dr joao pedro

Sobre Dr. João Pedro

Médico (UFAM) e radiologista (InRad-HC FMUSP).
CRM-SP 201.911

Atestado Médico: o que é, legislação e informações presentes

O atestado médico é um tipo de documento médico, provavelmente o mais conhecido e presente nas nossas rotinas.

Seja no ambiente de trabalho ou ainda para atestar o motivo da(o) sua(seu) filha(o) ter perdido uma avaliação de final de bimestre, certamente todos já precisaram solicitar um atestado ao menos uma vez na vida.

Preparamos esse conteúdo para esclarecer algumas dúvidas bastante frequentes sobre esse documento.

Ressalta-se, como traz a referência Atestado Médico, Prática e Ética, do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (CREMESP) de 2013, que os atestados vivem uma constante atualização a partir da legislação e rotina dos atendimentos, de forma que não se deve tomar as respostas às dúvidas aqui abordadas como palavra final sobre o assunto.

 

O que é atestado médico?

O atestado médico é um documento de fé pública que conta com um grande número de particularidades práticas e éticas quanto ao seu preenchimento.

O ponto de início da discussão é o direito do paciente de solicitá-lo, uma vez que se trata de parte integrante do atendimento.

Extrai-se do abordado no parágrafo anterior que o documento encontra-se vinculado ao atendimento.

Dessa forma, a banalização da sua emissão no dia-a-dia com a anuência às solicitações de atestados para terceiros sem a avaliação médica necessária para tal configura má prática e infração.

Atende ao objetivo principal de documentar o atendimento médico prestado, suas impressões e consequências devendo para tal ser confeccionado de maneira legível e compreensível tanto ao paciente quanto ao empregador (quando aplicável).

 

Qual a importância do atestado?

mulher doente com atestado médico

O atestado médico abrange um conjunto de documentos com finalidades díspares entre si.

Os mais comuns e conhecidos são os atestados de portador de doença, existindo ainda os atestados de óbito e os de saúde ou de sanidade.

Os atestados de portador de doença sintetizam o atendimento médico e sua conclusão, tendo aplicação para justificar afastamento por determinado período de tempo das atividades laborais ou estudantis, declarar incapacidades, comprovar doença ou deficiência para fins de isenção fiscal, dentre outras finalidades menos frequentes.

De acordo com a regulação legislativa estadual, existe a necessidade de atestados médicos de portador de doença ainda para garantir a gratuidade do transporte público, como em São Paulo, com a emissão do Bilhete Único Especial pela SPTrans.

 

O que a legislação fala acerca desse tema?

empregado apresentando carteira de trabalho

Esse documento possui uma regulamentação por meio da Resolução CFM n° 1658/2002 e n°06/2009 e pelo artigo 473 da Consolidação das Leis de Trabalho.

De acordo com essas normas, apenas os médicos e odontólogos têm permissão para emitir uma recomendação formal de que esse profissional mantenha-se afastado das suas atividades laborais por dado período de tempo.

Um dos pontos diz respeito ao limite de uso de atestados em um ano.

Se houver indicação de afastamento por mais de 15 dias por conta de um agravo à saúde, a partir do 16° dia, o custo passa do empregador para a Previdência Social.

No caso de atestados inválidos, a empresa pode recusar o documento, havendo desconto do salário do funcionário proporcional aos dias em que ele não compareceu ao trabalho.

 

Informações que devem estar presente no documento

Independentemente do tipo de atestado, para que ele seja válido é preciso que ele contenha algumas informações mínimas, tais quais:

  • o nome do médico responsável e o seu registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) ou Conselho Regional de Odontologia (CRO), caso a emissão seja feita por um odontólogo;
  • a data em que a emissão do documento foi feita;
  • a assinatura do médico em papel timbrado;
  • a especificação do número de dias em que o paciente irá precisar ficar afastado.

Dados referentes aos motivos de devolução e recusa dos atestados médicos realizados no interior de uma cidade do Estado de São Paulo em levantamento realizado pelo CREMESP, identificaram-se ausência de nome, CRM, assinatura, especificação da quantidade de dias de afastamento ou ilegibilidade do documento como principais problemas.

Um detalhe interessante e pouco conhecido é que o carimbo profissional não é obrigatório.

Convencionou-se pedir o carimbo como forma de correta identificação do nome e registro médico do profissional, porém, se essas informações estiverem escritas de maneira compreensível, o carimbo passa a ser dispensável.

 

Obrigatoriedade do CID nos atestados médicos

CID é uma sigla usada para a Classificação Internacional de Doenças feita pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Se esta sigla aparecer no laudo médico, ela virá junto de uma numeração, referente a classe do problema de saúde.

Sua inclusão nos atestados de saúde e laudos médicos já foram motivo de muita controvérsia.

Conforme discutido no nosso artigo sobre os Laudos Médicos, o Parecer Consulta n.º 161.037/2012, recomenda-se que, excetuados os motivos de justa causa (risco de dano ao paciente ou a terceiros) e os de obrigação legal (como as doenças de notificação compulsória), o médico mantenha o sigilo quanto ao conhecimento de agravos à saúde do seu paciente.

Está previsto, entretanto, conforme Resolução n.º 1658, de 19 de dezembro de 2002, que caso solicitado pelo paciente ou por seu representante legal, o médico poderá incluir o diagnóstico codificado ou não em atestado e laudos.

 

Conheça o Direito do Paciente e o que diz a Legislação

O respeito pelo direito do paciente é uma condição fundamental para a prestação de serviços na área da saúde.

É base para atividades de atendimento ao paciente, sejam elas feitas presencialmente ou por meio do uso de tecnologia, como em consultas e monitoramentos à distância.

Continue a leitura para informar-se mais a respeito!

 

O que se caracteriza como direito do paciente?

Há uma série de regras a respeito das relações entre prestadores e usuários do sistema de saúde, tanto público quanto privado.

Essas regras estão consagradas nos direitos do consumidor, bem como na Constituição Federal e todo prestador de serviços de saúde precisa aderir a esses padrões.

Sobre isso, vamos analisar o que a Constituição diz a respeito no Artigo 196:

“A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.”

Embora seja uma referência clara ao SUS, esse parágrafo serviu de base para o desenvolvimento de normas para cuidados de saúde privados também.

 

O que a legislação prevê sobre o direito do paciente?

malhete e estetoscopio sobre uma mesa

A saúde é um direito de todos, algo que podemos ver presente em diversos tratados internacionais.

Em nossa própria Constituição, já citada antes, é possível notar a importância dada a este direito fundamental.

Na Lei 8080/90, por exemplo, mais especificamente em seu artigo terceiro:

“Os níveis de saúde expressam a organização social e econômica do País, tendo a saúde como determinantes e condicionantes, entre outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, a atividade física, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais.”

No entanto, a regra mais significativa é dada pelo Ministério da Saúde na Portaria 1820/09.

Essa regra discorre sobre os direitos, deveres e garantias asseguradas nos serviços de saúde:

“Toda pessoa tem direito ao tratamento adequado e no tempo certo para resolver o seu problema de saúde.”

 

O que é encontrado no Código de Ética Médica?

Também vale mencionar o Código de Ética Médica (Resolução CFM 2.217/18), cujo Capítulo V é dedicado aos relacionamentos com os pacientes e familiares.

O capítulo define obrigatoriedades que se tornam direito do paciente.

Tais como a responsabilidade do médico de explicar as alternativas de tratamento e os riscos a este relacionados ou a proibição do abandono do paciente pelo médico, salvo situações que possam prejudicar a relação com o usuário ou afetar seu desempenho.

 

Quais são direitos garantidos ao paciente?

medico explicando o direito do paciente para a familia

Selecionamos alguns direitos assegurados aos pacientes tomando como fonte a Lei Estadual (São Paulo) Nº 10.241, de 17/03/1999 e os Pareceres dos Conselhos de Medicina na Resolução Nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde para explicar em maiores detalhes:

 

1. Acompanhante

Todo paciente possui o direito de ser acompanhado por uma pessoa designada por ele, se assim desejar.

Durante consultas, internações, exames pré-natais e parto, para a melhoria do seu conforto e do seu bem-estar físico e emocional.

 

2. Cuidados humanizados

Dar a atenção quando é preciso e certificar-se que os pacientes estejam à vontade no ambiente clínico ou hospitalar.

Qualquer pessoa que se sinta ouvida e respeitada tem mais chances de fornecer todos os detalhes a respeito do seu estado de saúde, o que pode ser crucial para diagnosticar e conduzir casos clínicos.

