dr joao pedro

Sobre Dr. João Pedro

Médico (UFAM) e radiologista (InRad-HC FMUSP).
CRM-SP 201.911

Fraturas ósseas: classificações, diagnóstico e tratamento

O conceito de fratura é a perda da continuidade óssea. Em outras palavras, qualquer quebra ou rachadura no osso é uma fratura.

Na maioria das vezes, essas são o resultado de traumas aplicados aos ossos.

Há, entretanto, algumas nuances que fogem do lugar comum da ideia de que fraturas são causadas por uma força excessiva sobre o osso.

Neoplasias e outras condições clínicas podem levar a fratura de ossos mesmo com forças de baixa intensidade.

Já outras características como o estado da cobertura de pele no local da fratura podem mudar completamente sua forma de tratamento.

Ficou interessado em conhecer mais sobre o assunto? Então continue lendo este conteúdo!

[lwptoc]

O que é

fratura óssea no pé


Fraturas traumáticas são mais usuais, por isso, são a primeira imagem que nos vem à cabeça quando pensamos em um “osso quebrado”, com vários de nós possuindo inclusive experiências pessoais na infância ou mesmo na idade adulta de um dedo ou osso do antebraço fraturado.

O trauma é a causa mais comum de fraturas ósseas, ocorrendo pela ação de uma força que excede a carga de falha do osso.

Além das traumáticas, uma fratura pode surgir de ossos enfraquecidos submetidos a forças de estresse habituais. No local de neoplasias ou até mesmo após uso de medicamentos, por exemplo, a carga imposta por atividades do dia-a-dia podem ser suficientes para fraturar o osso.

Assim a definição, nos livros especializados, de fraturas como a perda de solução de continuidade de um osso é um conceito muito amplo, e que não nos dá muitas informações. Surgem então as classificações e subclassificações, com o objetivo de que a nomenclatura das fraturas ósseas permita mais prontamente, entender a localização, extensão, características e até mesmo as suas causas.

Vamos detalhar algumas dessas classificações, como a região do osso envolvido, características dos traços de fraturas, e outras importantes características para definição de conduta como a distinção de fraturas abertas e fechadas, e por fim, resumidamente passar pela classificação das fraturas atraumáticas que nos dizem muito sobre a causa subjacente.

 

Classificações e subclassificações

imobilizando uma fratura


As fraturas de ossos longos podem acometer qualquer uma das três principais regiões do osso:

  • nas epífises: porções mais próximas às extremidades e às articulações;
  • nas metáfises: região intermediária entre a epífise e a diáfise. Trata-se da porção mais vascularizada dos ossos;
  • nas diáfises: corpo ósseo.

É possível classificar uma fratura de acordo com a morfologia da lesão:

  • Fraturas simples (com traço em espiral, transverso ou oblíquo);
  • Fraturas em cunha;
  • Fraturas multifragmentadas.

O acometimento das articulações também deve ser estudado sempre que o traço de fratura atinge ou encontra-se centrado nas epífises.

Determinar se a fratura é extra-articular, parcialmente articular (quando apesar do traço de fratura atingir a superfície articular, ainda há conexão da epífise articular com o restante do osso) ou completamente articular tem implicações na definição do tratamento da fratura.

 

Fraturas abertas e fechadas

Fratura fechada é quando a pele sobre a fratura encontra-se íntegra, enquanto uma aberta é quando a pele se rompe e o osso fica exposto.

Apesar de simples, esse conceito é definidor de conduta pela maior chance de infecção, associada às fraturas abertas.

O tratamento cirúrgico muitas vezes é imperativo, com condutas variando de cobertura do sítio de fratura com tecidos adjacentes à região exposta, até mesmo a reparos vasculares devido ao dano de partes moles associado.

Para todas as fraturas abertas associa-se tratamento antibiótico. Definir onde o trauma ocorreu pode mudar ainda o espectro de cobertura desse tratamento, com traumas na zona rural necessitando de cobertura contra germes anaeróbios.

 

Fraturas atraumáticas

Vimos que a maior parte das fraturas ocorrem por meio de traumas de alta energia que ultrapassam a capacidade de suportar cargas e absorver energia do osso.

Aquelas fraturas que ocorrem devido a traumas de baixa energia servem como um alerta sobre alguma condição subjacente que enfraqueceu o osso a esse ponto de susceptibilidade.

Alterações metabólicas, a mais comum delas representada pela osteoporose, distúrbios da homeostase mineral óssea, doenças do colágeno e ainda efeitos adversos de medicamentos, sobretudo glicocorticoides, são as causas mais encontradas para esse enfraquecimento.

Fraturas por estresse são um segundo grupo de fraturas atraumáticas que ocorrem como consequência de uma pressão frequente e repetitiva em determinada região óssea. Esse tipo é mais comum em atletas e, na maioria das vezes, atinge os membros inferiores como a tíbia e os metatarsos.

 

Sinais e sintomas

mulher com sintoma de fratura óssea


As fraturas são, de uma maneira geral, bem percebidas pelos pacientes com o contexto do trauma, seguido de dor intensa no local, perda da função do osso afetado, o que depende da região envolvida, acompanhadas ou não de deformidades regionais causadas pelo osso deslocado da sua posição habitual.

Ao notar que algum osso sofreu uma fratura, é essencial imobilizar o membro lesionado. Essa ação evita que o quadro se agrave, além de ajudar a diminuir a dor na região.

Caso a fratura seja exposta, o ideal é cobrir o local com um pano limpo e levar o paciente, o mais rápido possível, para o hospital. Esse tipo de lesão envolve maior risco de contaminação e requer, assim, cuidados extras e imediatos.

 

Diagnóstico


Para diagnóstico definitivo de uma fratura é realizada uma avaliação ortopédica.

Além da integridade óssea, será pesquisada a associação da fratura com disfunções neurovasculares e investigar sinais de lesão de tecidos moles e rupturas na pele da área da lesão.

O ortopedista ditará ainda a necessidade de exames complementares, como radiografias, tomografias ou ainda ressonâncias magnéticas.

 

Tratamento

tratamento de fratura com aparelho de ilizarovs


Além do alívio da dor, o tratamento definitivo das fraturas envolve a sua redução.

