A Radiologia vem passando por rápidas mudanças

A Radiologia passa por uma transformação que levará a redefinir todo o futuro da especialidade. A alta demanda de exames na medicina, a telerradiologia, o achatamento dos preços por exame, a inteligência artificial…

Muitos se preocupam com o futuro da especialidade mas poucos realmente enxergam que a hora de fazer as mudanças trabalharem ao nosso favor é agora.

Risco de “commoditização” da especialidade

Commoditização 2

O exponencial crescimento do volume de exames, o pagamento por produtividade e a pressão para uma entrega cada vez mais rápida são um meio de cultura para enxergar o Diagnóstico por Imagem como um produto indiferenciado de acordo com sua qualidade e cujo preço seja unicamente determinado pela oferta e procura. O maior risco de categorizar o exame de imagem como uma “commodity” é a mudança de direção dos pagadores para os fornecedores de menor custo, INDEPENDENTE da QUALIDADE.

Esta visão tende a encarecer indiretamente o processo de atendimento médico, com baixa otimização dos recursos diagnósticos, levando a diagnósticos equivocados ou à necessidade de se lançar mão de métodos diagnósticos mais caros e com maior risco de não se fazer o diagnóstico correto.  O desafio do radiologista é demonstrar a existência desta QUALIDADE, pois a eficiência do serviço e o preço baixo não se sustentam por si só. Mas como provar o nosso valor?

Além de entregar o melhor produto possível, a um preço viável e no menor prazo, o radiologista precisa assumir novas responsabilidades, impactando diretamente no cuidado ao paciente.

O primeiro passo é melhorar aquilo em que somos especialistasfazer exames, interpretar imagens e entregar o laudo. Falaremos destas questões em outro artigo.

Criar e aprimorar canais de comunicação

O segundo e mais dificil passo é estender nossa participação para a coordenação do cuidado do paciente. Considerando a política do controle de custos, é necessário posicionar adequadamente o Diagnóstico por Imagem num espectro mais amplo no amparo ao paciente, evitando desperdícios e otimizando o tratamento.

São necessárias algumas ações: primeiro, verificar se o laudo realmente chegou ao médico referenciador e se ele realmente entendeu o que está escrito? Se as respostas a estas perguntas forem negativas, o cuidado ao paciente será subótimo e o trabalho do radiologista terá sido inútil. Uma forma de verificar e melhorar o contato com o médico referenciador é introduzir um sistema contínuo de seguimento através de contato com o mesmo. Nos casos em que o radiologista achar necessário, uma mensagem seria enviada ao referenciador através do sistema eletrônico da clínica ou hospital. Isto difere do sistema de “achado crítico” pois este seguimento não ocorre apenas nos casos denominados como “urgentes”, mas sim, nos casos em que a imagem possa determinar uma mudança na conduta terapêutica, independente da urgência. Com isso, o radiologista se engaja no cuidado ao paciente e ao mesmo tempo, melhora a comunicação com o médico referenciador.

Além do  maior contato com os médicos referenciadores, é necessário melhorar a comunicação com o paciente. Por exemplo, introduzir uma via direta de comunicação para informar ao paciente de pronto-socorro que o exame dele demonstrou achados incidentais que necessitem de um cuidado médico. Dessa forma, o radiologista não produz apenas o laudo, ele verifica se o mesmo foi utilizado apropriadamente.

O papel do profissional de imagem precisa ser mais proativo no processo de cuidado ao paciente, permitindo uma maior otimização de recursos, controle de custos e, especialmente, um melhor resultado final no atendimento ao paciente.

Este post é de autoria do Dr. Marcelo Bordalo. Leia-o na íntegra em sua página.

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