 

3. Não abandono

Após iniciar o tratamento, é vedado ao médico abandonar o paciente, a menos que haja eventos que prejudiquem a relação entre ambos ou então, o desempenho profissional.

Tem-se então a assistência continuada como garantia ao paciente salvo as exceções supracitadas.

 

4. Legibilidade dos documentos de saúde

O entendimento sobre a prescrição de saúde é crucial em qualquer tratamento.

A prescrição e outros documentos em formato digital surgem como uma solução a letras incompreensíveis, rasuras ou falta de informações nos documentos de saúde.

 

5. Alta hospitalar

O médico pode recusar-se a conceder alta hospitalar a um paciente sob seus cuidados se colocar a saúde deste em risco.

Ainda assim é direito do paciente decidir sua alta apesar do conselho do médico, devendo-se nessa situação responsabilizar-se por escrito.

Nesse caso, o médico tem a opção de encaminhar o caso para outro profissional que tenha sido recomendado ou aceito pelo paciente ou família.

 

6. Identificação

Poder identificar as pessoas responsáveis diretamente e indiretamente por sua assistência através de crachás visíveis e legíveis, com o nome completo, a função e o cargo do profissional, assim como o nome da instituição.

 

7. Pronto atendimento para emergências

Casos nos quais há risco de vida são prioridade de atendimento.

Cabe ao médico triar e decidir sobre a ordem dos tratamentos (veja protocolo de manchester).

Porém, cada caso deverá receber os devidos cuidados assim que possível.

 

8. Informação sobre atendimento, procedimentos e cuidados

Além de consultas, todo paciente tem direito a informações claras sobre atendimentos e procedimentos médicos.

O que inclui suas vantagens, desvantagens, efeitos colaterais, riscos, custos e outras informações pertinentes.

Dessa forma, é direito do paciente ter suas dúvidas sanadas pelo profissional responsável.

 

9. Anestesia

Para tratar um paciente com dignidade, procedimentos anestésicos devem estar disponíveis sempre que indicados.

 

10. Sigilo médico-paciente

Segundo o Parecer Consulta n.º 161.037/2012, recomenda-se que, excetuados os motivos de justa causa (risco de dano ao paciente ou a terceiros) e os de obrigação legal (como as doenças de notificação compulsória), o médico mantenha o sigilo quanto ao conhecimento de agravos à saúde do seu paciente.

 

11. Segunda opinião

O direito de procurar opinião ou parecer de um outro profissional a respeito de seu estado de saúde.

 

12. Atendimento digno

Todo paciente tem direito de receber cuidados adequados e respeitosos e de ser identificado e tratado através de seu nome e sobrenome.

Ele não pode ser identificado ou tratado usando números, códigos ou de maneira genérica, irresponsável ou preconceituosa.

 

Perguntas frequentes

Selecionamos alguns direitos assegurados aos pacientes tomando como fonte a Lei Estadual (São Paulo) Nº 10.241, de 17/03/1999 e os Pareceres dos Conselhos de Medicina na Resolução Nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, em síntese:

  1. Acompanhante
  2. Cuidados humanizados
  3. Não abandono
  4. Legibilidade dos documentos de saúde
  5. Alta hospitalar
  6. Identificação
  7. Pronto atendimento para emergências
  8. Informação sobre atendimento, procedimentos e cuidados
  9. Anestesia
  10. Sigilo médico-paciente
  11. Segunda opinião
  12. Atendimento digno

Art. 196 da Constituição Federal: a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.

Espirometria: o que é, como é feito e quais os diagnósticos?

A espirometria é o exame de função pulmonar mais realizado na prática médica.

A base do exame é a medição do volume de ar em função do tempo que uma pessoa mobiliza à inspiração e à expiração máxima.

Em outras palavras, analisa a quantidade de ar que alguém pode colocar dentro e fora de seus pulmões, bem como a velocidade com a qual essa ventilação acontece.

Trata-se de um exame de rotina na área da pneumologia e é uma conhecida companheira na avaliação periódica de pacientes com asma e doença pulmonar obstrutiva crônica.

Ficou interessado para saber mais sobre o assunto? Continue lendo este conteúdo que preparamos para você!

 

O que é espirometria?

A espirometria é um teste da fisiologia ventilatória e tem como objetivo analisar se há algum tipo de anormalidade na ventilação pulmonar.

É um procedimento não invasivo que dura, em média, trinta minutos.

Pode triar e quantificar a presença de doenças pulmonares restritivas e obstrutivas, como asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e casos de fibrose pulmonar.

A saúde do pulmão está relacionada às trocas gasosas que ocorrem ao nível dos alvéolos pulmonares.

Para que essas trocas com o sangue ocorram é necessário que ocorra eliminação do gás carbônico acumulado e que o ar oxigenado oriundo da ventilação atinja normalmente os sacos alveolares.

Trocando em miúdos, a função de trocas gasosas entre o ar e o sangue nos alvéolos pulmonares é dependente de uma adequada ventilação.

Ou seja, da movimentação de volume adequado de ar.

Medir a quantidade de ar que entra e sai dos pulmões em durante dado período de tempo assim, fornece informações se essa função ventilatória possui algum tipo de problema.

Os valores de normalidade previstos para os resultados da espirometria, variam em função de diferentes fatores, tais como idade, altura e peso.

Os múltiplos parâmetros e relações fornecidos no relatório técnico requerem interpretação médica para diagnóstico correto, em correlação com os dados clínicos do paciente.

 

Como a espirometria é realizada?

senhor em exame de espirometria

Para realizar esse exame, o paciente deverá sentar-se em uma cadeira e assoprar por meio de um tubo, que contém um bocal para espirometria descartável, conectado ao espirômetro.

Pode-se usar um clipe nasal, para impedir a passagem de ar pelas narinas e garantir que toda respiração seja feita pela boca e passe pelo espirômetro para realizar as medições.

Durante o processo, o paciente deverá respirar normalmente por um tempo, até encher os pulmões e depois assoprar o mais forte e rápido que puder, por cerca de 6 segundos sem parar.

É possível repetir este teste, após o paciente receber uma medicação broncodilatadora para aprofundar a investigação sobre a reversibilidade das alterações.

Nestes casos, o exame é chamado de espirometria com prova broncodilatadora.

No computador, o processo gera diversas curvas, gráficos e tabelas que indicarão as condições ventilatórias do paciente, como:

  • Volume Expirado Forçado no primeiro segundo (VEF1);
  • Capacidade Vital Forçada (CVF);
  • Relação VEF1/CVF (Índice de Tiffeneau);

Dessa forma, o médico poderá identificar se o paciente possui algum distúrbio ventilatório ou se a saúde de seus pulmões está em dia.

 

Como se preparar para o exame?

Antes de fazer o exame, é preciso que o paciente encontre-se em repouso.

Não é preciso fazer jejum, mas o ideal é evitar o consumo de algumas bebidas cerca de seis horas antes do exame, incluindo:

  • Chás;
  • Cafés;
  • Bebidas alcóolicas.

A maior parte de outros medicamentos podem continuar sendo usados, mas a avaliação médica pré-exame indicará se é necessário suspender o uso de alguma droga que interfira nos resultados.

Além disso, é importante evitar fumar antes de fazer o exame.

E, caso a pessoa esteja com infecção das vias aéreas superiores ou inferiores, o ideal é adiar a realização da espirometria para um segundo momento após tratamento dessas condições.

 

Para que serve o exame?

A espirometria, também chamada de prova de função pulmonar, é útil para analisar ou acompanhar a evolução de doenças que afetam os pulmões.

Além disso, também serve para analisar a capacidade pulmonar em pré-operatórios.

A espirometria também pode ser feita de tempos em tempos para avaliar os efeitos dos tratamentos médicos em pacientes com algumas doenças, tais quais:

  • Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC);
  • Asma;
  • Bronquite;
  • Enfisema;
  • Fibrose.

 

Qual a relação da espirometria com a saúde ocupacional?

A espirometria serve para fazer a triagem e diagnóstico de doenças relacionadas à exposição a poeiras orgânicas e inorgânicas.

Ao contrário do exame acima, a espirometria para triagem ocupacional não requer o uso rotineiro de broncodilatador.

Porém, a critério do pneumologista, pode haver a necessidade da prova de função pulmonar completa antes e após o broncodilatador.

 

Quem realiza e quem interpreta o exame?

medico do trabalho que realiza pcmso

O especialista responsável em fazer a prova de função pulmonar é o técnico em enfermagem treinado ou mesmo o pneumologista, clínico geral ou médico do trabalho com treinamento específico.

