imagens estáticas (raio x e tomografia) ou dinâmicas (ultrassonografia).

Abaixo, você pode conferir alguns dos exames de imagem mais comuns.

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Angiografia

ultrassonografia

A angiografia é um exame de imagem direcionado para avaliação dos vasos sanguíneos. Necessita da administração de contraste radiológico por via intravenosa.  Assim, aliada a radiografia, pode-se visualizar os vasos sanguíneos de uma parte específica do corpo, como dos membros inferiores por exemplo. Em adição, essas imagens podem ser geradas ou realizadas no formato de vídeo, podendo assim se avaliar de forma dinâmica o “caminho” do contraste no vaso sanguíneo.

 

Radiografia

radiografia

A radiografia, feita através de raios X (radiação ionizante), é um dos exames de imagem mais utilizados na Medicina. É rápido e de fácil execução. Suas imagens ajudam no diagnóstico de enfermidades no paciente, sendo muito bom para avaliação de fraturas, alterações do parênquima pulmonar, gás na cavidade torácica e abdominal, dentre outros.

O raio X é realizado a partir da emissão de radiação ionizante que atravessa os tecidos do organismo e, desta maneira, conseguem captar e construir uma imagem. Em determinadas situações, pode ser necessária a utilização de contraste radiológico, que permite a distinção de estruturas específicas do corpo. Os tipos de contraste utilizados são, geralmente, compostos de bário ou de iodo (substâncias radiopacas).

Você pode saber mais sobre a radiografia, neste artigo: Raio X: 08 Dúvidas Sobre o Recurso para Diagnóstico mais utilizado na Medicina

 

Mamografia

mamografia

A técnica de realização da mamografia é similar ao da radiografia comum. A mamografia é um importante exame de imagem que auxilia no diagnóstico do câncer de mama. Isso porque, o ele permite detectar nódulos radiodensos e microcalcificações nos seios, achados que podem indicar câncer de mama.

Você pode saber mais sobre a mamografia, neste artigo: Mamografia: Tudo Sobre o Exame e Como Funciona

 

Ressonância Magnética

ressonancia magnetica

Este é um método diagnóstico na radiologia que não utiliza radiação ionizante (utiliza radiação não ionizante, especificamente a eletromagnética). O que é utilizado aqui são pulsos de radiofrequências junto com um campo magnético que possibilita a formação da imagem.

O aparelho de Ressonância Magnética é capaz de estimular e organizar os átomos de hidrogênio (contido nas moléculas de água) do corpo do paciente. A partir das ondas eletromagnéticas emitidas “de volta” pelos átomos de hidrogênio, o aparelho de ressonância capta esse sinal e processa as imagens.

Este exame de imagem é indicado para avaliar:

  • Ossos;
  • Estruturas do mediastino (como o coração);
  • Parede torácica;
  • Órgãos abdominais;
  • Estruturas musculares e tendíneas;
  • Vasos sanguíneos.

Você pode saber mais sobre a ressonância magnética, neste artigo: Ressonância Magnética: Guia Completo e Ilustrado

 

Ultrassonografia

ultrassonografia

Realizada através do ultrassom. Este exame de imagem é utilizado para produzir imagens através de ondas sonoras de alta frequência e se baseia na captação da reflexão dessas ondas. Dessa maneira, as ondas não produzem radiação ionizante e não oferecem qualquer risco à saúde. Por isso, é um muito utilizado na população em geral, sobretudo em crianças e gestantes.

O uso da ultrassonografia pode ser feito para avaliação de órgãos internos como o fígado, rins, vesícula biliar, estruturas musculares, vasos sanguíneos, tireoide, dentre outros.

Saiba mais sobre a ultrassonografia aqui: Ultrassonografia: como funciona e para que serve o exame de ultrassom

 

Tomografia Computadorizada

tomografia computadorizada

A tomografia computadorizada é um método de exame de imagem que utiliza também a radiação X, bem como computadores que detectam e organizam o sinal obtido com a emissão dessa radiação, formando, então, as imagens.