Esse termo é utilizado para o ato de realocar o osso em sua posição habitual, o que pode ser feito por meio de uma cirurgia (redução cruenta ou aberta) ou pela manipulação da região sem necessidade de incisões na pele (redução incruenta ou fechada).

A região afetada invariavelmente requer algum período de imobilização que pode variar bastante dependendo do local da fratura.

Há vários tipos de imobilização que podem ser usados nesse período do tratamento, entre elas encontram-se os famosos aparelhos gessados, imobilizando as articulações adjacentes ao traço de fratura.

As imobilizações cirúrgicas podem utilizar fixadores externos, como os fixadores circulares Ilizarov e os fixadores internos pautados no uso de placas e parafusos que fazem a fixação do osso.

Por fim, a fim de restaurar os movimentos do paciente é imprescindível a realização de fisioterapia conforme indicação médica.

O tempo de recuperação total de uma fratura tende a variar bastante e depender de uma série de fatores como a idade do paciente, o osso afetado, tipo de fratura, comorbidades  e capacidade de recuperação individual.

Angiotomografia: o que é, para que serve e como funciona

A angiotomografia, também conhecida como Angio TC, é uma tomografia com contraste intravenoso cujas imagens são adquiridas após um tempo bastante curto depois da administração do contraste, onde ele ainda se encontra no interior das artérias e/ou em um segundo tempo um pouco mais tardio onde o contraste já se encontra no sistema venoso.

Dessa forma, é um método utilizado para a análise dos trajetos, calibres, contornos e opacificação/pervidade dos segmentos arteriais e venosos de diversas regiões do corpo.

Esse é um exame capaz de identificar a anatomia e uma variedade de condições clínicas relacionadas ao sistema circulatório, como por exemplo, aneurismas e obstruções dos vasos sanguíneos.

Um dos fatores que tornam a angiotomografia tão eficaz é a possibilidade de analisar os vasos sanguíneos sem submeter o paciente a métodos diagnósticos mais invasivos.

[lwptoc depth=”2″]

O que é

A Angiotomografia, ou Angio TC, é um exame de imagem que faz uso do aparelho de tomografia computadorizada e do contraste iodado intravenoso em tempos de aquisição específicos para analisar as veias e artérias do corpo do paciente.

Um exame com contraste pode ser útil na análise de estruturas e órgãos diferentes dependendo do tempo decorrido entre a aquisição das imagens e a injeção de contraste através de uma veia periférica. Por meio de radiação ionizante e fileiras de detectores, as imagens são adquiridas pelo tomógrafo, processadas de acordo com as fases de exame solicitadas e organizadas para análise médica do radiologista.

As fases pós-contraste na angiotomografia podem ser feitas com uso de dois tempos principais, o primeiro, é chamado de fase angiográfica, adquirido de maneira tão precoce que a maior parte do contraste ainda se encontra dentro das artérias; o segundo tempo, conhecido como fase venosa, é adquirido de maneira mais tardia para que o contraste tenha chegado aos órgãos e estruturas periféricas, passado através da sua rede de vasos capilares e chegado ao sistema venoso.

Usualmente, adquirem-se também imagens antes da injeção do contraste intravenoso, para avaliação de calcificações ateromatosas nas paredes dos vasos e outras condições mais raras como hematomas parietais, cuja avaliação depende da análise do conjunto de imagens pré e pós-contraste.

 

Tipos

imagem de angiotomografia

Como visto, o foco da análise dos estudos angiotomográficos são os vasos do corpo.

O simples estudo anatômico das artérias e veias tem importância em decisões cirúrgicas como no planejamento de acessos venosos de longa duração em pacientes em tratamento de condições oncológicas, em transplantes renais e hepáticos e mesmo em cirurgias eletivas para que o cirurgião não se surpreenda com variações anatômicas durante o ato cirúrgico.

A investigação de doenças vasculares arteriais como ateromatose, obstruções arteriais agudas, dissecções, estenoses e aneurismas, bem como venosas tais quais tromboses crônicas e agudas são as indicações mais frequentes na prática clínica.

Desde o estudo de processos crônicos como a ateromatose até a investigação de condições clínicas e cirúrgicas dentro de um contexto de urgência e emergência, os exames angiotomográficos são presença constante nas telas dos radiologistas. A seguir, elencamos e fornecemos uma breve explicação de alguns de alguns dos seus usos:

 

Angiotomografia do crânio

A angiotomografia de crânio é frequentemente solicitada em conjunto com a angiotomografia cervical para estudo da circulação carotídea, vertebral e intracraniana.

As imagens podem revelar variações anatômicas, aneurismas, malformações arteriovenosas ou ainda um ponto de obstrução de um segmento arterial dentro da investigação de urgência de um acidente vascular encefálico isquêmico, os conhecidos AVCs ou derrames cerebrais.

 

Angiotomografia Coronariana

As artérias coronarianas são os vasos sanguíneos que levam sangue e nutrem o coração. Seu envolvimento por doença ateromatosa pode levar à isquemia do tecido cardíaco, ou seja, um suprimento sanguíneo aquém do demandado pelo coração, condição conhecida como Infarto Agudo do Miocárdio.

A angiotomografia coronariana é um exame de imagem que pode ser solicitado para diagnóstico de doença ateromatosa coronariana (placas nos vasos do coração) com possibilidade de quantificação dessa e estimativa de risco de eventos cardiovasculares adversos através do Escore de Cálcio, por exemplo, ou acompanhamento de tratamento intervencionistas como angioplastias com ou sem stents e cirurgias de revascularização.

 

Angiotomografia de Tórax

O termo angiotomografia de tórax acaba sendo usado como sinônimo do exame de Angiotomografia das Artérias Pulmonares, ou Protocolo de Tromboembolismo Pulmonar (TEP), no jargão médico. É um exame de imagem dedicado à procura de sinais de trombos agudos e crônicos na circulação arterial pulmonar de suas consequências, como sobrecarga das câmaras cardíacas direitas e infartos do parênquima pulmonar.