Após sua realização, o exame é enviado para um pneumologista interpretar os resultados.

Graças a Medicina Ocupacional, a espirometria ocupacional tem tido maior destaque na prevenção de doenças com trabalho, exposição a poeiras orgânicas e inorgânicas, assim como à inalação de fumaça e vapores, por exemplo:

  • Indústrias de transformação de madeira;
  • Metalúrgicas;
  • Mineradoras.

Como são os resultados da espirometria?

comunicacao sobre laudo radiologico

Podemos agrupar os resultados fornecidos em cinco grandes grupos de possibilidades na interpretação de um laudo médico, que são:

  • Exame normal;
  • Distúrbio ventilatório obstrutivo (leve, moderado ou grave);
  • Distúrbio ventilatório restritivo (leve, moderado ou grave);
  • Distúrbio ventilatório misto (quando há presença de componente obstrutivo e restritivo associados);
  • Exame inespecífico, quando há anormalidade ventilatória sem elementos que permitam distinguir claramente obstrução ou restrição.

Seja qual for o resultado, o médico especialista deverá analisar o resultado para realizar um diagnóstico acurado, interpretando o exame em conjunto com os dados clínicos do paciente e outros exames complementares.

A revisão e interpretação dos resultados das espirometrias deve ser feita por um pneumologista.

Há uma série de fatores que podem provocar resultados falso-positivos ou falso-negativos.

Evitar esses diagnósticos equivocados trazem como resultado redução no número de encaminhamentos inadequados, minimiza preocupação desnecessária em pacientes e reduz ainda os custos do sistema de saúde.

 

ACR TI-RADS: classificação do exame de tireóide e de nódulos tireoidianos

O ACR TI-RADS é uma classificação feita para avaliar o risco de malignidade de nódulos tireoidianos com base nos achados de um ultrassom da tireoide.

Parece complicado? Nem tanto. Na verdade, essa ferramenta mais ajuda os médicos a decidirem quais nódulos merecem maior atenção e, principalmente, quando é necessário realizar uma biópsia.

Mas como isso funciona na prática? Vamos descobrir neste conteúdo.

 

O que é o ACR TI-RADS?

A sigla TI-RADS vem de Thyroid Imaging Reporting and Data System, um sistema desenvolvido pelo American College of Radiology (ACR) para padronizar a interpretação e o relatório de achados ultrassonográficos na tireoide. Sua função principal é reduzir a variabilidade na análise de exames, aumentando a precisão do diagnóstico.

Antes do TI-RADS, a avaliação de nódulos tireoidianos era inconsistente. Alguns médicos indicavam biópsias para nódulos benignos, enquanto outros deixavam passar lesões suspeitas. Então, com o ACR TI-RADS, essa análise passou a ser guiada por critérios e objetivos, baseados na aparência dos nódulos no ultrassom.

Por que isso é importante? Imagine que um paciente faz um ultrassom e descobre vários nódulos. Sem um sistema padronizado, é difícil determinar quais deles têm mais risco de serem malignos.

O TI-RADS, assim, ajuda a organizar essas informações de maneira clara.

 

Como é a classificação?

O sistema classifica os nódulos de acordo com cinco categorias principais:

  1. Composição: é sólido, cístico ou misto?
  2. Ecogenicidade: quão brilhante ou escuro o nódulo aparece em relação ao tecido tireoidiano normal?
  3. Margens: são bem definidas ou irregulares?
  4. Foco ecogênico: há calcificações ou outros pontos brilhantes?
  5. Forma: o nódulo é mais alto que largo?

Assim, cada característica recebe uma pontuação que reflete o risco de malignidade.

No final, o total de pontos coloca o nódulo em uma das categorias TI-RADS:

  • TI-RADS 1: benigno.
  • TI-RADS 2: provavelmente benigno.
  • TI-RADS 3: baixo risco.
  • TI-RADS 4: risco moderado.
  • TI-RADS 5: alta suspeita.

A ideia aqui é bem simples: quanto maior a pontuação, maior o risco de câncer e maior a necessidade de investigação adicional.

 

medico explicando classificacao do ti-rads

 

Condutas e tratamentos

Com a classificação definida, o próximo passo é decidir o que fazer, ou seja, a conduta. Aqui, entra a parte prática:

  • Monitoramento: nódulos TI-RADS 1 e 2 geralmente não precisam de acompanhamento frequente.
  • Biópsia: recomendada para TI-RADS 4 e 5, dependendo do tamanho do nódulo.
  • Decisão compartilhada: em casos intermediários, a escolha pode ser discutida com o paciente, considerando risco e preferências pessoais.

Para ficar mais claro, vamos a um exemplo prático?

Imagine um nódulo classificado como TI-RADS 3, medindo 1,5 cm. O médico pode optar por acompanhar com ultrassons periódicos, adiando a biópsia até que haja mudanças significativas.

 

Benefícios da classificação

A principal vantagem do ACR TI-RADS é evitar intervenções desnecessárias.

Antigamente, muitos pacientes eram submetidos a punções aspirativas ou até cirurgias para nódulos que não apresentavam risco significativo.

Isso gerava custos, ansiedade e complicações desnecessárias. Hoje, com o TI-RADS, é possível:

  • Priorizar os casos que realmente precisam de investigação;
  • Evitar biópsias em nódulos com características benignas;
  • Monitorar com segurança os nódulos de baixo risco.

Por outro lado, é importante lembrar que o TI-RADS não deve substituir o julgamento clínico.

Ele é uma ferramenta (poderosa, sem dúvidas) que ainda depende da experiência do médico para ser usada de forma eficaz.

 

Limitações

E por falar em limitações, como todo sistema, o TI-RADS não é perfeito. Alguns desafios da sua utilização incluem:

  1. Interpretação subjetiva: apesar dos critérios serem bem objetivos, características como margens irregulares podem ser difíceis de avaliar.
  2. Casos ambíguos: alguns nódulos não se encaixam perfeitamente nas categorias, o que pode gerar dúvidas e pontos cegos na classificação.
  3. Fatores clínicos ignorados: o TI-RADS foca no ultrassom, mas não leva em conta histórico familiar ou outros sinais clínicos.

Essas limitações ressaltam a importância de usar o TI-RADS em conjunto com outras ferramentas diagnósticas, como comentamos no tópico anterior.

 

Opinião do autor

O ACR TI-RADS é, sem dúvidas, um passo importante na avaliação dos nódulos tireoidianos.

Ele trouxe clareza em um campo que era antes marcado por incertezas e contribuiu para uma conduta mais racional e eficiente dos pacientes.

Ainda assim, é fundamental usá-lo com bom senso. Ferramentas como o TI-RADS são auxiliares, não substitutas.

No fim das contas, o sucesso da conduta, do diagnóstico e do tratamento sempre dependerá da habilidade e do julgamento do médico.

Laudo Médico: o que é, para que serve e como interpretar

Laudo médico é um documento oficial de avaliações e exames médicos cuja principal função é a comunicação de condições de saúde e de necessidades a essas relacionadas. Sua relevância e necessidade no âmbito legal e previdenciário responde por um número significativo das consultas médicas.

O preenchimento incompleto ou incorreto desses documentos é motivo de atraso no seguimento clínico, na obtenção de benefícios previdenciários ou ainda de retardo na condução de processos legais.

Especialistas das mais diversas áreas médicas emitem laudos, devendo ter sempre em mente todos os processos e requisitos do correto preenchimento desses documentos, a fim de se evitar qualquer prejuízo aos seus pacientes.

 

O que é e para que é usado o laudo médico?

O laudo médico é um documento formal onde o médico relata, em meios técnicos, o resultado de sua avaliação, exames ou ainda um resumo clínico sobre a condição do paciente.

Além do papel de interlocução entre especialistas que cuidam do caso do mesmo paciente, os laudos médicos são muito mais conhecidos por sua importância na medicina do trabalho na conceção ao paciente de benefícios previdenciários, como a aposentadoria por invalidez e o auxílio-doença e na avaliação de acidentes relacionados ao trabalho.

Respostas formais a um questionamento sobre o estado de saúde e doença de um indivíduo também também são elaboradas por meio desses relatórios.

Seja na avaliação da saúde ocupacional de uma pessoa ao informar aptidão para exercer uma determinada atividade profissional, no âmbito legal (laudos periciais) para atestar delitos, ferimentos ou sanidade mental em situações criminais.