O aparelho possui um tubo (gantry) que gira 360° em torno do paciente emitindo a radiação necessária para a captação e formação da imagem. Softwares desenvolvidos para realizar essa “formação” de imagem conseguem produzir reconstruções 2D, em variados planos, e 3D.

Leia sobre a tomografia computadorizada (TC): O que é Tomografia Computadorizada

 

Densitometria Óssea

densitometria ossea

Este é um tipo de exame de imagem que avalia as alterações da composição óssea (como

), bem como da composição corporal dos demais tecidos (quantificação de gordura e de massa magra).

Saiba mais: Densitometria Óssea: o que é, como interpretar e como funciona o exame?

 

Medicina Nuclear

medicina nuclear

Medicina nuclear é um exame de imagem realizado por meio de imagens obtidas através de sinais oriundos com essência em isótopos radioativos, que são administrados no organismo. Assim, é possível avaliar a fisiologia e o metabolismo de um órgão e identificar a existência de células disfuncionais, como células cancerígenas (que em geral apresentam um maior metabolismo e vão concentrar mais esses isótopos em suas células).

Leia sobre medicina nuclear neste artigo: Medicina Nuclear: O Que É, Como Funciona e o Cenário Atual

Angiografia: o que é e como o exame é realizado?

Angiografia é um exame que utiliza raios X para visualizar e analisar possíveis alterações relacionadas aos vasos sanguíneos.

Tem como objetivo diagnosticar doenças como aneurismas e estenoses.

Ela pode ser feita em muitas partes do corpo humano.

O local do exame irá depender da doença que o médico está tentando diagnosticar e do problema que está sendo observado.

Alguns dos locais mais utilizados para a realização do exame são: cérebro, pulmão, coração e membros inferiores.

Em todas as situações, é utilizado o contraste radiológico que irá realçar o vaso sanguíneo do paciente nas imagens.

A angiotomografia utiliza a tomografia computadorizada a base de contraste para o estudo dos vasos sanguíneos.

Tem o mesmo princípio físico da angiografia, e também utiliza contraste.

Esse não é um procedimento é tão difundido pois é considerado invasivo, podendo ser solicitado quando há suspeita de alguma doença vascular por parte do médico.

Em geral, somente é solicitado quando os outros exames por imagem (como ultrassonografia, tomografia, raio x ou ressonância) não são suficientes para chegar ao diagnóstico.

 

Como funciona a angiografia?

preparação para exame de angiografia

Este não é um exame simples.

Ao contrário de outros exames para diagnóstico, é considerado um exame invasivo, já que utiliza cateteres e agulhas que são inseridos no paciente.

Quando uma angiografia é realizada, por exemplo, o paciente recebe uma anestesia local para “não sentir” o cateter sendo introduzido em seu corpo.

Ela começa com a introdução de um cateter em uma veia profunda do corpo (com maior calibre), geralmente no pescoço ou virilha.

Como regra, o paciente permanece acordado durante todo o exame (eventualmente em alguns procedimentos envolvendo o sistema nervoso central o paciente pode ser sedado).

É necessário que o paciente fique o mais imóvel possível durante o exame, visto que por se ter um cateter dentro do seu corpo, qualquer movimento pode prejudicar a qualidade do exame, gerando artefatos.

O cateter é um tubo de tamanho pequeno que será introduzido até o local de interesse nos vasos sanguíneos.

Assim, depois de injetado o contraste, o médico irá adquirir diversas radiografias (imagens) da área de interesse, e onde houver contraste nos vasos sanguíneos, aparecerá como imagens radiopacas (mais claras, brancas), decorrente do contraste.

 

Quanto tempo dura uma angiografia?

paciente sendo preparado para uma angiografia

Toda preparação de um exame de angiografia pode durar, em média, duas horas, pois deve ser feito com muita calma pelo médico para não trazer nenhum problema ao paciente.