 

Angiotomografia da Aorta

A aorta é a maior artéria do corpo. Ela conecta o coração (ventrículo esquerdo) ao restante do corpo através dos seus múltiplos ramos.

Trata-se de uma estrutura especialmente vulnerável a uma série de condições clínicas, como ateromatose, aneurismas, dissecções traumáticas e vasculites devido ao seu comprimento, calibre e relações com estruturas vizinhas que por vezes a tornam mais fixa em alguns segmentos, os quais podem funcionar como componentes de forças de cisalhamento durante traumas.

A angiotomografia da aorta é o exame de imagem de escolha nessas avaliações. A análise do segmento torácico e abdominal da aorta costuma ser solicitada em conjunto com a pelve para estudo das artérias ilíacas comuns, ramos terminais diretos da aorta abdominal.

Após terapêuticas como a interposição de endopróteses e a próteses por meio de cirurgia abdominal convencional para tratamento de aneurismas e dissecções, por exemplo, o exame costuma também ser solicitado como forma de acompanhamento periódico.

 

Angiotomografia de membros inferiores

De maneira similar ao estudo angiotomográfico de outros segmentos distais, a angiotomografia de membros inferiores possui a análise arterial e venosa como possibilidade de estudos. As indicações também se sobrepõem ao que já foi apresentado.

Na fase arterial pode-se procurar por estenoses (estreitamentos) decorrentes de placas ateromatosas ou vasculites, aneurismas – aqui vale a menção ao aneurisma da artéria poplítea, segmento periférico mais frequente de dilatações aneurismáticas – e pontos de oclusão arterial aguda e crônica.

Na fase venosa, mais uma vez, destacam-se as buscas por pontos favoráveis a acessos venosos, e pesquisa de trombose aguda e crônica.

Indicações menos frequentes incluem os estudos de malformações arteriovenosas e do suprimento sanguíneo de tumores.

 

Como a angiotomografia é realizada

imagem de angio tc

O exame começa com a obtenção de um acesso venoso periférico, normalmente alguma veia do braço do paciente, calibroso o suficiente para a injeção do meio de contraste iodado com uma velocidade de cerca de 4 cm/s, necessária para a opacificação adequada do território arterial.

O paciente então, deita-se na maca do aparelho de tomografia para início do exame, ocorre a injeção do contraste por meio da bomba injetora e após os tempos específicos após a injeção do contraste, ocorre a aquisição das imagens.

O relato de sensações de calor com o contraste surgem com certa frequência, não devendo trazer grande preocupação aos pacientes. Caso não se conheça histórico de alergia ao meio de contraste e o paciente esteja realizando o exame pela primeira vez deve-se ter especial atenção ao surgimento de dificuldades para respirar, rouquidão, erupções cutâneas e outros sinais de alergia ao contraste iodado, condições que devem ser imediatamente relatadas pelo paciente para que se preste suporte médico.

 

Duração do exame e contraindicações

O exame de Angio TC tem duração variável, dependendo da quantidade de segmentos estudados, em geral não ultrapassa cerca de dez a quinze minutos.

Clínicas e hospitais costumam enviar recomendações específicas nos dias que antecedem o exame de acordo com os protocolos institucionais.

As principais contraindicações ao exame são falha na obtenção de um acesso venoso periférico e alergia ao meio de contraste iodado.

Em alguns pacientes pode ser muito complicado conseguir acesso em uma veia adequada para injeção do contraste e realização do exame, sobretudo nos pacientes muito emagrecidos por neoplasias, doenças infecciosas como tuberculose, ou ainda que já tenham sofrido múltiplas manipulações venosas como ocorre com certa frequência nos pacientes renais crônicos em terapia dialítica.

Para os pacientes alérgicos há dois caminhos principais a serem avaliados. Caso a reação alérgica tenha sido branda, sem sintomas respiratórios, a equipe médica pode optar após pesar o risco-benefício do procedimento, por um protocolo de dessensibilização para minimizar as chances de uma nova reação.

Alternativamente, caso a reação alérgica tenha sido moderada/grave, situação na qual o protocolo de dessensibilização não costuma estar indicado, a avaliação das veias e artérias pode ser realizada através de estudos ultrassonográficos com Doppler ou com angioressonância magnética, guardando-se as diferenças e limitações de cada método.

Interpretação de Raio X: como funciona e como é realizada

A interpretação de raio X é uma parte muito importante quando o assunto é diagnóstico médico, uma vez que esse exame é frequentemente o primeiro passo na investigação por imagem de um paciente e em muitas localidades, o único método disponível, devido a falta de acessibilidade a métodos de diagnóstico complementares mais avançados, como tomografia computadorizada e ressonância magnética.

A leitura equivocada de uma radiografia pode fazer com que o paciente tenha que passar por exames e investigações desnecessários para se chegar a um diagnóstico definitivo. Por essa razão, é mais do que necessário que os médicos sejam aptos e tenham conhecimento sobre a importância de uma análise bem feita.

Pensando nisso, elaboramos este artigo com algumas informações básicas e importantes que podem ajudar o profissional de saúde a obter um resultado mais eficiente na interpretação de raio X.

Se você tem interesse nesse assunto, então continue conosco.

[lwptoc]

O que é e como funciona o raio X?

realizando raio x

A imagem do exame de radiografia ou “raio X”, como é popularmente conhecida, é gerada através da interação entre a radiação ionizante e o filme/chapa sobre a qual ela incide. Funciona então como se fosse uma foto da parte de dentro do corpo, que pode mostrar os órgãos, vasos, ossos, e outras estruturas presentes.

Em geral, um técnico radiologista realiza o procedimento de forma simples e indolor, com o posicionamento adequado do paciente na frente do suporte e do filme. Quando acionado, o aparelho estimula o conteúdo ionizante no seu interior, que é concentrado em feixes de raio X direcionados para a região do corpo do paciente que será analisada.

Enquanto esses feixes de raios atravessam a região escolhida, uma parte deles será absorvida pelas estruturas do corpo, como os ossos, e outras passarão para o filme quase sem modificação, como os feixes que atravessam os pulmões.