Ou, ainda como atestando condições psiquiátricas que requeiram cuidados especiais, como no caso de necessidade de apoio emocional de animais de estimação em viagens aéreas.

 

Qual a diferença entre laudo médico e atestado médico?

Atestados médicos são documentos bastante requisitados nas clínicas e hospitais e seu uso é um tanto distinto dos laudos.

O atestado médico cumpre um papel mais simples com relatos mais resumidos que esclareçam, sobretudo, o motivo e necessidade de afastamento de atividades laborais dos pacientes por curtos períodos de tempo.

O laudo médico é um documento formal onde o médico relata, em meios técnicos, o resultado de sua avaliação, exames ou ainda um resumo clínico sobre a condição do paciente.

O padrão de preenchimento também é único, devendo conter informações necessárias para que empresas e órgãos públicos reconheçam o documento.

 

Quem pode fazer a emissão de um laudo médico?

médico preparando um laudo médico

recomendações do Conselho Federal de Medicina (CFM) para a emissão de documentos médicos que devem ser cumpridas nas emissões destes.

Determina por exemplo, que quando indicado, tais pareceres contenham a descrição da técnica utilizada, uma parte expositiva e outra conclusiva.

O CFM determina ainda, na sua resolução n.º 2235, de 15 agosto de 2019, a não obrigatoriedade de que o mesmo médico que realizou o exame emita seu laudo, exceção feita a exames de ultrassonografia, endoscópicos e procedimentos intervencionistas nos quais o mesmo médico que realizou o exame deve sempre emitir seu parecer.

 

Qual a importância dos laudos médicos periciais e judiciais?

Há vários motivos pelo qual um profissional especialista fará a emissão de um laudo.

Uma dessas razões é quando há um pedido legal de avaliação de paciente com importância na condução de uma ação judicial.

Isso acontece, por exemplo, para comprovar a existência de uma doença ou da gravidade dos ferimentos, como no exame de corpo de delito.

O laudo pericial tem uso mais comum na área de saúde ocupacional, na avaliação de nexo causal com o trabalho de doenças ou lesões, inépcia ou invalidez física ou mental.

Também, relação das doenças ou acidentes e o exercício das funções laborais, sequelas temporárias ou permanentes relacionadas e o desempenho de atividades laborais, seu risco entre si e terceiros.

 

Laudo médico com CID

CID é uma sigla usada para a Classificação Internacional de Doenças feita pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Se esta sigla aparecer no laudo médico, ela virá junto de uma numeração, referente a classe do problema de saúde (confira aqui a Tabela CID).

Sua inclusão nos atestados de saúde e laudos médicos já foram motivo de muita controvérsia.

Segundo o Parecer Consulta n.º 161.037/2012, recomenda-se que, excetuados os motivos de justa causa (risco de dano ao paciente ou a terceiros) e os de obrigação legal (como as doenças de notificação compulsória), o médico mantenha o sigilo quanto ao conhecimento de agravos à saúde do seu paciente.

Está previsto, entretanto, conforme Resolução n.º 1658, de 19 de dezembro de 2002, que caso solicitado pelo paciente ou por seu representante legal, o médico poderá incluir o diagnóstico codificado ou não em atestado e laudos.

 

O que deve conter em um laudo?

laudos radiologicos

Para entender-se o conteúdo necessário em um laudo médico, devemos compreendê-lo como uma ferramenta de comunicação dentro de um contexto.

Esse contexto e as informações que devem ser respondidas ditam o conteúdo expositivo do relatório.

Algumas informações entretanto são comuns e compõem a parte estruturada do relatório como o nome completo do paciente, sem abreviações, segundo as boas práticas médicas, informações adicionais como idade e data de nascimento.

Os laudos devem ainda conter identificação do médico relator, número do seu registro no respectivo conselho regional de medicina e sua assinatura, seja ela manual ou eletrônica.

 

Como é feito um laudo digital?

Ao atuar com laudos digitais, o estabelecimento de saúde opta por sistemas estruturados para facilitar e agilizar o fluxo interno e a entrega de resultados aos pacientes.

A adoção dessas tecnologias permite a criação de um padrão dentro das necessidades de processos em cada clínica e hospital com a obtenção de um modelo único para cada local.

Alguns benefícios da adoção de sistemas de laudos digitais são:

  • os modelos são personalizáveis transmitindo qualidade e confiança para os pacientes;
  • a legibilidade é garantida e a organização pode ser estruturada em cada serviço com modelos mais convenientes às necessidades locais;
  • os dados tornam-se mais acessíveis para organização de bancos e análise de dados, com maior organização dos sistemas de back-up e de prontuário;
  • otimização e maior agilidade do trabalho dos profissionais de saúde envolvidos;

A agilidade na troca de informações é algo útil tanto em exames ambulatoriais nos quais os prazos acordados devem ser cumpridos quanto nos exames de urgência no qual a conduta médica muitas vezes depende de resultados de exames e dos relatórios/laudos com a opinião médica do profissional responsável.

Iniciativas tecnológicas que garantam a agilidade e otimização de tais processos terminam por resultar em maior benefício aos pacientes.

Sistemas digitais permitem, por fim, maior segurança dos dados dos envolvidos com possibilidade de recuperação, emissão de segundas vias e outras facilidades.

 

Como melhorar a qualidade de um laudo?

A busca pela qualidade e produtividade em Centros de Diagnóstico tem se tornado um assunto habitual.

As novas tecnologias têm revolucionado a Radiologia – especialmente os laudos médicos, através da modernização de equipamentos e digitalização de exames.

Contudo, é possível melhorar cada vez mais a qualidade dos laudos médicos e a comunicação entre os profissionais da área da saúde.

Abaixo, falamos sobre ações que vão desde a equipe até a segurança dos laudos médicos para obter a sua melhor qualidade.

 

1. Escolha uma equipe médica qualificada para a emissão dos laudos médicos

Com a evolução da medicina, a radiologia abriu novos leques.

Portanto, para estar preparado, um Centro de Diagnóstico por Imagem deve confiar em uma equipe médica qualificada.

Com algumas empresas de telerradiologia, por exemplo, um gestor pode ter acesso a melhor equipe do mercado, composta por radiologistas experientes e altamente especializados nas diversas subáreas da radiologia.

Igualmente, a telerradiologia pode ser utilizada para segunda opinião em exames complexos ou mesmo como resguardo em caso de ausências de um radiologistas presenciais.

 

2. Prepare-se para exames urgentes

Com a tecnologia da telerradiologia para a transmissão de dados e armazenamento em nuvem através de plataformas digitais, as imagens dos exames são transmitidas de maneira rápida e segura.

Além disso, o acesso dos médicos é facilitado e realizado em tempo real – a partir do momento que o exame é enviado para a empresa de telerradiologia o mesmo já é carregado na workstation do médico radiologista.

Dessa maneira, os laudos médicos podem ser enviados e recebidos de forma ágil e segura.

 

3. Tenha uma infraestrutura robusta

A atenção quanto aos aparelhos não pode ficar para trás.

Verifique se seus equipamentos estejam aptos a gerar imagens de exames em formato DICOM (Digital Imaging and Communications in Medicine).

É um formato padrão na área médica, com ampla utilização no mercado.

É recomendável a utilização de sistemas informatizados como PACS e RIS para organização do fluxo de trabalho e armazenamento de dados dentro do Centro de Diagnóstico.

 

4. Nunca dispense a segurança dos laudos médicos e a privacidade com dados do paciente

Mesmo que não diretamente, é impossível falar de qualidade sem falar de segurança.

Com a proteção ao acesso de dados médicos, um Centro de Diagnóstico pode evitar acessos e vazamentos de dados indevidos.

O paciente tem sua privacidade protegida e a instituição responsável pela guarda dos dados evita problemas jurídicos, financeiros e de reputação.

Um gestor que mantém atenção às políticas e ferramentas para uma proteção de dados eficaz, está se resguardando e valorizando seus clientes.

 

Tíbia e fíbula: como são as fraturas e tratamentos?

A tíbia e fíbula são os ossos da perna, que formam a parte do corpo popularmente conhecida como “canela”.

O esqueleto do corpo humano é formado por mais de 200 ossos, assim, é normal que não estejamos familiarizados com o nome de todos eles.

Ainda mais quando já sofreram mudança de nomenclatura no passado recente, como é o caso da fíbula, antes conhecida como perônio.

Preparamos esse conteúdo para explicar um pouco mais sobre as fraturas dos ossos da perna.

Se você tem essas dúvidas e quer saber um pouco mais sobre esses ossos, recomendamos a leitura deste conteúdo até o final!