Envolve uma preparação pré e pós procedimento, relacionada a orientação e assepsia do paciente por exemplo.

Além disso, por ser um exame invasivo, requer muito mais atenção e cuidado, visto que qualquer dúvida ou artefato na imagem que  fique, o exame terá que ser repetido.

O tempo pode ser maior, caso o paciente esteja um pouco ansioso, por exemplo.

Nesses casos, pode ser dada uma medicação para que o paciente se acalme, tornando possível a realização do exame.

Apesar de ser demorado, quando ele acaba, muitas vezes o paciente pode retornar logo à sua casa, não precisando ficar mais tempo no hospital, por não ter tomado nenhum agente anestésico mais sistêmico.

Ocorre ainda, que o paciente irá precisar tomar um ponto onde o cateter foi inserido, junto com um curativo.

 

Como se preparar para o exame?

Para realizar o exame de Angiografia, é solicitado ao paciente um jejum de aproximadamente oito horas (esse tempo pode variar de um serviço para outro), visto que o exame pode causar náuseas, especialmente se for necessário o uso de um tranquilizante.

Caso o paciente não esteja em jejum, ou seja, esteja de estômago cheio, pode acabar vomitando e / ou broncoaspirando o conteúdo gástrico gástrico (resíduos alimentares).

Em alguns casos, dependendo do problema que o paciente esteja tendo, é preciso tomar alguns remédios antes de realizar o exame, para que ele seja feito com segurança, como por exemplo medicações para regulação da pressão e da coagulação sanguínea.

Por isso, é fundamental que o paciente passe para o médico que irá realizar o exame as medicações que faz uso, para que, dessa forma, possa ser preparado da melhor maneira possível para o procedimento.

 

Cuidados pós angiografia

Apesar da angiografia não ser uma operação, é um exame invasivo que faz um cateter percorrer os vasos sanguíneos do paciente.

Por isso, é interessante sim ele ter um certo cuidado depois do exame.

O mais recomendado é que o paciente não faça nenhum tipo de atividade física nas 48 horas que sucedem o exame, ficando em repouso, para que se reduzam os riscos de sangramento.

Além disso, se o paciente parar de tomar algum remédio (anticoagulante, por exemplo) para fazer o exame, é necessário que ele espere que o médico o libere para voltar a tomar a medicação.

 

Quais os riscos de uma angiografia?

Ao se deparar com as informações sobre o exame de angiografia, é natural que essa seja uma das principais questões levantadas pelo paciente.

Entretanto, como falamos anteriormente, é um exame que é feito com muita técnica e atenção, de forma que não oferece muitos riscos.

Uma das coisas que podem ocorrer é uma reação alérgica ao contraste.

Entretanto, os médicos já estão preparados para isso e possuem medicações para serem administradas no paciente para tratar tal condição, se necessário.

Também pode ser feito um preparo antes do exame para diminuir as chances do paciente apresentar reação alérgica ao contraste.

No mais, é preciso saber se o paciente tem algum problema além de alergia ao contraste, como diabetes, problemas renais e hipertensão arterial.

Outro problema possível que pode ocorrer é um sangramento um pouco mais forte onde o cateter foi inserido.

Mas a equipe que faz o procedimento também já está preparada para esta eventual complicação.

 

Quais são os tipos de angiografia?

exame de angiografia sendo realizado

São muitos os tipos de angiografia.

Cada um irá variar de acordo com os sintomas e o motivo do paciente estar fazendo aquele exame.

Portanto, separamos aqui alguns dos principais tipos de angiografia realizados, e quais os seus principais objetivos.

É importante ressaltar que a angiografia, em geral, é solicitada quando os outros exames menos invasivos não foram suficientes para a elucidação diagnóstica.

Ou seja, quando uma ressonância, tomografia, ultrassonografia ou raio x não forem suficientes para identificar o problema e concluir o diagnóstico.