Essa diferença na absorção dos feixes de raio X por estruturas de diferentes densidades, formam as imagens no filme fotossensível. Então, quando os raios chegam com uma intensidade maior na chapa, eles queimam o material fotossensível fazendo com que ele fique mais escuro, já quando chegam em menor intensidade o material fotossensível do filme não sofre alteração significativa, permanecendo em tons mais claros.

 

Por que uma boa interpretação de Raio X faz diferença?

No ano de 2016, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP) aplicou um teste aos médicos recém-formados. Os resultados divulgados pela instituição, permitem a análise de dados muito interessantes. O Conselho divulgou que cerca de 80% dos estudantes não souberam como interpretar um exame de radiografia e por conta disso, erraram a conduta terapêutica em determinada questão.

Como evidenciado pelo exame de ordem do CREMESP, o diagnóstico correto daquilo que se vê é importante na condução geral de um caso clínico e sua interpretação incorreta pode levar a uma cadeia de decisões equivocadas. Dada a frequência com a qual os médicos irão deparar-se com exames de raio numa ampla variedade de condições clínicas e cirúrgicas, é fundamental que se saiba fazer a sua correta interpretação.

 

Vantagens do exame de raio X

O raio X é um exame muito vantajoso, destacando-se principalmente o fato de possuir poucas contraindicações. É ainda um método de conhecimento popular, de forma que costuma ser bem aceito pela população.

Encontram-se entre as principais vantagens de escolher o raio X como um método de diagnóstico:

  • Simplicidade;
  • Rapidez;
  • Método não invasivo;
  • Acessibilidade quando comparada a métodos como TC e RM;
  • Indolor;
  • Pode ser usado na análise de diferentes partes do corpo;
  • Boa visualização das estruturas ósseas;
  • Custo baixo em comparação a outros exames.

 

Tipos mais comuns de exames de raio X

A radiografia, desde o seu surgimento, sempre serviu de método diagnóstico complementar dando suporte aos médicos e outros profissionais da área de saúde, através da possibilidade de ser aplicada no diagnóstico e na condução de uma variada gama de patologias, desde as mais simples às mais complexas.

Tudo isso por mostrar tecidos e órgãos do paciente sem que ele tenha que recorrer a métodos de investigação mais invasivos para descobrir o que há de errado.

As imagens ajudam a detectar fraturas, cáries, pneumonias, dentre uma série de outras doenças. Mas para que tudo isso possa acontecer, é preciso que haja assertividade na interpretação de raio X.

Há vários tipos de exames de raio X que podem ser feitos. Os mais comuns sendo:

 

Raio X do tórax

Provavelmente o Raio X do Tórax seja o exame mais conhecido no imaginário popular! A famosa chapa do tórax permite a análise de algumas estruturas vitais, como por exemplo, o coração, os pulmões, veias e as artérias centrais. A indicação mais frequente desse exame são as afecções inflamatórias e infecciosas dos pulmões e das vias aéreas.

 

Raio X do abdome

O Raio X do Abdome pode fazer a detecção de patologias que aparecem no sistema digestivo ou urinário. Na suspeita de alguns problemas digestivos, pode-se ainda recorrer ao uso de contraste via oral para tornar o conteúdo das alças intestinais mais visíveis.

Sua indicação mais comum é conhecida como rotina do abdome agudo obstrutivo, dado que alguns sinais de obstrução intestinal como distensão das alças podem ser prontamente visualizados nas radiografias do abdome.

 

Raio X da coluna

Os diversos elementos das vértebras (corpo vertebral, pedículos, elementos posteriores) costumam ser muito bem visualizados nas radiografias, tornando-a um exame útil na avaliação da coluna.

Pode ser dividido na análise da coluna cervical, dorsal, lombar e sacrococcígea a depender da indicação clínica. A interpretação de Raio X pode indicar alterações ósseas degenerativas, lesões tumorais suspeitas, fraturas, desalinhamentos, curvaturas patológicas, dentre outras alterações.

 

Fatores que podem influenciar na qualidade da interpretação de raio X 

exame e interpretação de raio x

Além da capacitação dos profissionais para uma boa interpretação das imagens, os equipamentos usados acabam fazendo a diferença, aparelhos mais modernos podem gerar resultados satisfatórios com menor exposição do paciente à radiação, por exemplo.

Como destacado no início desse conteúdo, para que haja a produção da imagem, a radiografia faz uso de uma pequena quantidade de radiação ionizante. Em geral, cada exame expõe o paciente a uma dose muito baixa, e portanto, quando bem indicado pelo médico solicitante, tem uma relação custo-benefício bastante favorável.

Além dos detalhes que foram destacados anteriormente, é muito importante levar em consideração alguns pontos específicos que merecem atenção durante a interpretação de Raio X.

Para garantir que o exame transcorreu da melhor forma possível, é vital que se determine a qualidade da imagem que o equipamento obteve.

Isso acaba fazendo com que erros de análise sejam minimizados. Assim, deve-se levar em consideração pontos como:

 

Rotação

Por definição, a rotação é um aspecto indesejado. Os erros nesse caso costumam acontecer quando o paciente está rotacionado no eixo vertical, inclinado para a esquerda ou direita. O ideal para que a visualização não seja prejudicada, é que o exame não esteja “rodado, como dito no jargão médico.

Os parâmetros para certificar-se que não há rotação no exame podem variar de acordo com o procedimento realizado. No exame de tórax, por exemplo, a ausência de rotação é atestada quando a distância entre a porção medial da clavícula e a linha imaginária traçada entre os processos espinhosos vertebrais são iguais em ambos os lados.

 

Inspiração

Assim como acontece com a rotação, a visualização das imagens acaba sendo afetada quando o paciente não realiza a inspiração de modo correto.

A adequada inspiração permite uma boa expansão do parênquima dos pulmões, facilitando a análise de todos os campos pulmonares de maneira minuciosa.

Uma radiografia de tórax pouco inspirada pode resultar em uma análise bastante limitada ou ainda levar o médico a uma  interpretação equivocada.

 

Penetração

A penetração é outro ponto que se deve avaliar ao realizar um exame de raio X de acordo com cada procedimento feito. Como o próprio nome sugere, diz respeito à capacidade do feixe de raio X de penetrar a matéria, trocando em miúdos, à capacidade que esse feixe tem de atravessar os tecidos do corpo.