 

1. Como é o esqueleto humano?


Os ossos do esqueleto humano são verdadeiros órgãos cuja função está relacionada à proteção de órgãos vitais, ao suporte estrutural e, junto ao sistema muscular, propiciar os movimentos do corpo humano.

O esqueleto de uma pessoa adulta é formado por 206 ossos, no entanto, o número tende a variar de pessoa para pessoa e de acordo com a idade.

Isso ocorre por variações da anatomia individual, certas pessoas possuem alguns pequenos ossos acessórios.

Já a variação com a idade ocorre porque durante o desenvolvimento há o surgimento de alguns ossos, como os sesamóides dos dedos, enquanto outros ossos se unem.

O número de ossos de uma criança costuma ser menor que o de um adulto.

Um exemplo de ossos que se unem com o tempo são os ossos da bacia.

Cada osso ilíaco é formado pela união de três outros ossos, o ílio, a púbis e o ísquio.

Algo muito similar ocorre na calota craniana onde os ossos frontais se unem na região da sutura metópica.

 

2. O que é a tíbia e a fíbula?


Os ossos da perna compõem a parte distal do esqueleto dos membros inferiores.

Esses ossos são estruturas muito fortes, devido a sua função de sustentação do peso de todo o corpo.

É importante entender que esse peso é multiplicado na deambulação, seja na marcha ou na corrida, quando o impacto de movimentos de desaceleração e aceleração são absorvidos por uma única perna a cada passada.

A tíbia e a fíbula são dois ossos longos, isto é, são formados por duas regiões metaepifisárias separadas por uma longa diáfise tubular e servem como inserção de diversos músculos da perna.

São responsáveis pela movimentação de flexão, extensão, eversão e inversão dos pés, extensão e flexão dos dedos e auxiliam ainda a flexão da perna sobre a coxa.

Tíbia e fíbula são fortemente unidas por uma articulação fibrosa, com extensão por quase toda a perna.

Essa membrana fibrosa recebe o nome de sindesmose ou membrana interóssea tibiofibular, e pode ser acometida em traumas e fraturas envolvendo os ossos da perna e tornozelo.

A tíbia encontra-se em posição medial, o que significa que está mais próxima a linha média do corpo na posição anatômica e articula-se diretamente ao fêmur e à patela proximalmente.

A fíbula por sua vez encontra-se em posição lateral.

Ambos os ossos articulam-se com o tálus, um osso do pé que se encaixa na depressão formada entre as duas projeções ósseas distais da tíbia e da fíbula, os maléolos medial e lateral, respectivamente.

 

3. Como é a tíbia?


A tíbia é o principal osso da perna responsável por transmitir as forças mecânicas relacionadas à deambulação.

Compõe parte do aparelho extensor do joelho, como local para a fixação distal do ligamento patelar, que se insere na tuberosidade da tíbia.

A porção proximal do osso se articula com o fêmur. O platô tibial, compõe a superfície inferior da articulação do joelho.

Este platô é composto por duas faces articulares, uma medial (côncava) e uma lateral (convexa), as quais se articulam com os côndilos femorais.

Entre os platôs medial e lateral, temos eminência intercondilar composta por duas espinhas tibiais, uma proeminência óssea com relação com raízes meniscais e com o ligamento cruzado anterior.

Uma forte estrutura fibrosa, a membrana interóssea, é responsável por conectar a tíbia e a fíbula ao longo do comprimento da diáfise desses dois ossos.

Proximalmente, essa estrutura é reforçada por fortes ligamentos que compõem uma articulação sinovial, chamada de articulação tibiofibular proximal.

Distalmente, a membrana interóssea e três ligamentos, os ligamentos tibiofibular anterior inferior, posterior e transverso servem para estabilizar a articulação superior do tornozelo.

O maior suprimento de sangue da tíbia vem dos vasos periosteais ramos das artérias tibiais anterior e posterior, ramos diretos da artéria poplítea.

 

4. Como é a fíbula?


Anteriormente nomeada de perônio, a função principal da fíbula relaciona-se à fixação da musculatura da perna.

Ou seja, ao contrário da tíbia, a fíbula não tem um papel estrutural significativo na sustentação do peso corporal e transmissão de forças na marcha.

É fixada à tíbia através da sindesmose tibiofibular, cujas fibras são organizadas para resistir à tração descendente final da fíbula.

A fíbula tem uma cabeça na sua parte proximal que, por sua vez, tem um ápice. Além disso, também tem o colo e o corpo.

O corpo da fíbula é triangular ao corte transversal.

Possui três margens: anterior, interóssea e posterior; e três faces: medial, posterior e lateral.

A extremidade distal é formada pelo maléolo lateral, que forma a articulação talocrural em conjunto com o pilão tibial e o maléolo medial da tíbia.

 

5. Quais são as fraturas de tíbia e/ou fíbula?


fratura de tíbia e fíbula

As fraturas dos ossos da perna são mais comuns em crianças, ocupando a terceira posição de incidência entre as fraturas em crianças e adolescentes.

Nas crianças menores, o trauma direto e lesões de torção são os mecanismos mais frequentemente envolvidos.

Já crianças maiores e adolescentes podem sofrer fraturas devido a acidentes com veículos e lesões relacionadas a esportes.

Fraturas dos ossos da perna costumam impedir a deambulação devido a grande dor e comprometimento funcional.

Uma exceção a essa regra pode ocorrer em fraturas fibulares isoladas.

Fraturas recorrentes em crianças com menos de 2 anos associadas a mecanismos de trauma suspeitos sempre devem gerar atenção à suspeita médica de abuso ou violência.

Nesses casos, radiografias do corpo inteiro em busca de lesões com diferentes fases de cicatrização podem contribuir para a confirmação dessa suspeita.

 

6. Qual o tratamento para fraturas na tíbia e/ou fíbula?


O tratamento geral de fraturas envolve alívio álgico e a sua redução.

Ou seja, realocar o osso em sua posição habitual, seja por meio de uma cirurgia (redução cruenta ou aberta) ou pela manipulação da região sem necessidade de incisões na pele (redução incruenta ou fechada).

Para plena cicatrização óssea, deve-se manter os fragmentos da fratura justapostos e imobilizados enquanto o osso se recupera.

Os dispositivos que são usados para manter o osso no lugar durante a recuperação são:

  • tala gessada;
  • aparelho gessado;
  • osteossíntese com placas e parafusos metálicos (requer cirurgia);
  • osteossíntese apenas com parafusos metálicos (requer cirurgia);
  • osteossíntese com haste intramedular (requer cirurgia);

Além disso, o médico poderá prescrever medicamentos conforme for o nível de dor do paciente.

Mais exames de imagem podem ser solicitados durante o processo de recuperação do osso.

 

7. Fraturei a tíbia e/ou fíbula. Posso praticar exercícios?


Em um prazo estipulado pelo médico, o paciente poderá começar a praticar exercícios para recuperar a amplitude dos movimentos que costuma estar limitada por diversos fatores (imobilidade prolongada, dor, hipotrofia muscular, entre outros).

Ter o auxílio de um fisioterapeuta é importante e muitas vezes imperativo para ajudar nesta etapa da recuperação e reabilitação.

A prática de esportes ou exercícios mais intensos só é aconselhada após a recuperação total do sistema musculoesquelético, sob reavaliação médica.

 

8. Qual o tempo de recuperação?


homem se recuperando de uma fratura da tíbia e fíbula

O tempo de recuperação de uma fratura da tíbia ou fíbula irá variar conforme o nível da lesão, podendo levar semanas ou até meses, em casos mais graves.

Este tempo de recuperação depende ainda de outros fatores como a idade do paciente, comorbidades e capacidade de recuperação individual.

Tecnologia na saúde: o que é, vantagens e tendências

O campo da inovação em saúde cresce a uma taxa exponencial, conhecido e difundido como tecnologia na saúde (healthtech), proporcionando as tecnologias em uso em unidades de saúde todos os dias e tecnologias futuras que auxiliarão na melhoria dos cuidados aos pacientes.

Como em outras indústrias e campos da economia, as empresas que investem constantemente nos avanços de tecnologia em cuidados de saúde podem auferir uma série de vantagens neste competitivo mercado.

Caso esteja interessado em conhecer mais sobre as tecnologias na área da saúde, continue lendo este conteúdo!

 

1. O que é a tecnologia na saúde

A tecnologia na saúde é uma série de soluções criadas através da conversa entre duas grandes áreas do conhecimento. Essa aliança entre saúde e tecnologia existe há décadas e é crítica para a evolução dos cuidados à saúde dos pacientes.