Como regra, o médico irá tentar optar pelo método tanto menos invasivo quanto  possível, antes de partir para a angiografia.

 

Angiografia cerebral

A angiografia cerebral é um dos tipos de angiografia mais utilizados pelos médicos, por ser um ótimo recurso para se identificar alguns problemas de circulação no cérebro.

Portanto, esse tipo de exame pode auxiliar no diagnóstico de algumas doenças, como por exemplo:

  • Aneurisma cerebral;
  • Tumor no cérebro;
  • Hemorragia cerebral;
  • Identificar a presença de coágulos responsáveis pela ocorrência de AVC;
  • Estreitamento das artérias cerebrais.

 

Angiografia pulmonar

A angiografia pulmonar é um exame útil para diagnosticar problemas relacionados à circulação pulmonar.

Portanto, pode ser realizado nas seguintes situações:

  • Malformações vasculares do pulmão;
  • Aneurisma das artérias pulmonares;
  • Embolia pulmonar;
  • Tumores no pulmão.

 

Angiografia cardíaca

A angiografia cardíaca é fundamental para identificar e evitar diversos problemas no coração, como um “ataque cardíaco” (infarto do miocárdio).

Pode diagnosticar:

  • Alterações e problemas nas valvas cardíacas;
  • Defeitos cardíacos congênitos;
  • Redução da circulação sanguínea no coração;
  • Estreitamento das artérias do coração;
  • Identificação de coágulos que podem ser responsáveis por infarto no coração.

 

Angiografia ocular

A angiografia ocular é um exame que gera imagens do fundo de olho do paciente, após a administração de fluoresceína ou indocianina verde em sua veia.

Pode diagnosticar:

  • Retinopatia diabética;
  • Degeneração macular;
  • Tumores nos olhos;
  • Presença de coágulos.

 

Manifestações da COVID-19 em exames de imagem

Está claro que a COVID-19 é uma doença que acomete vários órgãos do corpo humano, com predileção para o trato respiratório, sobretudo os pulmões.

O processo fisiopatológico das manifestações da COVID-19 nos pulmões  pode ter início pela expressão dos receptores da enzima conversora de angiotensina 2 (ACE2). Ela é um receptor de entrada para o vírus, que, por fim, pode desencadear a instalação de síndrome respiratória aguda grave.

As manifestações da COVID-19 nos exames de imagem podem aparecer já na fase inicial ou em fases mais tardias da doença. Como manifestações na TC de tórax, pode-se ter opacidades em vidro fosco, consolidações, e menos frequentemente derrame pleural ou pericárdico.

Sabe-se que o vírus pode acometer vários órgãos e tecidos, gerando inúmeros danos no organismo, e este artigo tem como objetivo falar um pouco mais sobre as representações desses danos nos exames de imagem.

 

Manifestações comuns da COVID-19

sintomas comuns da covid-19

A COVID-19 é conhecida pelo fato de ser uma doença que causa problemas respiratórios. Também, ela também pode apresentar manifestações como:

 

Manifestações cardíacas

manifestacoes cardiacas covid-19

A COVID-19 gera efeitos prejudiciais no sistema cardiovascular. As complicações podem incluir:

Dessa forma, pacientes que possuem doenças como hipertensão, obesidade, diabetes, entre outras, estão mais expostos e são pacientes de maior risco.

Cerca de 20 a 30% dos pacientes internados podem ter lesões miocárdicas. Essas lesões estão associadas a doenças mais graves e também a uma taxa de mortalidade maior.

Um bom exame para avaliação do miocárdio (músculo cardíaco) e sua função é a ressonância cardíaca, ficando sua indicação a critério do médico assistente.