Usando a radiografia de tórax novamente como exemplo, diz-se que o exame apresenta uma boa penetração quando se visualizam os corpos vertebrais atrás da silhueta cardíaca.

Quando há baixa penetração, dentre outros elementos que dificultam o processo de interpretação de Raio X, pode-se haver maior dificuldade na detecção de alterações no parênquima pulmonar, como a identificação de nódulos e pneumotórax, por exemplo.

TC de Crânio: o que é e como funciona o exame 

A solicitação de um exame de tomografia computadorizada de crânio, ou TC de Crânio, na investigação de uma dor de cabeça, por exemplo, pode trazer certa apreensão ao paciente. Muito dessa preocupação vem do vínculo imediato no imaginário popular desse exame com a investigação de tumores cerebrais.

Apesar da TC de crânio ser, sim, muito útil na investigação de tumores e de suas complicações, o exame não serve apenas para isso. Seu leque de investigação vai muito além, com aplicações em situações de urgência e emergência, como acidentes vasculares encefálicos, traumatismo cranioencefálico, hemorragias intracranianas e em situações ambulatoriais como investigação de demências e cefaleias.

Sendo assim, ao longo deste artigo, falaremos um pouco mais sobre este exame tão solicitado na prática clínica, de forma a esclarecer seu uso, condições mais frequentemente estudadas nas TC de crânio, as diferenças deste método em relação à ressonância magnética e riscos e benefícios associados.

 

Índice

 

1. O que é TC de crânio


exame de tc de cranio

A tomografia computadorizada de crânio, ou TC de crânio, é um exame não invasivo que faz uso de radiação para obter imagens das estruturas intracranianas, das estruturas ósseas do crânio e das partes moles subcutâneas de um paciente.

O tomógrafo (aparelho utilizado) consiste em uma espécie de maca não-fixa que se movimenta com o paciente através das ampolas de emissão de raio-X e das fileiras de detectores que em um movimento helicoidal, circundam o paciente para aquisição das imagens. As imagens são então geradas e processadas, permitindo a análise pelo médico radiologista das estruturas intracranianas, das estruturas ósseas do crânio e das partes moles subcutâneas.

O primeiro destes equipamentos foi construído em 1972 baseado em um modelo matemático criado por Allan Cormack e Godfrey N. Hounsfield. Essa criação foi tão inovadora que lhes rendeu o prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 1979.

Apesar da utilização da radiação ionizante como nas radiografias simples, a tomografia computadorizada difere dos exames de raio X por realizar uma série de imagens axiais do corpo (como “cortes de um salame”), que podem ser visualizadas de maneira sequencial e reconstruídas em vários planos de visão para melhor análise e interpretação pelo médico radiologista.

A precisão diagnóstica dessas imagens é superior àquela da radiografia para a maioria das condições, sobretudo no crânio.

 

2. Para que serve uma TC de crânio


Como todo exame de diagnóstico por imagem, a utilidade da TC de crânio reside em sanar uma dúvida clínica.

O laudo do médico radiologista ajuda os neurologistas, neurocirurgiões, psiquiatras e geriatras, por exemplo, no diagnóstico e na condução de uma série de condições clínicas.

Os exames de imagem de crânio, dentre os quais a tomografia, encontram-se já validados e inseridos nas condutas e guidelines de diversas doenças. Na investigação inicial da demência, por exemplo, em conjunto com os dados clínicos dos pacientes, o exame de imagem permite descartar condições que falseiam quadros demenciais, como hematomas subdurais crônicos em idosos, ou ainda sugerir causas que possam justificar o quadro clínico do paciente, como atrofia mesial temporal ou demência de etiologia vascular.

O exame é solicitado, portanto, para variadas queixas dos pacientes, dentre as quais dores de cabeça, tonturas, náuseas, vertigens, fraquezas e alterações visuais. Situações de urgência e emergência como acidentes vasculares encefálicos (AVC) e traumatismos cranioencefálicos também respondem por uma importante parte dos casos em que este exame é solicitado.

 

3. Diferença entre a TC e a RM de crânio


A tomografia computadorizada utiliza uma pequena quantidade de radiação ionizante e fileiras de detectores para obtenção de imagens através de reconstruções matemáticas feitas por um computador. Já a ressonância magnética, como seu nome sugere, utiliza conceitos de física diferentes para obtenção de imagens através de pulsos de radiofrequência e campos magnéticos.

Uma segunda diferença se dá no meio de contraste utilizado por cada método. Ambos os exames podem ser realizados sem contraste intravenoso, porém quando necessário, a tomografia faz uso do contraste iodado (a base de iodo), enquanto a ressonância magnética utiliza contraste paramagnético (a base de gadolínio). Isso é  de conhecimento importante no caso de pacientes alérgicos. O paciente alérgico ao contraste iodado não necessariamente apresentará alergia também ao meio de contraste paramagnético.

O tempo de exame costuma variar de exame para exame, de acordo com a doença em questão, mas genericamente, a tomografia costuma durar não mais que 10 a 15 minutos, mais rápido que exames de ressonância, a qual pode levar entre 15 minutos até mais do que uma hora.

As estruturas intracranianas (encéfalo, diencéfalo, tronco encefálico, cerebelo, sistema ventricular) podem ser avaliadas por ambos os métodos, embora a tomografia apresente menor resolução de contraste que a ressonância magnética para essas, nem sempre tal resolução é necessária, e o método mais rápido e menos custoso pode ser suficiente para sanar a dúvida clínica. Estruturas ósseas da base do crânio e da calota craniana, por outro lado, costumam ser melhor avaliadas através da tomografia.

Como visto, existem indicações clínicas para as quais a tomografia é o método mais indicado, e outras para as quais a ressonância trará informações mais valiosas. A tomografia computadorizada e a ressonância magnética de crânio, portanto, não devem ser encaradas como degraus de uma escada, ou seja, um método não é exatamente superior ao outro de maneira geral, devendo sua indicação ser individualizada conforme a patologia e o paciente em estudo.