Isso acontece porque a saúde gera demandas e a tecnologia, seja com soluções de software, engenharia e até mesmo de user experience (UX), melhora a capacidade de atendimento dessas demandas. Como resultado, avanços tecnológicos são feitos, tanto em termos de entrega de serviço quanto em termos de procedimentos e equipamentos.

Com tais avanços tecnológicos, a nossa espécie foi capaz de desenvolver uma série de técnicas para prevenir e tratar doenças que previamente causaram tragédias significativas, a exemplo do desenvolvimento das vacinas.

No Brasil, é possível citar o trabalho exemplar do médico e cientista Oswaldo Cruz, cujos conhecimentos sobre a peste bubônica e febre amarela auxiliaram na erradicação dessas doenças no Brasil, através da criação de vacinas e soros no início de 1900.

 

2. A importância da tecnologia na saúde

A tecnologia na saúde é crucial, pois exerce um impacto enorme em como as doenças são diagnosticadas, tratadas e acompanhadas, assim como na gestão dos cuidados de saúde e no monitoramento dos pacientes. O impacto na redução de custos e ganhos de eficiência muitas vezes tem tradução em um maior número de pacientes passíveis de tratamento.

Em outras palavras, os avanços tecnológicos permitem tomar decisões mais precisas, eficazes e acertadas. Com essas ferramentas, o campo médico pode coletar dados sobre pacientes e determinar quais medidas preventivas são as mais úteis para reduzir o risco de doenças, por exemplo.

Além disso, com foco na prevenção de condições que causam doenças específicas, é possível reduzir os custos operacionais para diagnóstico e tratamento, que podem ocorrer tanto no sistema público quanto privado.

 

3. Vantagens da adoção de soluções tecnológicas na saúde

cientista utilizando tecnologia na saúde para criar vacina

As tecnologias médicas têm impacto ainda nos cuidados de saúde e na relação médico-paciente. Hoje os chamados wearables (dispositivos tecnológicos de vestuário, como um smartwatch), podem ser usados para monitorar os pacientes, proporcionando maior autonomia e responsabilidade.

Vale notar também que a tecnologia na saúde tem ajudado em tudo, desde a educação até a prática clínica (como é o caso da teleconsulta). Assim, promove a saúde e previne doenças. E não para por aí, dentre outras vantagens da adoção de soluções de tecnologia na saúde podemos citar como exemplos:

  • Maior assertividade nos diagnósticos;
  • Oferta de melhor experiência de serviço ao cliente;
  • Mais eficácia na gestão (com ajuda de sistemas como PACS, RIS, CIS, LIS e HIS);
  • Maior controle financeiro com ferramentas de acompanhamento de despesas, faturamentos e análise de recursos e gastos;
  • Organização de tarefas administrativas (recepção, finanças, recursos de pessoal);
  • Gerenciamento de pessoas e grupos, com ferramentas de auxílio a divisão de tarefas e monitoramento da produtividade dos colaboradores;
  • Controle do estoque;
  • Integração e padronização do armazenamento de informações em bancos de dados, como o PACS.

 

4. Principais áreas de atuação da tecnologia na saúde

Várias invenções e tecnologias auxiliam no cuidado da saúde, tais como:

  • Tratamentos;
  • Exames;
  • Prevenção.

Em termos de equipamento médico, vale mencionar a descoberta de Wilhelm Conrad Rontgen do raio X e os posteriores avanços tecnológicos que permitiram o conceito dar origem a aparelhos diagnósticos e terapêuticos que hoje formam a base da Radiologia e Diagnóstico por Imagem, Radiologia Intervencionista e a Radioterapia.

Por volta de 1895, ele realizou a primeira radiografia não invasiva na mão de sua esposa. Assim, inaugurando uma nova era de exames não invasivos de órgãos e tecidos, que anteriormente só era possível através de cirurgia exploratória. Após isso, o raio X começou a melhorar, e as radiações em exames de imagem levou ao desenvolvimento de tomografia e equipamentos de imagem de ressonância magnética, entre outros procedimentos.

Hoje, com o uso generalizado da internet, observamos a criação de sistemas sofisticados, com tecnologias de informação e comunicação (TICs), que durante a pandemia do COVID-19 multiplicaram-se em múltiplas soluções de atendimento remoto, com ganhos de escala e proteção à saúde, através das plataformas de empresas de telemedicina.

 

5. Tecnologia na saúde pública

De acordo com a ANS (Agência Nacional de Saúde), desde 2018, mais de 3 milhões de cidadãos deixaram de usar planos de saúde e passaram a depender do SUS (Sistema Único de Saúde) [fonte].

Essa migração ocorreu como resultado das dívidas dos brasileiros e desemprego, assim como o aumento nos preços dos planos. Isso contribui para a sobrecarga do SUS. A adoção e o estímulo ao desenvolvimento de novas tecnologias na saúde pública objetivando atender essa gigantesca demanda surge como caminho imperativo como política de saúde pública.

Mesmo que o SUS seja um dos sistemas de saúde mais eficazes do mundo, com foco na atenção primária, há grandes perdas financeiras relacionadas à gestão, por vezes inclusive com desvios de verbas. Segundo a OMS, cerca de 40% dos gastos com saúde não são bem aproveitados por causa do gerenciamento ineficaz [fonte]. Ferramentas de fiscalização e registro surgem como alternativas para aumentar a eficácia dos órgãos fiscais na condução destes gastos.

Investir em tecnologia na saúde pública pode evitar longas filas para os leitos, contribuir na organização da distribuição de insumos médicos, organizar bancos de dados para pesquisas de saúde, entre outros benefícios como o desenvolvimento de sistemas mais eficientes nos campos da:

  • Telemedicina;
  • Prontuário eletrônico;
  • Sistemas de gestão;
  • Ferramentas de biometria;
  • Aplicativos com melhor experiência do usuário;
  • Cloud computing;
  • Testes Laboratoriais Remotos (TLRs).

 

6. Tendências

Caso comparemos a área da saúde há 50 anos com o panorama atual veremos uma mudança da água para o vinho, e espera-se que essa tendência continue nos próximos anos com a adoção e desenvolvimentos de tecnologias disruptivas dentro do campo.

As tendências tecnológicas mais vitais em cuidados de saúde atualmente giram em torno de algumas grandes áreas:

  • Big Data e Análise Preditiva;
  • Realidade virtual aumentada e mesclada;
  • Estratégia omnicanal para prestadores de cuidados de saúde;
  • Soluções virtuais de atendimento;
  • Produtos de saúde “vestíveis”, digitais e Internet of Things (IoT).

Quando se trata de tendências de saúde, a tecnologia tem um papel crítico. Porque, além de soluções como Cloud Computing e Big Data, a vinda do 5G ao país terá um grande impacto no setor, graças a sua significativa contribuição para aumento da conectividade. Desde ambulâncias inteligentes a ferramentas de telemedicina mais eficientes, a expectativa é que a vinda desse tipo de tecnologia na saúde terá uma influência positiva – como já falamos no artigo Tecnologia 5G na Saúde.

Da mesma forma que observamos a ascensão de novas tecnologias no campo dos cuidados de saúde notavelmente durante a pandemia da COVID-19, poderemos ter novos catalisadores de saltos tecnológicos nas próximas décadas. Eventos dessa natureza expõem falhas de longa data nos sistemas de saúde, reforçando e acelerando a importância da inovação tecnológica para atender as demandas.

 

Referências

  • Secoli, Silvia Regina, et al. “Avaliação de tecnologia em saúde: II. A análise de custo-efetividade.” Arquivos de Gastroenterologia 47 (2010): 329-333.
  • Silva, Rafael Celestino da, and Márcia de Assunção Ferreira. “A tecnologia em saúde: uma perspectiva psicossociológica aplicada ao cuidado de enfermagem.” Escola Anna Nery 13 (2009): 169-173.
  • Maldonado, Jose Manuel Santos de Varge, Alexandre Barbosa Marques, and Antonio Cruz. “Telemedicina: desafios à sua difusão no Brasil.” Cadernos de Saúde Pública 32 (2016).
  • Wen, Chao Lung. “Telemedicina e Telessaúde: um panorama no Brasil.” Informática Pública 10.2 (2008): 7-15.
  • Chiavegatto Filho, Alexandre Dias Porto. “Uso de big data em saúde no Brasil: perspectivas para um futuro próximo.” Epidemiologia e Serviços de Saúde 24 (2015): 325-332.
  • da Silva, Fabricio Alves Barbosa. “Big data e nuvens computacionais: aplicações em saúde pública e genômica.” Journal of health Informatics 8.2 (2016).
  • de Siqueira, José Eduardo. “Tecnologia e medicina entre encontros e desencontros.” Revista Bioética 8.1 (2009).
  • de Almeida, Marcio José. “Tecnologia e medicina: uma visão da academia.” Revista bioética 8.1 (2009).
  • de Araújo Galvão, Paulo Bezerra. “Tecnologia e medicina: imagens médicas e a relação médico-paciente.” Revista Bioética 8.1 (2009).