 

Manifestações neurológicas

manifestacoes neurologicas da covid-19

A COVID-19 também causa lesões neurológicas, gerando sinais, sintomas e sequelas, tais como:

  • dor de cabeça;
  • alteração do nível de consciência;
  • Epilepsia;
  • acidente vascular cerebral; (AVC);
  • perda de memória

 

Quando o paciente apresenta um quadro neurológico, sobretudo agudo ou subagudo, pode ser feita uma avaliação por neuroimagem, para avaliar melhor uma eventual anormalidade cerebral orgânica. Portanto, exames como tomografias e ressonância acabam sendo realizados.

Dentre os exames que podem ser feitos para avaliar lesões neurológicas temos TC e RM do crânio, com ou sem contraste (exames que podem detectar AVC, sangramentos intracranianos, trombose, etc).

O uso de contraste nestes exames pode ser algo bastante útil, permitindo uma melhor avaliação na detecção de condições mais específicas, como por exemplo a encefalite (uma “inflamação cerebral”).

 

Manifestações abdominais

manifestacoes abdominais covid-19

Órgãos sólidos como rins, baço e fígado, também podem ser acometidos pela COVID-19.

Da mesma maneira, ainda que a doença seja marcada principalmente pelos sintomas respiratórios, alguns pacientes demonstram sinais e sintomas digestivos que podem incluir diarreia, vômito e dores abdominais agudas.

O material genético da COVID-19 foi identificado nas amostras de fezes de pacientes que foram infectados pela doença. Além disso, alguns resultados de microscopia eletrônica de amostras de biópsias e autópsias puderam confirmar que houve uma replicação viral dentro do intestino delgado e grosso.

As manifestações do trato gastrointestinal da COVID-19 podem aparecer na forma de gastrite, enterite, colite ou então uma combinação destes fatores juntos. Elas acabam sendo resultado de lesões nestas estruturas que acabam produzindo inflamação ou mesmo isquemia da parede do trato gastrointestinal.

A isquemia da parede do intestino na configuração de macro ou micro trombose arterial ou venosa já foi achada em exames de pacientes com a COVID-19. Há relatos de casos de enterocolite e isquemia intestinal em pacientes adultos e enterocolite hemorrágica e necrotizante em bebês com a infecção.

Alguns dos exames para avaliação do trato gastrointestinal podem ser tomografia, radiografia e endoscopia. Esses exames mostram com detalhes as lesões que o vírus provoca.

 

Manifestações pediátricas

manifestacoes pediatricas covid-19

De acordo com o American College of Radiology, crianças imunocompetentes com mais de 3 meses, em bom estado geral e que não precisam de hospitalização, não são, a princípio, candidatas a fazer exames de imagem.

No entanto, no caso da criança não estar respondendo aos cuidados adequados para COVID-19, pode se fazer necessário a realização de alguns exames de imagem.

Em todo o mundo, os casos de crianças contaminadas acabam sendo mais baixos do que em adultos. Além disso, a infecção da COVID-19 nas crianças é de avaliação mais difícil também devido ao viés de seleção relacionado ao teste. Ou seja, alguns dados como característica epidemiológica, taxa de transmissão e características clínicas das infecções são mais difíceis de serem colhidos.

As taxas de hospitalização em crianças também é menor que as de adultos mais velhos. Isso porque os sintomas são menos graves quando comparados aos sintomas causados em pessoas de mais idade. O motivo disso ainda não está tão claro. Um dos fatores parece ser que a carga viral em uma criança acaba sendo mais baixa do que a de um adulto. Grande parte das crianças que precisam de cuidados intensivos, possuem condições clínicas especiais pré-existentes.

 

Conclusão

O vírus SARS-Cov-2 rapidamente atingiu proporções gigantescas e resultou em pandemia. Ele tem sido uma das maiores causas de morbimortalidade dos últimos anos, agindo diretamente no sistema respiratório, gerando sequelas e complicações nos pulmões e em outros órgãos do corpo humano.

O exame de imagem é uma das ferramentas no enfrentamento da doença, com o papel de auxiliar no diagnóstico e avaliação de gravidade das lesões induzidas pelo vírus.