 

4. Principais doenças investigadas pela TC de crânio


doenças investigados pela tc de cranio

Acidente vascular cerebral (AVC)

O AVC recebe uma série de sinônimos como acidente vascular encefálico (AVE) ou “derrame cerebral“. Pode essencialmente ser dividido em dois tipos: AVC hemorrágico e AVC isquêmico.

O AVC hemorrágico é um sangramento intracraniano, pode ocorrer de maneira primária ou como evolução de um AVC isquêmico.

O AVC isquêmico, por sua vez, ocorre quando há uma interrupção de fluxo sanguíneo para uma região do cérebro, que entra em sofrimento devido a falta de aporte de oxigênio. Pode ocorrer por baixo fluxo global como em afogamentos, asfixias ou após paradas cardiorrespiratórias, ou de maneira mais localizada quando um fragmento de placas ateromatosas se desprendem das artérias carótidas ou do coração e acabam obstruindo pequenos vasos do cérebro. A trombose de veias intracranianas também é uma causa de AVC isquêmico.

A diferenciação entre esses dois tipos é prontamente realizada por uma tomografia de crânio. Outros fatores como o efeito expansivo da hemorragia ou da zona isquêmica e de edema, que podem causar complicações, também podem ser identificados. Estudo com contraste iodado das artérias cervicais e intracranianas trazem frequentemente informações adicionais valiosas nestes casos.

 

Aneurisma cerebral

Acontece quando uma região enfraquecida da parede do vaso sanguíneo da circulação cerebral sofre uma dilatação. Essa região dilatada do vaso é mais frágil, de forma que o maior risco nesse caso, é ruptura do aneurisma com consequente hemorragia intracraniana (AVC hemorrágico).

Para adequada análise por um médico radiologista, é fundamental que a tomografia de crânio seja complementada com fases angiográficas (com contraste intravenoso) para avaliação pormenorizada dos trajetos vasculares.

Um médico radiologista experiente conhece os principais locais em que estes costumam ser formados, assim, com um exame realizado com a técnica adequada, poderá realizar o escrutínio apropriado.

 

Tumores

Assim como os tumores em outras partes do corpo, o tumor primário cerebral é gerado a partir da evolução anormal de uma célula neoplásica. Os mais de 100 diferentes tipos de tumores primários do sistema nervoso central podem ser classificados de acordo com a velocidade de desenvolvimento e do grupamento de células de onde se originaram. Como o esperado, aqueles que são mais perigosos e agressivos, acabam crescendo mais rápido.

Vale ressaltar que os tumores cerebrais metastáticos, ou seja, implantes cerebrais à distância originados de um tumor primário de outra região do corpo (das mamas, dos pulmões ou dos rins, por exemplo), nos adultos são muito mais frequentes que os tumores originários propriamente do cérebro.

 

Traumatismo cranioencefálico

Acidentes com impacto direto ou lesões indiretas de desaceleração da cabeça podem gerar certos padrões de lesão tanto da calota craniana quanto do parênquima cerebral. Contusões cerebrais, lesões axonais difusas, fraturas, hematomas subdurais e epidurais são exemplos de condições encontradas com certa frequência em traumatismos cranioencefálicos.

 

Hidrocefalia

A hidrocefalia acontece quando um acúmulo anormal de líquido cefalorraquidiano ocorre no sistema ventricular dentro do crânio. A consequência mais temida é sua associação com um aumento da pressão intracraniana.

 

5. A radiação é perigosa?


medico avaliando tc de cranio

Ainda que exista a emissão de radiação, os aparelhos de hoje em dia permitem ajustes de configuração para que o paciente se exponha ao mínimo necessário para a aquisição de imagens diagnósticas de qualidade.

A dose de radiação à qual o paciente é exposto, dessa forma, é segura. Ainda assim, a tomografia é um exame diagnóstico de indicação e solicitação médica.

O seu uso indiscriminado e sem acompanhamento por outro lado, pode submeter o paciente a doses acima do limite superior de segurança e não trazer benefícios.

Efeito Doppler: o que é e como ele funciona no ultrassom

A medicina moderna se baseia em um tripé de uma história clínica bem colhida, exame físico e métodos complementares de diagnóstico. Nesse último grupo, os exames de imagem assumem um papel de destaque. As radiografias, ultrassonografias, tomografias e ressonâncias magnéticas permitem a análise de órgãos e estruturas internas do corpo humano de maneira não invasiva e com muito menos risco e morbidades associadas.

Dentre as modalidades apresentadas, o ultrassom é uma ferramenta interessantíssima por se tratar de um método não ionizante (não utiliza radiação), com alta acessibilidade e relativo baixo custo. Por meio de ondas de som emitidas a partir do transdutor e da análise dos ecos que essas ondas produzem ao interagir com as estruturas do corpo, tem-se a geração de imagens.

Com o avanço tecnológico, houve a incorporação de algumas ferramentas adicionais aos aparelhos de ultrassonografia capazes de trazer informações complementares. Os exames de Dupplex-Scan e Triplex-Scan, incorporam as informações do efeito Doppler às imagens de ultrassonografia tradicional, mudando completamente o entendimento de uma ampla gama de doenças, sobretudo vasculares.

Como esses exames estão cada vez mais presentes no dia-a-dia médico, o entendimento básico do fenômeno físico do efeito Doppler é fundamental para a correta interpretação dos exames de ultrassonografia que utilizam esse recurso. Nesse artigo, falaremos sobre:

 

1. O que é o Doppler


Doppler é uma ferramenta adicional utilizada nos exames de ultrassom, fundamental para a correta interpretação dos exames de imagem que utilizam esse recurso. Pela sua popularidade, hoje é quase impossível encontrar aparelhos de ultrassom que não venham equipados com a possibilidade de imagens com Doppler. Dessa forma, o aparelho no qual se realiza um exame de ultrassonografia de tireoide e um Doppler de tireoide, por exemplo, é essencialmente o mesmo.