Monitores médicos para avaliação de exames radiológicos

Muitas pessoas não sabem, mas monitores comuns não são adequados para visualização e análise de imagens médicas. As configurações de hardware encontradas em monitores usuais são mais limitadas do ponto de vista das exigências de contraste, resolução e outros fatores que podem influenciar de forma negativa o trabalho dos radiologistas.

Por essa razão, monitores especializados são um nicho de desenvolvimento tecnológico e seu uso é fundamental  para avaliação de exame radiológico com a qualidade adequada.

Convidamos a ler este conteúdo preparado para apresentar um pouco mais sobre as diferenças encontradas nesses aparelhos!

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Como o monitor para avaliação de exame radiológico funciona

Os monitores médicos contam com características e especificações exclusivas para garantir a qualidade das imagens analisadas. No entanto, antes de entender melhor o que são esses monitores e quais suas diferenças em comparação com os monitores comuns, é preciso entender melhor sobre monitores em geral.

Entre as principais características que definem a qualidade de um monitor estão a luminância, taxa de contraste, tamanho e resolução.

A luminância é a medida da intensidade de uma luz refletida em uma direção. Ela é medida em candela/m2, sendo a candela (vela, em latim), uma unidade de intensidade luminosa do sistema internacional de medidas. Historicamente, recebeu esse nome pois 1 candela seria proporcional à intensidade de luz que uma vela emite.

A taxa de contraste é a medida da variação entre o brilho máximo emitido por um pixel completamente branco e o mínimo emitido por um pixel preto. Isso significa que, para uma relação de contraste de 100:1, cada branco que vemos é 100 vezes mais claro do que o preto.

Quanto ao tamanho, é a medida física que define a dimensão, em polegadas, da diagonal da tela do monitor.

Por fim, a resolução representa a matriz de um monitor, ou seja, a quantidade de linhas horizontais e verticais que um monitor pode exibir, dada em pixels.

Há ainda outros tipos de características, como as elencadas abaixo, que apesar de desempenharem papel importante na análise radiológica, costumam ter maior destaque para o trabalho de edição gráfica e de vídeos ou para uso em entretenimento como em set-ups de monitores gamers.

  • Taxa de atualização;
  • Tempo de resposta;
  • Suporte de cores;
  • Ângulo de visão.

 

O que é um monitor médico

monitor médico

Ao contrário de um monitor comum, o monitor médico conta com um sistema de controle de qualidade de imagem, que deve obrigatoriamente atender aos requisitos mínimos definidos pelos órgãos reguladores na área da saúde. Esses requisitos devem ainda se manter ao decorrer de toda a sua vida útil, sendo importante o trabalho de manutenção e verificação de qualidade periódico.

Além de uma luminância mais expressiva, com valores em geral igual ou superiores a 350 cd/m² (monitores comuns ficam na casa de  200 a 250 cd/m²), esses monitores garantem a uniformidade da luminância da tela.

Já em relação à taxa de contraste, os monitores médicos em geral contam com uma relação de contraste por volta de 10.000:1.

Como dito, esses requisitos devem passar por revisões periódicas, ao contrário do uso de monitores comuns onde não há problemas significativos na experiência do usuário se algumas dessas características sofrerem mudanças ao longo do tempo de uso, no caso dos monitores médicos, qualquer variação, por menor que seja, entre alguma destas características, poderá resultar em um diagnóstico ou análise imprecisa.

 

Tipos de monitores médicos

tipos de monitores médicos

Há três tipos de monitores médicos, que são: clínicos, diagnósticos e cirúrgicos.

  • Os monitores clínicos são úteis para visualizar imagens quando o médico não irá emitir algum laudo a partir dela. Na maioria das vezes, esses monitores são usados nos consultórios médicos apenas para visualizar de forma rápida.
  • Os monitores diagnósticos são usados por radiologistas na análise de imagens e emissão de laudos de radiografias, tomografias, ressonâncias magnéticas, entre outros.
  • Os monitores cirúrgicos são usados para os procedimentos mais invasivos, como endoscopias, broncoscopias e procedimentos minimamente invasivos como aqueles relacionados à radiologia intervencionista e hemodinâmica.

 

Especificações técnicas

Cada tipo desses três usos de monitores com diferentes aplicações, apresentados no tópico anterior, contam com suas particularidades técnicas. Um monitor para realização de laudos de ultrassonografia ou para visualização de imagens em um consultório médico, por exemplo, pode não ser adequado para análise de imagens e emissão de laudo de uma mamografia diagnóstica ou de uma tomografia. Isso ocorre porque cada uso possui requisitos específicos e conta com características próprias, tais quais a resolução do monitor, brilho ou luminância.

A resolução ideal varia de acordo com a modalidade de exame. No  caso de uma tomografia, a resolução mínima recomendada é a de 1M pixels (≥1280 x 1024), para a análise de uma radiografia, é preciso ter uma resolução de ao menos 3M pixels (≥1920×1440) enquanto para a mamografia, a resolução ideal é de ao menos 5M pixels (≥2560×2048).

 

Normativas técnicas

normas tecnicas para uso de monitores medicos

Para estabelecer requisitos aos monitores diagnósticos, o American College of Radiology (ACR) criou um Normativa Padrão Técnica para Prática Eletrônica de Análise de Imagens Médicas (ACR Technical Standard for Electronic Practice of Medical Imaging).

Esse padrão surgiu, pela primeira vez, em meados de 1994 e até hoje segue atualizado regularmente por revisões periódicas. Além disso, nos dias de hoje, esse padrão passou a ser endossado e revisado em conjunto com a American Association of Physicists in Medicine (AAPM) e a Society for Imaging Informatics in Medicine (SIIM).

O padrão determina não só como exibir as imagens, mas também como capturá-las e armazená-las, com o intuito de fornecer maior qualidade às imagens médicas e, como resultado, a sua análise, aos laudos diagnósticos e aos procedimentos. Dentro deste contexto, exige conformidade com o conjunto de normas DICOM®  (Digital Imaging and Communications in Medicine ou Comunicações e Imagens Digitais em Medicina) e também com o relatório TG18 (AAPM Task Group 18 ou Grupo Tarefa 18 da AAPM).

O DICOM® é um padrão internacional que tem como função padronizar o armazenamento e comunicação de imagens médicas. Esse padrão estabelece uma série de normas para certificar a qualidade essencial das imagens médicas, por exemplo, na sua parte 14, conhecida como DICOM GSDF (Grayscale Standard Display Function) que determina qual será o padrão de exibição em escala de cinza, para os monitores médicos para que as imagens sejam exibidas de forma consistente.

Já o relatório TG18, definido pela AAPM (American Association of Physical Medicine), estabelece os padrões de controle de qualidade de avaliação de desempenho dos monitores médicos.

Dentro do território nacional, a resolução 2.107 de 2014 do Conselho Federal de Medicina (CFM) que versa sobre a regulamentação da telerradiologia no Brasil, define, dentro da infraestrutura tecnológica apropriada  para exercício da telerradiologia diagnóstica, o uso de monitores com resolução espacial e de contraste adequadas a cada modalidade diagnóstica e controle interativo de brilho/contraste.

 

Resultado de Exames: cuidados na interpretação

Quem nunca teve curiosidade e leu o resultado de exames antes de levá-los para avaliação médica que atire a primeira pedra.

Sentir essa curiosidade é normal, porém, é importante tomar cuidado para não acabar preocupado devido a uma interpretação equivocada.

Para entender algumas minúcias frequentemente relacionadas a erros na leitura de resultados de exames, sobretudo os laboratoriais, preparamos este conteúdo!

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Resultado de exames

Muitas pessoas já deram uma espiada no resultado de um exame antes de levá-lo para a consulta e acabaram levando um susto com alguns pontos, como índices abaixo ou acima do normal.