Em termos práticos, o efeito Doppler ganha valia na análise de fluxos, ou seja, para avaliar “coisas” que estão se movendo no interior do nosso corpo, principalmente para avaliação da movimentação do sangue no interior dos vasos sanguíneos. Por meio de uma fórmula matemática pode-se estimar se o fluxo sanguíneo está vindo na direção do transdutor ou se afastando dele. Outras informações como velocidade do fluxo, seus índices de pulsatilidade e resistividade são exemplos de outras grandezas físicas que se pode estudar. Sendo assim, pode ajudar no diagnóstico de uma série de condições, incluindo trombose e doença aterosclerótica.

Ao se analisar um vaso sanguíneo, por exemplo, consegue-se a informação do sentido no qual o sangue está fluindo. Um código de cores é atribuído a esse sentido de fluxo. O mais habitual é que fluxos que se aproximam do transdutor sejam representados pela cor vermelha enquanto os fluxos que se afastam do transdutor sejam representados em azul.

O exame de ultrassom com Dopppler não apresenta efeito adverso significativo aos pacientes por se tratar, como uma modalidade da ultrassonografia, de um método não invasivo e não-ionizante, ou seja, que não depende de radiação para a formação das imagens. Apesar disso, como todos os métodos de diagnóstico, esse exame é de indicação médica e sua realização de maneira indiscriminada não traz benefícios aos pacientes.

 

2. Para que serve um ultrassom com Doppler?

ultrassom com doppler


As informações sobre o fluxo sanguíneo foram inicialmente exploradas nos estudos dos vasos periféricos, isto é, das artérias e veias dos membros superiores, inferiores, bem como do pescoço. Apesar disso, as informações do Doppler foram se provando úteis numa grande variedade de condições clínicas de múltiplos órgãos, podendo-se citar o fígado, rins e tireoide como os mais frequentemente solicitados.

Exames de ultrassonografia com Doppler tem um uso bastante difundido também dentro do contexto de urgência, como em Unidades de Pronto Atendimento e Prontos-socorros. O exame é necessário quando há suspeita clínica de que o paciente tenha diminuição do fluxo sanguíneo passando nas artérias e/ou veias dos seus membros. Tomando por exemplo as ultrassonografias vasculares com Doppler, temos estudos venosos dos membros para pesquisa de eventos trombóticos como a trombose venosa profunda e a tromboflebite, e estudos vasculares arteriais para diagnosticar obstruções agudas, aneurismas ou sugerir descompensação de quadros mais arrastados.

Outro ponto importante a ser discutido, diz respeito à inflamação. Tecidos inflamados pelos mais diversos motivos, incluindo processos infecciosos, apresentam um aumento da sua vascularização. Isso também pode ser explorado com uma ultrassonografia com Doppler, sendo um achado auxiliar no diagnóstico de moléstias inflamatórias/infecciosas, como sinovites, apendicites e colecistites agudas.

 

3. Tipos de Ultrassom com Doppler


O médico solicita o exame quando deseja a análise ultrassonográfica de alguma parte do corpo na qual informações da vasculatura local são importantes, como por exemplo:

  • Doppler da tireoide: indicado análise do padrão geral de vascularização dessa glândula, velocidade de fluxo das artérias tireóideas inferiores e/ou superiores e também o padrão de vascularização de nódulos. Essas informações auxiliam no diagnóstico de processos inflamatórios da tireoide (tireoidites) que podem cursar clinicamente com estados de hiper ou hipotireoidismo, bem como auxiliam na avaliação de probabilidade de malignidade (câncer) dos nódulos da tireoide.
  • Doppler do sistema venoso profundo dos membros inferiores: indicado quando há suspeita de trombose venosa profunda (TVP). A TVP é mais frequentemente observada nas veias da coxa e da perna, sendo causa de má retorno do sangue que chega ao membro, gerando inchaço e dor. A complicação mais temida, porém, é que parte desse trombo se desprenda e viaje até a circulação dos pulmões onde pode causar Tromboembolismo Pulmonar;
  • Doppler do sistema arterial dos membros inferiores: permite o estudo da parede e do fluxo dos vasos que levam sangue do coração à ponta dos pés. Condições como aneurismas, ateromatose, oclusão arterial aguda podem ser identificadas através do exame;
  • Doppler do sistema venoso superficial dos membros inferiores: exame de indicação ambulatorial para identificação e mapeamento de varizes e tromboses;
  • Doppler na mama: indicado para identificar a presença de vascularização em nódulos e processos inflamatórios mamários;
  • Ultrassom obstétrico com Doppler: permite o estudo da circulação materna, placentária e fetal durante a gestação. Com essas informações pode-se dentre outras coisas, predizer risco de pré-eclâmpsia e ter dados sobre o bem estar fetal, sobretudo em gestações de alto risco;
  • Doppler das artérias renais: exame indicado na investigação de causas secundárias de hipertensão arterial sistêmica (HAS). Alguns casos de HAS ocorrem em pacientes em faixas etárias não habituais para a doença, outros casos não respondem bem nem mesmo a associação otimizada de várias classes de medicamentos anti-hipertensivos, nesses casos, o médico pode suspeitar de uma hipertensão secundária dentre as quais, figura aquela causada por estreitamento das artéria renais. O Doppler das artérias renais é um exame de realização técnica difícil, mas que permite estudar essas estenoses/estreitamentos das artérias que levam sangue aos rins;
  • Ultrassom com Doppler das carótidas e vertebrais: as carótidas e as vertebrais são os sistemas arteriais que levam sangue para a cabeça. Seu estudo através da ultrassonografia com Doppler permite buscar sinais de placas ateromatosas que podem reduzir o fluxo de sangue distal, ou ainda ser causa de acidentes vasculares encefálicos isquêmicos, quando pequenos pedaços da placa se desprendem e viajam na circulação até um segmento mais distal na cabeça onde obstruem o fluxo de sangue.

 

4. Como se preparar para fazer o exame


O exame costuma ser bastante tranquilo. As recomendações e restrições antes do exame variam de acordo com o segmento do corpo que será estudado. Em exames abdominais, por exemplo, o jejum é uma solicitação frequente para que se reduza a quantidade de gás dentro das alças intestinais que pode prejudicar a avaliação das estruturas intra-abdominais. É importante assim, atentar-se às recomendações enviadas pela clínica ou hospital antes do seu exame.

 

5. Como transcorre o exame

exame com doppler


O Doppler é um método não invasivo e que não expõe o paciente a radiação ionizante. O desconforto do paciente dependerá bastante da condição clínica estudada, por exemplo, ao realizar o exame abdominal sobre a fossa ilíaca direita de um paciente com apendicite aguda, o mesmo sentirá leve desconforto, uma vez que a região encontra-se inflamada, sensível e dolorosa.

O exame deve ser realizado por um médico radiologista ou ultrassonografista, geralmente no setor de radiologia de um hospital, clínica, consultório ou laboratório .

A primeira coisa a se fazer é remover roupas, bijuterias e qualquer coisa que esteja presente na área que vai ocorrer a análise. O paciente então será posicionado na mesa ou cama de exame da melhor maneira para análise da região em estudo. Para que haja interação adequada entre as ondas de som do transdutor e a pele do paciente, é necessário que o médico coloque o gel de contato na área examinada.

A imagem se forma quando o aparelho encosta na pele e é movido sobre ela. As ondas ecoam nos tecidos e órgãos e enviam as informações coletadas de volta ao transdutor. O computador processa esses dados e produz gráficos e imagens que ilustram os fluxos estudados.

A duração do exame varia de acordo com a condição clínica, o número de partes do corpo analisadas, a complexidade dos achados durante o exame e a experiência do médico radiologista / ultrassonografista.

Todos os resultados são disponibilizados na forma de relatório e imagens para o retorno com o médico solicitante, que explica para o paciente os detalhes do exame e o que o paciente deve fazer dali para frente.

BI-RADS: classificações e categorias nos laudos dos exames de mamas

O BI-RADS é um sistema de classificação que padroniza o diagnóstico e tratamento dos achados mamários.

Ele é utilizado por médicos radiologistas ao laudarem os exames de mamas para garantir mais clareza na comunicação com os médicos solicitantes.

Mas, como essa classificação funciona na prática? E o que significam essas categorias? Vamos falar sobre tudo isso, neste conteúdo.

 

O que é BI-RADS?

BI-RADS é um sistema de classificação utilizado para padronizar a descrição de achados em exames de imagem das mamas e padronizar a conduta sugestiva.

O objetivo principal é ajudar na comunicação entre os profissionais de saúde e indicar claramente o próximo passo, que pode ser desde repetir os exames até investigá-los com mais profundidade.

A sigla significa Breast Imaging Reporting and Data System e o sistema foi desenvolvido pelo American College of Radiology (ACR).

Com essa classificação, é possível evitar a confusão nos laudos e facilitar tanto o diagnóstico quanto a conduta clínica. Ela pode ser aplicada em laudos de diferentes exames, como mamografia, ultrassonografia e ressonância magnética.

 

Categorias

Cada categoria do BI-RADS sugere o risco e o plano de ação conforme os achados, sendo:

  • BI-RADS 0: exame inconclusivo. Requer imagens adicionais ou comparações com exames anteriores.
  • BI-RADS 1: exame normal. Nada de anormal detectado.
  • BI-RADS 2: achados benignos. Nada a se preocupar.
  • BI-RADS 3: achados provavelmente benignos. É recomendado acompanhamento a curto prazo.
  • BI-RADS 4: achados suspeitos, dividindo-se em subcategorias (4A para baixa suspeita e 4C para alta). É indicado uma biópsia.
  • BI-RADS 5: achados altamente sugestivos de malignidade. Ação imediata necessária.
  • BI-RADS 6: confirmação de malignidade em biópsia.

 

Subcategorias do BI-RADS 4

A categoria 4, como vimos, não é homogênea. Dentro dela, temos três níveis de suspeita de malignidade dos achados:

  • 4A: baixa suspeita (risco de 2 a 10%).
  • 4B: suspeita moderada (risco de 10 a 50%).
  • 4C: alta suspeita (risco de 50 a 95%).

Essa subdivisão é necessária, pois ajuda a planejar os próximos passos, desde o tipo de biópsia até à abordagem psicológica com a paciente.

 

classificacao bi-rads 0 bi-rads 1 bi-rads 2 3 4 5 6

 

O BI-RADS 0 é perigoso?

O resultado BI-RADS 0 costuma gerar ansiedade nas pacientes, afinal, o termo “inconclusivo” pode parecer alarmante. Mas, mantenha a calma…

O BI-RADS 0 indica que o médico radiologista (quem realiza o diagnóstico) precisa de mais informações para chegar a uma conclusão. Assim, pode ser necessário comparar com exames anteriores ou realizar imagens adicionais, como compressão localizada.

Na maioria das vezes, o BI-RADS 0 resulta em uma reclassificação para categorias mais baixas após essas novas avaliações.

 

O dilema da categoria 3

Achados “provavelmente benignos” pode parecer reconfortante, mas também traz dúvidas, assim como a categoria 0.

No BI-RADS 3, o risco de malignidade é menor que 2%. Então, “por que não descartar logo o achado?”

Aqui entra a sensibilidade da padronização: essa categoria serve para monitorar alterações discretas ao longo do tempo, evitando que biópsias desnecessárias sejam realizadas.

O acompanhamento típico envolve exames repetidos em 6, 12 e 24 meses.

 

Opinião do autor

O BI-RADS organiza um tema complexo de forma padronizada e funcional, tanto para os profissionais quanto para as pacientes, facilitando o diálogo e orientando os próximos passos no cuidado à saúde.

Porém, sua aplicação exige mais do que seguir protocolos. É preciso sensibilidade para entender que cada laudo representa não apenas números ou categorias.

Apesar de sua eficácia, o BI-RADS não é infalível e pode ter limitações, tais como:

  • variabilidade na interpretação (radiologistas podem discordar sobre uma classificação específica);
  • dependência de exames de imagens de alta qualidade;
  • e fatores subjetivos, como a experiência do radiologista – o que influencia diretamente a análise.

Ainda assim, essa padronização é um avanço inegável, já que traz mais objetividade à radiologia mamária. E, no fim das contas, o objetivo é um só: proporcionar uma medicina diagnóstica de qualidade ao alcance de todos.