Só na consulta médica de retorno, lhes são explicados alguns detalhes da interpretação desses resultados, muitas vezes notando que se desesperaram à toa, pois não havia nada de errado com os exames ou que seria mais adequado repetí-los sob outras condições antes de chegar a qualquer conclusão.

Apesar da interface adotada por muitas clínicas na apresentação do resultado de exames tornar a informação palatável, os resultados não são de interpretação assim tão simples.

Pode-se definir o entendimento de alguns termos que aparecem no documento como o primeiro passo na interpretação de resultados. O mais comum deles seria a definição de normal ou faixa normal.

Para obter um valor esperado para dado parâmetro são realizados estudos científicos com grandes grupos populacionais, e a partir daí, chegar a uma faixa de normalidade. São estudos custosos em relação ao tempo e aos recursos financeiros empregados, de forma que muitos desses estudos têm suas conclusões extrapoladas para populações muito diferentes daquelas do estudo original.

Dessa forma, é necessário que se entenda que a normalidade pode variar a depender do que se usa como referência.

A situação da realização de cada exame também pode distorcer a interpretação de alguns valores.

É papel do médico realizar a busca por fatores de confundimento na leitura de qualquer resultado. Em um exemplo simples, caso o paciente não tenha respeitado o tempo de jejum adequado para a realização de uma glicemia, poderá ter seu resultado alterado, na faixa acima do normal.

Há ainda aqueles exames cujos resultados variam conforme a idade, sexo, medicamentos utilizados, fase menstrual e inúmeros outros fatores individuais. O médico irá avaliar todos esses fatores, para interpretar o exame dentro de todo esse contexto e não apenas a informação isolada.

 

Exames complementares e seus resultados

medico interpretando resultado de exames

Os exames complementares compõem uma das bases do tripé de um diagnóstico – os outros pilares são a história clínica e o exame físico.

Servem para confirmar suspeitas clínicas, firmando o diagnóstico em pacientes sintomáticos ou ainda avaliar a presença de alterações e doenças com poucas manifestações clínicas em pacientes assintomáticos.

Isoladamente, entretanto, são uma andorinha que não faz verão. O resultado de exames por diversos fatores, como aqueles apresentados no tópico anterior, não são uma verdade absoluta. É necessário que sejam interpretados.

Há a possibilidade, por exemplo, do teste ser positivo em pacientes que não têm uma doença, os ditos resultados falso-positivos. Ou ainda, de ser negativo em pacientes que possuem a doença, como não portadores da mesma, os resultados falso-negativos.

 

Variáveis e características dos exames

Algumas variáveis clínicas contam com apenas 2 resultados possíveis, por exemplo: grávida/não grávida. Estas variáveis são nomeadas de forma categórica ou dicotômica.

As variáveis categóricas podem ser divididas em nominais ou ordinárias.

As variáveis nominais, como é o caso dos tipos sanguíneos, não possuem uma ordem particular. Ao passo que as variáveis ordinais, como a escala de coma de Glasgow, contam com valores distintos que são postos em uma ordem específica.

Outras variáveis clínicas, tal como os vários exames diagnósticos típicos, são contínuas e possuem inúmeros tipos de resultados, como contagem de leucócitos, glicemia, etc. Para essas variáveis é comum que se defina por meio de diretrizes, um ponto de corte para que a variável contínua seja tratada como uma variável dicotômica. Assim, uma vez definidos esses pontos de cortes, é possível ter resultados dos exames contínuos como positivos ou negativos.

Também é possível registrar todos os desfechos possíveis em uma tabela simples de 2 × 2. A partir da qual algumas das maiores características discriminatórias de teste podem ser calculadas, como:

  • A sensibilidade é a probabilidade de resultado positivo em pacientes que possuem a doença.
  • A especificidade é a probabilidade de resultado negativo em pacientes sem a doença.
  • O valor preditivo positivo (VPP) é a probabilidade de pacientes com resultado positivo no exame, de fato, possuírem a doença.
  • O valor preditivo negativo (VPN) é a probabilidade de um pacientes com resultado negativo no exame, de fato, não possuírem a doença.

 

Efeitos da definição do ponto de corte

Dentre os exames mais feitos, estão aqueles que fornecem resultados dentro de uma escala quantitativa contínua, como glicemia, contagem de hemácias e de leucócitos, entre outros. Esses resultados quantitativos de exames podem ser representados dentro de uma curva de distribuição que, não necessariamente deve ser uma curva normal.

As condições de saúde investigadas com esses exames necessitam muitas vezes de um resultado positivo ou negativo, baseado em algum critério específico ou ponto de corte. Um paciente é considerado anêmico a partir de um dado valor de hemoglobina, por exemplo.

Estes pontos de corte, na maioria dos casos, são obtidos com uso de análise estatística e conceitual buscando manter o equilíbrio entre a taxa de resultados falso-positivos e resultados falso-negativos.

Imaginemos novamente o exemplo da anemia. Usualmente são utilizados os valores de 13,5 g/dl para homens e 12,0 g/dl para mulheres como valores de corte inferior, a partir de onde se diz que o paciente está anêmico.

Se optarmos por mudar esses valores de corte para números menores, teremos um grupo maior de pessoas sendo diagnosticadas como anêmicas, pelos seus resultados de hemoglobina.

O problema é que várias delas não terão qualquer sintomatologia, ou seja, foram diagnosticadas mesmo sem a doença.

Esse maior número de resultados falso-positivos faz parte de cenários onde o teste é muito sensível, mas pouco específico. Aqui, provavelmente todos os pacientes com sintomas de anemia tiveram um exame de hemoglobina que também acusava a doença (alta sensibilidade), porém de todos os exames que acusaram anemia, vários pertenciam a pacientes sem a doença (baixa especificidade).

O cenário oposto também é verdadeiro, um aumento dos valores de corte diminuindo os resultados falso-positivos resultará em mais falso-negativos. O aumento de especificidade é acompanhado de uma diminuição (não necessariamente proporcional) da sensibilidade.

A manifestação gráfica da manipulação dos pontos de corte e a influência dessas mudanças nos resultados verdadeiro-positivos e falso-positivos (à direita) e verdadeiro-negativos e falso-negativos (à esquerda) são melhor visualizadas na imagem abaixo. 

gráfico ponto de cortes

O eixo x do gráfico divide os indivíduos com e sem a doença estudada. Pessoas portadoras da doença encontram-se acima do eixo x, enquanto aqueles que não têm uma doença, estão localizados abaixo desse eixo inferior.

Dentre aqueles com a doença (acima do eixo x), a área do gráfico sob a linha de distribuição dos resultados e à direita do ponto de corte (eixo y) representa os exames verdadeiro-positivos. Já a área à esquerda do ponto de corte, representa os resultados falso-negativos.

Dentre os pacientes sem a doença (abaixo do eixo x), a área à direita do ponto de corte representa os resultados falso-positivos e a área à esquerda os testes verdadeiro-negativos.

 

Curvas de características operacionais do receptor (ROC)

curva roc

O gráfico que representa os resultados verdadeiro-positivos versus a fração de resultados falso-positivos, para uma série de pontos de corte, gera uma curva que é chamada de curva ROC.

A curva ROC representa como um gráfico a solução de compromisso entre a sensibilidade e a especificidade ao fazer alguns ajustes do ponto de corte. Os resultados positivos verdadeiros são do eixo Y, e os resultados falso-positivos do eixo X.

Quanto maior for a área sob a curva da curva ROC, maior será a acurácia do exame, isto é, melhor o exame irá discriminar as pessoas com e sem a doença.

Sendo assim, as curvas ROC possibilitam comparar os exames em uma série de pontos de corte. Por exemplo, o exame A é superior ao exame B em diversos pontos.

As curvas ROC também são úteis para selecionar o ponto de corte para aumentar a utilidade do exame. Caso o exame tenha sido feito para confirmar uma doença, seleciona-se um ponto de corte que tenha maior especificidade e menor sensibilidade. Ao passo que, se o exame tiver sido feito para rastrear uma doença oculta, seleciona-se um ponto de corte com maior sensibilidade e menor especificidade.

 

Conclusão

A interpretação dos resultados de exames está permeada de minúcias que muitas vezes nem imaginamos! Os conceitos de estatística envolvidos não são assim tão simples.

Assim, devemos sempre ter em mente que apesar de apresentações gráficas elegantes fornecidas pelas clínicas, os resultados dos exames devem ser interpretados por profissionais dentro do contexto de cada paciente. A interpretação por leigos pode gerar preocupação desnecessária, sendo ideal aguardar antes de tirar conclusões precipitadas.